QUADRINHOS - OBRAS



A SMALL KILLING (UM PEQUENO ASSASSINATO)

Por Jason Louv ([email protected])
01 de Julho de 1999

A “ovelha negra” dos trabalhos de Moore é merecedora de uma nova leitura.

A Small Killing é um daqueles estranhos trabalhos de Alan Moore (como Lost Girls) que parece desafiar qualquer categorização simples; não é uma HQ de super-herói, nem um trabalho de horror, ou uma de sua inúmeras investigações em magia e ciências ocultas. Esta graphic novel da Dark Horse, lançada em 1991, apresenta mais uma semelhança com The Birth Caul que qualquer outra, e é quase como um protótipo desse trabalho.

Superficialmente, A Small Killing fala sobre um jovem executivo britânico chamado Timothy Hole, que está se preparando para lança no mercado o Flite, um desses inoportunos refrigerantes de lima-limão para o recém-aberto bloco soviético. Timothy é um desses tipos insensíveis e inescrupulosos que todo homem de negócio aparenta ser: ele é explorador, manipulador e misoginista, ele deixou para trás seus juvenis valores de anti-consumismo e dignidade artística para trabalhar na Madison Avenue. Timothy Hole é provavelmente o mais desagradável protagonista criado por Moore desde Dr. Gull e Rorschach, and sua moral repugnante não é baseado nas evidentes psicoses e violências dessas personagens.

Sob a superfície insensível, ele tem a mãe de todas as crises de existência na figura de um garoto pré-adolescente com um pouco mais que uma passageira semelhança com Timothy, que o está seguindo de perto com a intenção de matá-lo. Timothy foge de seu pequeno assassino durante toda a história, procurando em sua vida uma razão pela qual o garoto poderia querer matá-lo, enquanto ele se distancia cada vez mais de seu atual sucesso e retorna aos subúrbios e lembranças do início de sua vida. O fim, no qual ele confronta seu caçador, é lindo e terrivelmente cataclísmico. Se, finalmente, você perceber o que realmente está acontecendo, as implicações serão impressionantes.

A Small Killing é um dos trabalhos mais maduros e interessantes saído da mente de Alan Moore - é tão meticuloso quanto Watchmen e tão intensamente íntimo quanto The Birth Caul, com uma simplicidade e elegância de realização que não é evidente em nenhum outro trabalho seu. Tem-se a impressão que Alan Moore está, neste livro, segurando um espelho de si mesmo, que Timothy Hole é quem ele imagina que poderia ter se tornado se não estivesse comprometido com sua própria visão pessoal e identidade de classe operária britânica.

Como uma enorme encadernação com a maravilhosa arte pintada de Oscar Zarate (de Freud for Beginners fame), ela realmente merece o título de graphic novel; se tivesse sido publicado como um romance totalmente escrito, é bem provável que poderia ter produzido gigantescas ondas de choque através da elite literária e feito de Moore um escritor em evidência novamente. Do modo que está, parece ter sido ignorada pelo público consumidor de quadrinhos, Lida apenas pela maioria dos fãs de Moore. Com o selo VG Graphics, da Dark Horse, (que também publicou Signal to Noise de Neil Gaiman) abandonado quase imediatamente após seu lançamento, A Small Killing não foi mais reimpressa desde então. Isso é uma vergonha; esse livro é merecedor de muito mais atenção do que ele já teve até agora.


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