No segundo dia de Copa, houveram três jogos. Um do grupo A, mesmo de França e Senegal, e dois do E, composto por Camarões, Alemanha, Irlanda e Arábia Saudita. O primeiro dos jogos foi dos africanos contra os irlandeses. Depois do surpreendente resultado do jogo de Senegal, parece que Camarões estava ainda mais motivado para a partida. E, de tanto pressionar a seleção adversária, eles marcaram o primeiro gol, num lance onde o goleiro ficou totalmente desorientado, deixando o gol vazio. No intervalo de jogo, o técnico irlandês deu uma dura no time, forçando-o a reverter o resultado. Foi o que quase aconteceu. Não chegou a ser uma reversão no placar, mas, depois de marcar com Holland aos 7 min., a Irlanda passou a dominar o jogo e mandar bolas na trave. A virada só não veio porque Camarões parou de jogar só nos contra-ataques e passou a pressionar de verdade no fim do jogo. No final, esse 1 a 1 não agradou nem um pouco o técnico camaronês. Meia hora depois, começava o duelo de Uruguai e Dinamarca. O nosso vizinho estava a doze anos sem disputar a Copa e ainda guarda más recordações do seu adversário: a maior goleada sofrida pelos uruguaios em Copas foi para esse time. Além disso, o Uruguai não vence uma seleção européia em mundiais já há cerca de vinte anos. Mas quem saiu na frente foram eles, os dinamarqueses. Só que, depois, o Uruguai mostrou um excelente futebol no lance do gol de empate, já no segundo tempo, feito pelo atacante Rodriguez. Infelizmente, porém, o dia não era para um país sul-americano. A Dinamarca tratou logo de marcar seu segundo gol, que era também o segundo de Tomasson. Terminou assim. O Uruguai terá agora de provar jogar mais bola que a França (para ela, idem), porque quem perde duas já está matematicamente fora. E o último jogo de hoje, esse sim, foi ruim para o locutor (de tanto gritar "gol"). Na partida da Alemanha contra a Arábia (um tricampeão contra outro que nunca foi muito longe em Copas), é óbvio que o primeiro país mencionado era o favorito, mas não pensava-se que seria um jogo tão fácil. Afinal, os alemães só chegaram à Copa disputando a repescagem contra a Ucrânia e essa geração de jogadores é muito velha e não tem muita habilidade individual ou de toque. Só que bastaram um time de zagueiros ingênuos, um goleiro sempre mal-colocado e lançamentos e cruzamentos precisos para o atque para que um placar histórico ocorrese. Só Klose, atacante do time, marcou três e assumiu a liderança na corrida pela artilharia. Três a zero já seria goleada (ainda mais sabendo-se que nos três jogos anteriores apenas um ou nenhum gol separou uma equipe de outra no placar), mas não foi apenas Klose quem marcou. No final foram 4 a 0 no primeiro tempo e o mesmo placar no outro. Na soma, temos um 8 a o memorável, pois o único placar mais expressivo que esse em Copas foi Hungria 10 X 1 El Salvador, em 54. Detalhe: 6 gols foram de cabeça. Três deles no mesmo lugar, do mesmo modo. Se o goleiro saísse para pegar essas bolas de cruzamento ou se os zagueiros fossem mais atentos, o resultado ia ser três, quatro, cinco gols evitados. |