Estudo dos gases
Os gases estudados neste capítulo são idealizados (Gases Ideais), mesmo porque seria muito difícil se levássemos em conta todos os detalhes referentes à cada gás que existe na natureza. Para facilitar vamos simplificar as coisas.
Características dos gases ideais
Variáveis de estado de um gás.
Para você saber caracterizar um gás, e resolver a maioria dos problemas que surgirem pela frente, relacionados a este tema, é necessário entender e saber trabalhar com três grandezas que são importantíssimas para um gás: a sua TEMPERATURA, o seu VOLUME e a sua PRESSÃO.
Você já deve saber o que significa cada uma destas grandezas, mas não custa nada uma pequena revisão.
Temperatura ® mede o nível de agitação das partículas do gás (átomos ou moléculas). A unidade usada aqui para esta grandeza, no sistema internacional (SI), é o kelvin (K).
Volume ® é a medida do espaço tridimensional ocupado pelo gás. A sua unidade, no SI é o m3 , mas algumas vezes o litro ( l ) será utilizado. Obs: o volume de um gás sempre será igual ao volume do recipiente ocupado pelo mesmo.
Pressão ® é a medida da força aplicada pelo gás em cada m2 das paredes do recipiente ocupado pelo mesmo. Obs: Esta força é aplicada pelas partículas do gás que se chocam contra as paredes do recipiente. A sua unidade no SI é o N/m2 , mas outra unidade também utilizada é a atmosfera.
( 1 atm = 105 N/m2 ).
A energia interna (U) de um gás ideal
A energia interna de um gás existe basicamente devido ao movimento de cada partícula que o compõem. A energia de cada partícula individual do gás pode ser encontrada usando-se a seguinte equação:
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Ec é a energia cinética de cada partícula do gás (medida em Joules), mo é a massa de cada partícula do gás (medida em kg) e v é a velocidade de cada partícula do gás (medida em m/s). |
Naturalmente, para que possamos calcular a energia interna do gás (U), teríamos que somar as energias cinéticas de cada uma das partículas que formam este gás, e como são muitas, o trabalho seria descomunal. Por isso vamos seguir um outro caminho.
Sabemos que a velocidade estatística média de todas as partículas de um gás pode ser calculada usando-se a seguinte expressão:
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R é a constante universal dos gases (8,31 J/mol.K ou 0,082 atm.l /mol.K), T é a temperatura medida em Kelvin (K) e M é a massa molecular do gás. |
Sabemos também que a massa total do gás pode ser dado pela expressão:
| n é o número de mols do gás e M é a massa molecular do mesmo. |
Então, ao invés de somarmos todas as energias de cada partícula vamos substituir na primeira fórmula o valor da massa total do gás e o valor da velocidade estatística média de suas partículas. Fazendo isso encontraremos a seguinte expressão, que serve para calcular a energia interna (U) de um gás ideal monoatômico:
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Com certeza aqui você já sabe o significado de cada uma das letras contidas nesta equação. |
Vamos recordar o que é número de mol (n).
É só uma maneira mais fácil de expressar quantas partículas existem em determinado sistema. Por exemplo, um mol de átomos de oxigênio possui 6,023 x 1023 átomos de oxigênio. Um mol de moléculas de qualquer gás possui 6,023 x 1023 moléculas deste gás. Um mol de alunos possui 6,023 x 1023 alunos (... é aluno que não acaba mais !!!)
Obs: Note que substituindo o valor da constante universal dos gases (R) na equação da velocidade estatística média obteremos uma outra equação mais simples, porém aproximada, que pode também ser usada para determinar a velocidade média de cada partícula do gás.

Relação entre energia cinética média de cada partícula e a temperatura.
Já que a energia interna de um gás depende da agitação das suas partículas, e a temperatura é a grandeza que mede o nível de agitação destas mesmas partículas, será que podemos afirmar que, se tivermos dois gases, um com temperatura de 300K e outro com temperatura de 500K, o que tiver maior temperatura terá também necessariamente maior energia interna ?
A resposta é... não !!!
A temperatura não depende do número de partículas, mas a energia interna sim. Se eu tiver somente cinco partículas muito agitadas dentro de um recipiente A, e um milhão de partículas menos agitadas dentro de outro recipiente B, o recipiente A terá maior temperatura que o recipiente B (pois suas partículas estão mais agitadas), mas a soma das energias de todas as suas cinco partículas dará menos do que a soma das energias de todas as partículas do recipiente B (pois B tem muito mais partículas). Então a energia interna de B será logicamente maior.
A relação entre a energia cinética média por molécula <Ec> e a temperatura T do gás é dada pela equação de Boltzmann.
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Equação de Boltzmann |
Você pode ouvir falar da constante de Boltzmann, representada pela letra k. Na verdade ela é encontrada dividindo-se a constante universal dos gases (R = 8,31 J/mol.K) por 6,023 x 1023 que acaba dando, no SI, k =1 ,38 x 10-23 J/K. Ou seja:
k = 8,31 / 6,023 x 1023 = 1 ,38 x 10-23 J/K
Lei geral dos gases
Esta lei é válida somente quando o número do mols do gás não muda, ou seja, quando sua quantidade dentro do recipiente não muda.
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P1 ; V1
; T1 = pressão, volume e
temperatura antes de se mudar qualquer uma destas variáveis de estado.
P2 ; V2 ; T2 = pressão, volume e temperatura depois de se mudar alguma destas variáveis de estado. |
Equação de Clapeyron
Esta equação foi formulada quando descobriu-se que volumes iguais de dois gases, nas mesmas condições de temperatura e pressão, contém o mesmo número de moléculas.
| Esta equação também é conhecida como equação de estado. |
Transformações gasosas
Transformação isobárica = a pressão do sistema se mantém constante durante a transformação.
Transformação isovolumétrica (isométrica ou isocórica) = o volume do sistema se mantém constante durante a transformação.
Transformação isotérmica = a temperatura do sistema se mantém constante durante a transformação.
Diagramas P x V para as três transformações acima
São gráficos que mostram a relação entre a pressão e o volume em cada um dos tipos de transformações estudadas acima.
1. Diagrama P x V para a transformação isobárica
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Como na transformação isobárica a pressão se mantém constante, o diagrama acaba ficando da maneira como está representada ao lado. |
2. Diagrama P x V para a transformação isovolumétrica
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Como na transformação isovolumétrica, também conhecida como isocórica ou isométrica, o volume permanece sempre o mesmo, o diagrama acaba ficando da maneira ~como está representado ao lado. |
3. Diagrama P x V para a transformação isotérmica
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Neste caso é a temperatura que se mantém constante durante a transformação, e a pressão e o volume variam de acordo com o gráfico representado ao lado. |