Para Não Ver o Circo Pegar Fogo
O uso de tochas acesas na iluminação ou como adereços
tem sempre um forte impacto cênico e visual, mas a confecção
e a manipulação desses artefatos requerem o máximo
de cuidado e técnica. Em princípio, qualquer chama acesa no
palco deve ser evitada. Quando for imprescindível ao espetáculo,
no entanto, a presença de tochas em cena proporciona risco menor
se algumas precauções forem tomadas.
A fabricação da tocha é feita com um cabo de vassoura
de comprimento suficiente para que a mão do ator não fique
muito próxima à chama (cerca de 40 cm). O material empregado
na "cabeça" é manta de amianto, que não se
despedaça facilmente sob a ação do fogo. Este produto
é vendido em lojas de artigos de segurança para o trabalho
ou de juntas para motores, em tiras de larguras e espessuras variadas. Para
a confecção das tochas, utilizam-se tiras de 2" (5 cm)
de largura por 1/16" (1,6 mm) de espessura. Devido à sua alta
toxicidade, o amianto deve ser manipulado com luvas e em local arejado.
O fogo é alimentado por combustível líquido. Se a utilização
for em espaço ao ar livre, pode ser querosene, que queima lentamente.
Caso contrário, uma mistura em partes iguais de gasolina e álcool
não produzirá tanta fumaça, embora a chama dure bem
menos tempo. Como o querosene tem densidade bem diferente da gasolina e
do álcool, não adianta tentar qualquer mistura intermediária
procurando conciliar durabilidade e pouca fumaça, pois não
se obterá solução uniforme.
Uma tira de 50 cm de comprimento de amianto é pregada e enrolada
numa das extremidades do cabo de vassoura (Fig. 1). Quando estiver completamente
enrolada, a ponta solta é novamente pregada e amarra-se o rolo de
amianto com arame, bem apertado, garantindo que se mantenha inteiro durante
a combustão. Deve-se lembrar de arrematar bem os "nós"
do arame, para evitar arranhões no manuseio da tocha ainda apagada.
O comprimento da tira de amianto pode variar, determinando um número
maior ou menor de voltas em torno do cabo e, conseqüentemente, absorvendo
mais ou menos combustível, outro fator de alteração
da duração da chama.
Fig. 1
Minutos antes da utilização, a "cabeça"
das tochas é embebida num balde do combustível, com cuidado
para não molhar a madeira nem deixar a solução escorrer
pelo cabo. Recomenda-se que o ator que manipula a tocha vista luvas de amianto
(luva especial, não é exatamente do mesmo material que a manta,
nem é tóxica!), que resistem ao calor, ou luvas de pedreiro
(em couro ou tecido grosso) embebidas em água. Por precaução,
um cobertor molhado deve ser mantido nas proximidades, dobrado em "sanfona",
para apagar as tochas ao término da cena.
É possível adquirir, em comércio especializado no exterior,
tochas fabricadas para o uso em espetáculos teatrais e circenses.
Estes artigos, porém, além do custo elevado, não resistem
a mais de cinco minutos de chama acesa antes que a "cabeça",
também feita em amianto, comece a se estragar.
Renato Coelho
Técnico em Pirotecnia e Efeitos Especiais
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