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ARQUIVOS X-MEN: CAPITÃO BRETANHA
O ano era 1981 e as coisas não iam muito bem para o maior herói
da Inglaterra. Criado pela Marvel UK, a divisão inglesa
da editora Marvel Comics, o Capitão Bretanha era
um personagem menor e sem grande originalidade, que tivera sua série
regular cancelada devido ao pouco interesse do público. Após
amargar alguns anos como coadjuvante em aventuras de outros personagens,
o mais inglês dos super-heróis recebeu outra chance de brilhar
sozinho quando ganhou uma nova série de aventuras próprias,
dentro da revista Marvel Super Heroes.
Roteirizada pelo escritor de ficção científica,
Dave Thorpe, a nova série do herói seria o primeiro
trabalho profissional do desenhista Alan Davis (X-Men, Clandestino,
JLA: The Nail). Juntos, Davis e Thorpe deram um novo
rumo ao herói e começaram a atrair novamente a atenção
dos leitores, contando as aventuras do Capitão Bretanha
numa realidade alternativa onde os super-heróis foram chacinados
pelo próprio governo. Porém, quando Thorpe resolveu
abandonar a série após alguns números, o editor Paul
Neary deu um golpe de mestre, convidando para a posição
de novo roteirista um jovem inglês que já vinha chamando
a atenção da crítica em revistas como a 2000 A.D.,
chamado Alan Moore. Ele deu um rumo totalmente novo à série
logo nas cinco primeiras páginas que escreveu, abandonando o tom
ligeiramente jocoso adotado por Thorpe e partindo para aventuras
mais sérias e inovadoras.
Atormentado pelos mistérios que envolvem sua origem, Brian
Braddock (a identidade civil do Capitão Bretanha) descobre
que existem várias realidades paralelas à que vive, onde
atuam centenas de Capitães Bretanha diferentes. Para piorar
as coisas, um indestrutível e descontrolado assassino interdimensional
começa a eliminar todos os super-seres, em todas as dimensões
imagináveis, em busca de uma vítima muito especial. Esse
poderoso ser, chamado A Fúria, já matou com facilidade
o super-herói atômico Miracleman e agora tem em sua
mira o próprio Capitão Bretanha!
Publicada no Brasil pela Pandora Books em uma minissérie
de quatro partes que, apesar de longos atrasos e ameaças de cancelamento
que deixariam a minissérie incompleta, esta que é sem dúvida
uma das melhores séries de super-heróis já criadas!
Ela apresenta as histórias que impulsionaram a carreira de Alan
Moore e Alan Davis, transformando-os em dois dos nomes mais
importantes dos quadrinhos modernos. Nesta premiada saga, considerada
pela crítica e pelo público como uma das melhores e mais
criativas aventuras de super-heróis de todos os tempos, são
apresentados vários dos elementos e conceitos que depois seriam
de grande importância dentro do universo dos X-Men. E, mesmo
após vinte anos, a saga do Capitão Bretanha supera
em qualidade a maioria das histórias de super-heróis produzidas
atualmente.
N do T.: As histórias foram publicadas originalmente no
início da década de oitenta, quando Alan Moore e
Alan Davis ainda estavam experimentando suas habilidades. Muitos
leitores brasileiros podem ter achado a série um tanto batida,
principalmente pelo fato de que muito de seus conceitos terem sido aproveitados
exaustivamente pelos inúmeros escritores (inclusive por Alan
Davis, em Excalibur) da franquia X-men que precederam
Claremont e Byrne ao longo dos anos, e por essas histórias
terem sido apresentadas para os leitores tupiniquins antes da série
escrita por Moore.
Isso é uma injustiça contra o trabalho de Moore e
Davis. Embora inspirado no melhor trabalho dos X-Men de todos os
tempos - o da já citada dupla Claremont e Byrne -
Moore ainda apresentou muitos conceitos que eram totalmente inéditos
na época, conceitos estes que foram até mesmo recorrentes
em outros trabalhos importantes, como Watchmen. Também temos
que notar e as histórias tiveram seu brilho ofuscado por outros
trabalhos de Moore publicados na mesma época, como Miracleman.
Até mesmo Davis, reconhecidamente um dos melhores desenhistas
da atualidade, escorregava em muitos erros de anatomia e perspectiva,
o que é compreensível para um aspirante a desenhista, mas
nada que prejudicasse o acompanhamento da série.
Posso afirmar que é realmente muito recompensador poder finalmente
ver todo um trabalho de início de carreira de dois pesos pesados
dos quadrinho modernos. Quem quiser ler Arquivos X-Men: Capitão
Bretanha, mesmo que por curiosidade, não irá decepcionar-se.
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