O que é Wicca?

Wicca (nome alternativo para a arte da feitiçaria moderna) é uma religião de natureza xamanista, positiva, com duas divindades maiores reverenciadas e adoradas nos seus ritos: A Deusa (o aspecto feminino e divindade ligada à antiga Deusa Mãe, o seu aspecto é triplo de Virgem, Mãe e Anciã.) e o seu consorte, o Deus Cornífero (o aspecto masculino). Os seus nomes variam de tradição wiccaniana para outra, e algumas utilizam-se de outros panteões para representar várias faces e estados de ambos os Deuses. Frequentemente, Wicca inclui a prática de várias formas de Alta Magia (geralmente com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual) e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano. Wicca (que também é conhecida como "Arte dos Sábios", ou, muitas vezes, somente como "A Arte") é considerada por muitos uma religião panteísta, politeísta e faz parte de um ressurgimento actual do paganismo, ou movimento neo-pagão, como muitos preferem chamar.

Feitiçaria, em inglês Witchcraft, é um termo derivado da palavra anglo-saxônica Wiccacraft, que significa "a arte dos sábios". Referia-se ao conhecimento superior possuído por certos indivíduos numa comunidade, conhecimento da natureza, da herbologia, das forças naturais que nos cercam, de certos aspectos da cura e da medicina e da capacidade de constatar a divindade. Assim, o Wicca não era uma força do mal, mas um sábio, a única pessoa na comunidade a quem se podia recorrer quando surgia algum problema religioso, médico, ou outro problema não material. Desde o começo dos tempos, o Xamã, ou sacerdote, era o sábio; e embora o cargo fosse de início atribuído a uma pessoa fisicamente deficiente que não podia caçar nem lutar, acabou por ser exclusivo de uma elite da comunidade e a pertencer aos seus estratos intelectuais mais elevados. A feitiçaria ocidental, uma tradição baseada sobretudo nas crenças das comunidades anglo-saxônias e escandinavas, que datam da Idade da Pedra, ergue-se sobre três conceitos básicos:

1.O culto de uma Deusa-Mãe, um princípio feminino, em vez dos deus-homem do cristianismo.

2.a crença na reencarnação e o desejo de renascer no mesmo tempo e lugar dos seus entes queridos; e

3.o conhecimento e o uso da magia, significando esse termo não as mágicas de palco, mas a manipulação da lei natural de modo a trazer benefícios para o homem, utilizando melhor os recursos naturais, explorando os segredos do universo e descobrindo atalhos e remédios para melhorar a vida.

 

Os bruxos não acreditam no Demónio, porque a crença no Demónio veio depois, sendo invenção da igreja política do século XIV, que precisava de um adversário tangível para combater, em vista da continuação da crença no paganismo por grande parte do povo. A palavra "diabo" significa "estrangeiro" na língua cigana, mas para tornar esse adversário um anticristo, os chifres do deus grego Pã, o rosto de bode, mais os aspectos fogosos do Belzebu fenício contribuíram para a criação de uma força artificial do mal chamada diabo. Que essa invenção sem sentido tenha sobrevivido setecentos anos de iluminismo é surpreendente. Mas sobreviveu.

A feitiçaria não tem nada a ver com a Missa Negra. está é invenção de pessoas que buscavam emoções proibidas no século XVI, tornando-se particularmente popular na Inglaterra no século XVIII. É simplesmente um arremedo de culto religioso que conspurca a religião católica romana invertendo tudo, do crucifixo às orações. Como os bruxos nem mesmo reconhecem a existência do cristianismo, haveriam ainda menos de querer ridicularizá-lo. O satanismo ou culto do demônio também não tem a ver com a feitiçaria, salvo por ter tomado por empréstimo alguns ornamentos externos dos bruxos, pervertendo seu sentido ao fazê-lo. Os bruxos cultivam a vida e a santidade de todas as criaturas vivas proíbem toda forma de sacrifício humano ou animal, enquanto os bruxos acreditam em fazer aquilo que não faz mal a ninguém, os satanistas seguem uma linha de raciocínio oposta. O egoísmo, a cobiça, a luxúria e a plena satisfação dos desejos sensuais são não só permitidos como também encorajados, a destruição de criaturas mais fracas é santificada e o princípio do egoísmo louvado como forma saudável e construtiva de vida.

 

           

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