GUARANI DE CARLOS GOMES SIMBOLO DO NOSSO BRASIL
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Em
Busca da Caverna
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5 - A MONTANHA ÔCA "Nós já estavamos cansados de ficar
no mosteiro sem fazer nada, aquela monotonia do ambiente nos deixava
deveras atrofiados". "Do alto do mosteiro todo dia nós
ficávamos apreciando a paisagem das montanhas ao nosso redor".
"Viamos uma carreira de montanha e, na ponta uma parte mais alta,
e, logo em frente duas montanhas encostadinhas no mar. Uma mais baixa
mais larga em cima e outra muito comprida e dava as costas para o mar,
onde os escravos lá do planalto chamavam de nascente da "lagoa
salgada" bem resolvemos um dia burlar a vigilância do mosteiro
e começamos a andar a beira mar. Por precaução
fomos vestidos de frades para não sermos molestados pelos capatazes
de fazenda que existe por aqui. Andamos junto às duas pedras
altas. O barulho do mar era tão grande que nós ficavamos
horas e horas apreciando o movimento das ondas. No primeiro dia nós
esquecemos e quando resolvemos voltar já era tardinha, não
dava tempo de voltar para o mostero. Então fomos a procura de
uma gruta para passar a noite, comida não era problema porque
naquela época havia muitos frutos silvestres, por exemplo: mamão,
tamarindo e caju. Fome a gente não ia passar e nas encostas das
pedras tinha nascente d'agua para a gente beber. Como nós já
tinhamos ficado uma noite fora de casa, resolvemos não voltar
ao mosteiro "e procurar decifrar o enigma das duas pedras juntas".
Na segunda noite dormimos em uma gruta onde ouvimos muito gemido e sussurros
vindo do interior da gruta. Era noite de lua clara, e as ondas do mar
estavam calmas, devia ter estacionado a vazante. Dentro da gruta entrava
a luz da lua. À medida que foi tornando-se mais tarde, os sussuros
aumentaram. E vinham do fundo da gruta. Resolvemos averiguar do que
se tratava. Vimos tochas de fogo acesas e muitas pessoas de cor preta
reunidas ali no fundo da gruta que era um salão muito grande
e alto, era tão alto que não se via parte superior, a
não ser pela fresta de luz da lua que ali entrava. Eram mais
ou menos cincoenta pessoas, não deu para contar ao certo. Eles
falavam, cantavam e choravam, gemiam falavam em lingua nativa africana.
Por isto podemos entender o que eles diziam. Como nos não sabiamos
do que se tratava, pois na cidade ninguem havia comentado sobre aquele
assunto, achamos por bem não dar alarme com a nossa presença,
e só ficar observando. As pessoas se movimentavam lá dentro como se estivessem
angustiadas, nervosas. O que poderiam ser aquilo? Seria um esconderijo
de escravos? Vamos observar mais: ficamos sem dormir aquela noite mesmo
porque já tinhamos perdido o sono e as condiões não
eram confortaveis e nem sequer tinhamos coragem de dormir com um movimento
de pessoas por perto. Depois de observar várias horas pelo buraco
no fundo da gruta notamos que perto de uma tocha de fogo havia dois
rapazes de 20 a 22 anos de cor branca, bem vestidos, com calça,
jaqueta, perneira, chapéu que diziam em portugues para os pretos:
"Acalmem, acalmem que o navio vai chegar daqui a pouco, pelo que
combinamos ele, o navio vai chegar mais ou menos na maré baixa.
Assim vocês poderão embarcar com segurança e voltar
para a África e assim libertaremos todos os escravos" Passado
mais uma hora e meia ele volto e falou "está na hora o navio
já está chegando" Então todos se levantaram
e foram caminhando para o fundo do salão até a gente não
pôde ver mais. Como nós queriamos acreditar no que estávamos
vendo, saimos da gruta arrodiamos a pedra, isto é, andamos pelo
lado de fora entre o mar e a pedra aré chegarmos a um local onde
se avistava a entrada da baia, que os escravos chamavam de nascente
da "lagoa salgada", onde vimos um navio todo de madeira muito
grande atracado em um local onde as ondas eram bem mais fracas de acordo
com a maré baixa. Vimos várias canoas levarem cada uma
cerca de seis pessoas e embarcar no navio. Depois que todos que estavam
no salão da caverna embarcaram no navio, foi 'largado' as velas
e o navio começou a seguir a direção do mar aberto.
E nós ficamos observando até o navio sumir completamente
no horizonte... De longe apenas uma luz tênue caminhava no oceano.
Depois, bem depois, quando ainda comentavámos o espetáculo,
nós encontramos os dois rapazes que vimos lá no salão
da caverna. Quando eles nos viram a nós três vestidos de
roupa de padre... |
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