As
primeiras referências ao perfume remontam as antigas
civilizações do Oriente, especialmente
a do Egito. Os egípcios reservavam fragrâncias
para os mortos e os deuses, a ponto de instalarem dentro
dos templos os laboratórios destinados à
preparação desses perfumes. No laboratório
do templo de Hórus, em Edfu, foi encontrada a
receita de velas aromáticas que os sacerdotes
acendiam na primeira oferenda da manhã às
estátuas das divindades. Os perfumes eram infinitamente
mais valiosos do que hoje. Só podiam dispor dele
os grandes sacerdotes e reis, que os reservavam para
os deuses.
No
poema de Pen-ta-ur podemos ler a oração
do faraó Ramsés ao deus Amon para que
lhe conceda a vitória na batalha de Qadesh. Nesse
trecho do poema, o rei lembra as oferendas ao deus,
entre elas o sacrifício de três mil bois,
ervas aromáticas e perfumes. Os egípcios
acreditavam que seus pedidos e orações
chegavam mais depressa à morada dos deuses se
viajassem nas densas nuvens de fumaça aromática
que se erguiam dos altares e ascendiam aos céus.
A
primeira água perfumada, a Água da Rainha
da Hungria, data de 1730. Na Renascença, os italianos
criaram a Água Admirável. As fórmulas
da águas de cheiro seguiam de acordo com a aprovação
da Faculdade de Medicina de Colônia, na Alemanha,
onde foi criada a fórmula. Em 1810, a perfumaria
recebeu grande impulso, quando Napoleão publicou
um decreto, indicando que as “receitas medicinais”
deviam ser conhecidas publicamente. Foi Guerlain, o
criador da Água de Colônia Imperial, em
1853. No século XIX, com a química orgânica,
começaram a surgir muitas novidades.
Em
1890, as mulheres – sufocadas em espartilhos –
perfumavam-se com aromas discretos e suaves. Foi o auge
das fórmulas elaboradas com uma só flor
e das águas de colônia frescas, em embalagens
românticas. Até surgir Jicky, de Guerlain
(1889), o mais novo frisson das dondocas e dândis
da época. De olho na burguesia, os laboratórios
começam a processar aromas sintéticos
que simulem os naturais e, pouco a pouco, os perfumes
– até então caríssimos -
se tornam mais acessíveis.
CHEIRO
DE MODA
No
início do século passado, houve a primeira
tentativa de colocar a arte de vender na perfumaria,
porém, na hora de criar novos aromas, prevalecia
a idéia de luxo e sensualidade. Caron, com seu
Narcisse, evocava desejos de conquistas com notas quentes
e doces. Os perfumes começam a ser idealizados
nos ateliês parisienses de alta-costura.
Em
1920, ao som do charleston e na onda dos cortes de cabelo
a la garçonne, surge o imortal Chanel nº
5, com suas eternas notas de rosas, jasmim e aldeídeos.
Nasce a figura do designer e há um grande incremento
na industrialização de embalagens e frascos.
Nas duas décadas seguintes, o perfume deixa de
ser marca de personalidade e passa a explorar a influência
que pode ter nos sentimentos. Em 1930, com a Europa
em crise, Jean Patou lança uma fragrância
contra o pessimismo - Joy - a mais cara do mundo. Nessa
época aparece também o primeiro unissex,
o Lê Sien, também de Patou.
A
guerra eleva os preços às alturas. Em
44, Rochas, o costureiro favorito das estrelas de Hollywood,
lança o sensualíssimo Femme, com aroma
picante. Mas, há espaço também
para o romantismo e Nina Ricci lança o mítico
l’Air du Temps, em frasco criado pelo mestre Lalique.
Miss Dior, inspirado no New Look de Christhian Dior
(1947) marca a volta ao luxo. Nos anos dourados (década
de 50) destacam-se os florais frescos, como Dioríssimo,
de Dior, com seu cheirinho inocente de lírio
do vale. Estèe Lauder lança o primeiro
grande perfume americano, o Youth Dew. Na França,
a Lancôme contra-atacava com luxo: Magie, que
vem num frasco com lantejoulas, e Trèsor, em
forma de diamante.
Na
década revolucionária de 60, os tempos
são de minissaia, da chegada do homem à
Lua e de estudantes nas ruas. Festival de Woodstock,
contra-cultura. A burguesia só usa Y, de Yves
Saint Laurent. Madame Rocha, Calèche, de Hermès,
e Calandre, de Paco Rabanne, arrasam. Já nos
anos 70, quando a mulher conquista a sua independência,
os perfumes são mais densos e agressivos. Na
época, quem não usasse o provocante Opium,
de YSL, estava por fora. Outros sucessos: o suave e
romântico Anais Anais, de Cacharel, e First, da
Van Cleef e Arpels.
