Não quero te perder...
parte 4
Os cavaleiros estavam reunidos na grande mesa de jantar. Esta estava farta. Seiya como sempre estava esfomeado e pronto para atacar a comida. Shiryu apenas olhava esperando Saori dizer a hora de se servir...Enquanto Shun apenas olhava para fora da janela, e sempre forçava um sorriso quando alguém lhe dirigia a palavra. Hyoga estava muito preocupado com Shun, e constantemente prendia seu olhar no cavaleiro de Andrômeda.
“Que deus nos abençoe...” - Disse Saori, anunciando que já podiam começar a comer.
“Hum!!!!Isso aqui ta uma delicia! Isso aqui tb... E isso....nham...” - Seiya falava de boca cheia enquanto comia feito um louco.
“Cuidado para não se engasgar, Seiya...” - Disse Shiryu calmamente enquanto bebia vinho.
Shun virou para os amigos e soltou um sorriso verdadeiro. Não ia adiantar ficar deprimido. Pelo menos agora, ele deveria esquecer sua briga com seu irmão e se distrair. Porem seu sorriso foi se desmanchando quando sua visão ficou turva. E ele enxergou uma menina de cabelos escuros o olhando, logo depois viu Athena sendo morta e o sangue dela espirrando em seu rosto. Ele soltou um grito de terror. Todos na mesa o olharam.
“Shun? SHUN! Pq gritou?!” - Disse Hyoga pela primeira vez. “Shun! Está me ouvindo?!” num ímpeto de tirar seu “amigo” daquele olhar de terror, o cavaleiro de cisne balançou Shun pelos ombros.
“Hyoga?!” - Disse Shun num sussurro, e olhou ao redor. Percebeu os olhares em cima dele. E ficou levemente envergonhado.
“Shun... vc está bem cara?!” –perguntou Seiya.
“Hai...Acho que estou um pouco cansado. Com sua licença...” - Ele olhou para Athena, que prontamente acenou com a cabeça numa permissão.
Shun subia as escadas, lembrando as visões
que tinha tido. Era tudo tão estranho. Não tinha com quem conversar...Queria
tanto conversar com seu irmão sobre isso...Mas com certeza ele o odiava agora.
Olhou para a porta do quarto do cavaleiro de Fênix. Soltou um suspiro.
"Nee-san..." - Disse num sussurro triste, empurrou a porta e entrou. Logo sentiu
o cheiro que já estava desaparecendo. Ikki tinha um cheiro um tanto
peculiar...Ele tinha cheiro de Líris...Uma flor que inspira coragem e segurança.
Shun se sentia seguro ao lado do irmão. Lentamente o garoto de cabelos
esverdeados andou até a cama vazia de seu irmão, e se deitou nela, dormindo ao
redor daquela segurança que emanava do quarto.
Hyoga resolveu subir e pelo menos checar se Shun estava bem. Subiu as escadas correndo e olhou o quarto do cavaleiro de Andrômeda. Abriu a porta e olhou pela fresta. Ninguém. Onde ele estaria?
Fechou a porta e escutou um barulho no quarto ao lado. Ficou surpreso. Aquele era o quarto de Ikki, será que shun estava lá? Lentamente abriu a porta do quarto. Seus olhos lentamente foram se acostumando com a escuridão, a luz da lua banhou o quarto, mostrando o corpo do cavaleiro de Andrômeda deitado na cama. Hyoga sentiu suas pernas falharem. Lá estava Shun, Lindo. Uma expressão calma em sua bela face.
“Nee-san” – Shun sussurrou dormindo.
Hyoga se aproximou de Shun e ficou olhando-o. O cavaleiro de Cisne viu a expressão desesperada tomar conta do rosto de Shun.
“Saori-san!!!!” - Ele disse num tom angustiado. Shun estava sentado, mas parecia estar dormindo ainda, suas mãos estavam parcialmente levantadas, como se em seus sonhos ele estivesse as olhando. “IIIIIIIIEEEEEEEEEEE” - Ele gritou e o cavaleiro de Cisne o sacudiu pelos ombros.
“Shun....” – Ele chamou.
“Ikki? Ah... É vc Hyoga...”
“Sim... Está tudo bem com vc?!”
“Iie...Por favor...Me abraça”
O Cavaleiro de cisne abraçou Shun, e fez leves carinhos em seus cabelos para acalma-lo.
“Está tudo bem, Shun... Vc pode me dizer o que está acontecendo com vc?!?”
“Eu...Estou tendo sonhos estranhos...”
“Que tipo de sonhos?!”
“Eu não sei... Eu vejo uma garota...E pareço
estar no meu berço...Quando era criança...Antes dela aparecer, meu irmão que
está me olhando...Depois...Eu vejo Saori-san ser morta...E o sangue dela está
nas minhas mãos...”
“ A quanto tempo vc tem esse sonho?”
“Um pouco antes de meu irmão ir embora... Eu
ia contar para ele... Mas tudo isso aconteceu...”
“Entendo...Shun...Eu não vou dizer para vc não se preocupar...Pq como é um
cavaleiro...Isso pode ser uma premonição...”
“Entendo...Mesmo assim...Obrigado...”
“Não precisa agradecer...É bom estar aqui com vc...” – Disse Hyoga cheirando os
cabelos de Shun.
“O que vc disse?” – Shun ficou espantado e suas bochechas ficaram vermelhas.
“Eu...” – Hyoga ficou vermelho. Estava com
vergonha. Meu deus! Ele tinha dito!
“Hyoga...Por favor... repita...” – Havia uma certa urgência na voz de Shun. E
Hyoga começou a entender.
“É bom estar ao seu lado...” – Hyoga aproximou o rosto da orelha de Shun e disse baixinho em seu ouvido. “Eu te amo...”
Shun sentiu um arrepio na coluna. Olhou nos olhos de Hyoga. “Eu tb te amo...”.
Os dois se encararam por um longo tempo. E não se sabe quem começou. Sem se darem conta os dois já estavam se beijando com fervor.
Shun lentamente lembrou onde estava. Estava no quarto de seu irmão!Não poderia fazer isso ali!
“Hyoga...Vamos sair daqui...” – Disse Shun ofegante, parando o beijo.
“huh?”
“Aqui é o quarto do meu irmão... Está
errado... E...Estamos indo rápido demais...” – Disse ele apontando para as mãos
de Hyoga, que estava quase tocando seu membro.
“Me desculpe... Vc tem razão...” – Disse Hyoga sem graça, enquanto tirava sua
mão boba de onde estava e se levantava. Ao se levantar Hyoga sentiu braços ao
seu redor e um vento quente em sua nuca.
“Não fique assim...Eu te amo...E nada vai mudar isso...” – Shun beijou o pescoço de Hyoga, e quando esse virou o rosto eles trocaram um profundo e longo beijo.
”Vamos pros nossos quartos...” – Disse Hyoga. Estava muito excitado, mas tinha
que respeitar o outro.
Os dois saíram do quarto de Ikki, e foram para seus respectivos quartos,
trocaram um ultimo beijo para se despedirem. Shun entrou em seu quarto e sorriu.
Pelo menos alguma coisa estava dando certo. Com um belo sorriso no rosto ele
dormiu e não teve pesadelos.
Hyoga adentrou o quarto. Deitou na cama e respirou fundo. O cavaleiro de Andrômeda mexia com ele. Como mexia. Respirou fundo e foi tentar dormir.