O "EFEITO COUSTEAU"

Bastante comuns nos filmes de cinema e em documentários de televisão, as cenas subaquáticas são raríssimas no teatro, talvez pela aparente impossibilidade de sua realização. Espaço de fantasia que é, também o palco desenvolve seus truques, como o engenho de fácil construção que garantiu aos espetáculos "Tigarigari", "Sete Quedas: a Lenda e o Sonho" e "Romeu e Isolda" o efeito de ambiente submerso.

Para a sugestão de água, nada melhor do que... água! Neste caso, colocada à frente de um refletor como "filtro" da luz. Ao passar pela água, agitada por qualquer dispositivo mecânico, o raio luminoso sofre refração que o distribui desigualmente, e em "padrões aquáticos", pela cena.

O "filtro líqüido" é construído com uma travessa de Pyrex®, ou produto similar, de tamanho suficiente para cobrir todo o facho da fonte de luz utilizada. A travessa é abastecida com pouca água (1 a 2 cm de profundidade) e totalmente coberta por uma lâmina de vidro temperado (para resistir ao calor da luminária), vedando-se o conjunto com cola de silicone.

O dispositivo com a travessa será pendurado na vara de luz em um "balancinho" de tal modo que fique imediatamente abaixo do refletor destacado para o efeito, afinado "de pino" (Fig. 1).

Fig. 1

O "balancinho" é acionado da coxia por um sistema de cordinhas e roldanas de secador de roupas, para a agitação da água. O tamanho da área "inundada" determinará o número de dispositivos necessários, mas todos os "balancinhos" podem ser interligados e operados por apenas um contra-regra (Fig. 2).

Fig. 2

O efeito só se completa com uma máquina de fumaça, que "materializa" o raio luminoso, e ainda a aplicação de gelatina à fonte de luz. A cor dependerá de gosto e adequação à obra, mas um azul "Mist Blue" (Rosco® ou Lee®, nº 61) funciona na maioria dos casos.


Aurélio de Simoni
Iluminador

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