Nos
80, os chamados anos yuppies, um tempo de culto ao corpo,
beleza e poder. Fragrâncias fortes, como Poison
e Must, este último da Cartier, imperam. Mas,
adivinha quem era o rei de vendas em 1985? Surpresa,
o romântico Anais Anais. Nos anos 90, predomina
a geração dos estilistas irreverentes.
É lançado Angel, de Thierry Mugler, com
um cheiro guloso de caramelo, mel e chocolate, deliciosamente
guardado num frasco em forma de estrela, na cor lilás,
e com detalhes metalizados. Chic, delicioso, o paraíso...
Ainda, Escape, de Calvin Klein, Dune e Éden.
O hype dos anos 90, no entanto, é CKOne.
Aprenda
a conhecer mais das fragrâncias para melhor reconhecer
aquela que é ou ainda será a sua marca
registrada.
·CÍTRICOS
FLORAIS – Denominados frutados, utilizam
matérias-primas extraídas de cascas de
frutas, como laranja, lima, limão, pomelo, tangerina
e mandarina.
·FLORAIS
ALDEÍDOS – A matéria-prima
é extraída das flores naturais ou desenvolvida
sinteticamente em laboratórios. As notas têm
caráter delicado, sutil e discreto.
·FOUGÉRE
– Matérias-primas leves e frescas,
normalmente extraídas da madeira e, por isso,
são conhecidos por amadeirados. A elas se juntam
a mistura de álcoois de tubérculos e raízes.
·CHIPRES
FLORAIS - Matérias-primas extraídas
de musgos, normalmente do carvalho. São os perfumes
mais clássicos e sofisticados. São elegantes
e requintados.
·ORIENTAIS
FLORAIS – Suas misturas são constituídas
normalmente de tuberosas, baunilha, pathouly, ylang
ylang. Inspiram sofisticação e, inclusive,
são mais marcantes, misteriosas e sensuais.
·COUROS
SECOS – Fragrâncias extremamente
secas, as matérias-primas são extraídas
do tabaco, de madeiras, couros, musgos e algas marinhas.
·ALDEÍDOS
FLORAIS – Misturas em geral sintéticas,
também usadas nos perfumes muito clássicos
e sofisticados. Possuem um certo frescor inicial característico
e picante.
·AROMÁTICOS
SECOS E FRUTADOS – Mistura de secos e
frutados, que criam uma fragrância híbrida.
Podem conter fragrâncias extraídas de especiarias,
como cominho, estragão e manjericão, cravo,
canela, noz-moscada, açafrão e pimenta.
FAMÍLIAS
OLFATIVAS
Famílias
olfativas são as sensações olfativas
que se sente nas diversas fases de utilização
do perfume. Estão divididas em três partes:
notas de cabeça, de coração e de
fundo.
NOTAS
DE CABEÇA OU DE SAÍDA –
São as primeiras sensações que
temos ao passar o perfume. São extremamente voláteis
e, via de regra, muito leves. São essências
à base de limão, laranja, bergamota, lavanda,
pinho, eucalipto e folha de chá. Quando o perfume
é muito fresco, suas notas são quase voláteis,
daí porque seus aromas duram menos tempo.
NOTAS
DE CORAÇÃO OU DE CORPO –
É a alma, a personalidade do perfume. Normalmente
são fortes e se fixam por um tempo maior do que
as notas de cabeça. São utilizadas essências
menos voláteis e mais pesadas, como o tomilho,
cravo, aldeídos, cominho, pimenta, e outras especiarias.
Ou seja, são o tempero de um bom perfume.
NOTAS
DE FUNDO OU DE FIXAÇÃO –
É o responsável pela fixação
da fragrância na pela. Como fixadores são
usadas resinas e extratos amadeirados e de origem animal,
como o musk, o castor e o civete.
ACORDES
– São os conjuntos ou misturas
das essências, aquelas que mais se sobressaem,
valorizando o perfume pela qualidade da composição.

DICAS:
As
mulheres costumam passar o perfume nos pulsos, atrás
da orelha e na dobra dos braços.
DICA:
experimente passar na parte de trás do joelho,
principalmente quando estiver de saia ou vestido.
CUIDADO:
nunca aplique o perfume diretamente no triângulo
entre ombros e colo. Ao evaporar, você corre o
risco de ficar com o nariz tampado. O exagero na aplicação
também pode causar dor de cabeça e náusea.
DICA:
pérolas e seda não combinam com perfumes.
As jóias podem ficar opacas e o tecido corre
o risco de ficar manchado.
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