Pol�micas em T�tulos
Neste artigo, o autor de "Acertando as Contas" discute sobre quem s�o os verdadeiros campe�es de v�rios torneios controversos ao redor do mundo, citando aquele bem-conhecido exemplo do t�tulo Mundial da FIFA, acendendo a discuss�o entre s�o-paulinos e corinthianos (note que o documento j� � bem velho, datando de 2001). No final, tomei a liberdade de fazer um julgamento de bom-senso e definitivo entre chaves:
"No pr�ximo dia 28, Boca Juniors e La Coru�a inauguram o segundo campeonato mundial de clubes organizado pela FIFA. Como todos sabem, raz�es financeiras ligadas � fal�ncia da empresa de marketing ISL provocaram o adiamento da competi��o para 2003 [como vimos depois, a competi��o foi re-adiada para 2005]. Esse adiamento, por outro lado, vem a fortalecer a pol�mica estabelecida na primeira edi��o entre corintianos radicais que se julgam os �nicos campe�es mundiais 'leg�timos' da hist�ria e seus advers�rios (especialmente s�o-paulinos e santistas) que defendem o valor do Campeonato Mundial de T�quio. Em meio a essa pol�mica surgem at� torcedores do Palmeiras e Fluminense reivindicando seus 't�tulos mundiais' das Copas Rio de 1951 e 52, respectivamente.

Discuss�es semelhantes ocorrem acerca dos Campeonatos Brasileiros, com torcedores do Flamengo e do Sport reivindicando eternamente o t�tulo de 1987 para seus times e alguns torcedores n�o-vasca�nos alegando que a temporada 2000 n�o possui um campe�o oficial. H� ainda outros bate-bocas de natureza similar, como o que acontece entre os que julgam que o verdadeiro campe�o sul-americano seja o vencedor da Ta�a Libertadores e os que defendem que tal t�tulo seja atribu�do ao campe�o da Copa Mercosul.

Diversos argumentos s�o apresentados em defesa das v�rias teses. Desses argumentos e da premissa de que qualquer crit�rio utilizado deve ser minimamente coerente, pode-se inferir um crit�rio �nico e definitivo que determine quem s�o os verdadeiros campe�es mundiais, brasileiros, sul-americanos ou de qualquer outro �mbito que esteja envolto em pol�micas.

O argumento mais comum de que se valem os corintianos � o fato de seu t�tulo ser o �nico a receber o 'carimbo' de oficialidade da FIFA. Nesse caso, se for adotado como crit�rio o 'carimbo' de oficialidade, ent�o tamb�m se deve considerar o Sport como o Campe�o Brasileiro de 1987 e ningu�m como campe�o de 2000, pois Flamengo e Vasco foram campe�es apenas das Copas Uni�o e Jo�o Havelange, as quais n�o possu�am o 'carimbo de oficialidade' da CBF. E, embora o senso popular ainda seja muito dividido entre Flamengo e Sport a respeiro de 87, � un�nime a aceita��o do Vasco como o 'leg�timo' Campe�o Brasileiro de 2000. Logo, CAI POR TERRA O ARGUMENTO DO 'CARIMBO DE OFICIALIDADE'.

Por outro lado, um argumento comumente utilizado por anti-corintianos que querem diminuir o Mundial da FIFA e invocado por palmeirenses e tricolores cariocas que buscam valorizar suas conquistas � o da 'for�a dos advers�rios'. Dizem, os alviverdes,  por exemplo, que enquanto o Corinthians enfrentou apenas 'times da Ar�bia', o Palmeiras venceu 'grandes times da Europa'. A esse tipo de argumento se apegam tamb�m os apoiadores da Copa Mercosul como o 'verdadeiro' Campeonato Sul-Americano (pois seu campe�o enfrenta 'os grandes times do continente', n�o os 'timecos da Venezuela que disputam a Libertadores')e os defensores do Flamengo de 1987 (que enfrentou 'times da primeira divis�o', enquanto o Sport jogou contra 'times da segunona').

Para analisar esse tipo de argumento, � necess�rio, antes de mais nada, se perguntar, por exemplo: 'O que define um Campe�o Mundial?'. A resposta � clara: o 'Campe�o Mundial' (ou seja, o melhor time do mundo) � aquele que, direta ou indiretamente, superou TODAS as demais equipes do planeta. Se os campeonatos nacionais e continentais forem percebidos (como devem ser) como fases preliminares classificat�rias do Campeonato Mundial, ent�o n�o h� porque contestar a legitimidade da conquista do Corinthians em 2000. Um anti-corintiano pode dizer, por exemplo, que um torneio de que o South Melbourne participou e o River Plate n�o, n�o pode ser chamado de 'Campeonato Mundial'. Entretanto, 'esse torneio de que o S. Melbourne participou e o River ficou de fora' � apenas um 'octogonal final' de uma competi��o que reuniu em suas 'fases preliminares' TODAS as equipes do mundo: se o SM participou, foi por ter sido vencedor de sua 'fase preliminar' (a Copa da Oceania) e se o River Plate n�o disputou o torneio foi por ter sido previamente eliminado em sua fase preliminar, a Ta�a Libertadores [espera ai... E O CORINTHIANS TAMB�M N�O?].

A mesma l�gica pode ser aplicada ao Mundial de T�quio, que confronta direta ou indiretamente TODOS os times da Am�rica do Sul e da Europa. Dada a incipi�ncia do futebol nos outros continentes, a restri��o da disputa a apenas Am�rica do Sul e Europa n�o chega a ser um obst�culo � aplica��o dessa l�gica.

A aplica��o dessa l�gica na Copa Rio, por outro lado, indefere facilmente a reivindica��o de palmeirenses e tricolores cariocas. As duas edi��es da Copa Rio foram disputadas por oito equipes: al�m dos campe�es paulista e carioca, disputaram os campe�es nacionais de �ustria, Fran�a, It�lia, Iugosl�via, Portugal e Uruguai e em 1952 os campe�es de Alemanha, �ustria, Portugal, Paraguai, Su��a e Uruguai. � f�cil perceber que as aus�ncias do campe�o italiano em 52 e do alem�o em 51, assim como as aus�ncia dos campe�es de Hungria (que era uma grande pot�ncia na �poca), Argentina, Espanha e Inglaterra (que sempre tiveram equipes fortes), Col�mbia, Chile, Esc�cia, Peru, Holanda, etc. em ambos os anos enfraquecem decisivamente a 'amplitude' da competi��o. Assim, Palmeiras e Fluminense podem se considerar, no m�ximo, 'Campe�es dos Sete Pa�ses', nunca 'Campe�es do Mundo', pois a Copa Rio em nenhum momento promoveu  confronto direto ou indireto entre todos os times do mundo.

Na Copa Mercosul, em nenhum momento os times de Bol�via, Peru, Equador, Col�mbia e Venezuela tomam parte da disputa. Al�m disso, a competi��o n�o promove direta ou indiretamente o confronto entre TODOS os times do continente, pois a grande maioria de suas vagas � preenchifa por 'convites', o que, al�m de marginalizar dezenas de equipes, ainda leva a absurdos como a exclus�o do vice-campe�o brasileiro (S�o Caetano), enquanto o vig�simo-oitavo colocado (Corinthians) teve sua participa��o assegurada. Assim, o vencedor da 'Copa Mercosul' �, no m�ximo, um 'campe�o dos cinco pa�ses' e jamais ser� o 'Campe�o da Am�rica do Sul'.

continua...
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