| Mais um problema que essa estrutura causar�: hoje em dia a maioria dos Campeonatos Estaduais das regi�es Norte, Nordeste e Centro-Oeste � concebida para durar nove, dez meses, pois com excess�o dos um ou dois times de cada estado que disputam as s�ries B e C do Campeonato Brasileiro, o estadual � a �nica competi��o que os times desses estados t�m para disputar em todo o ano. O (Super)Campeonato Sergipano, por exemplo, ser� disputado pelos tr�s tr�s melhores times do Estado na Copa Nordeste (que ali�s s� � disputada por Sergipe e Confian�a; o terceiro sairia de onde?) mais o Campe�o da Seletiva. Asssim, ou a Seletiva ser� obrigada a acabar na mesma �poca do Nordest�o, para que o SuperCampeonato seja disputado logo em seguida, obrigando todos os n-1 times eliminados a passarem o resto do ano parados; ou os tr�s times oriundos do Nordest�o � que ficar�o meses parados esperando o final da seletiva! De uma forma ou de outra, haver� times parados meses a fio... Crit�rios 'Outra preocupa��o foi tornar as competi��es um vi�s de acesso para outros torneios. Os estaduais s�o classificat�rios para a Copa do Brasil e os regionais do ano seguinte; estes, por sua vez, d�o vaga � Copa dos Campe�es, que segue premiando seu vencedor com uma vaga na Copa Libertadores, assim como o Campeonato Brasileiro.' Esse talvez seja o maior m�rito de todo o conte�do do calend�rio. At� que enfim algu�m percebeu que o grande problema dos campeonatos atuais � eles serem ilhados e que � necess�rio haver v�nculos classificat�rios entre eles! 'Apesar de ainda n�o estar oficializado, o novo calend�rio estabele que a organiza��o dos torneios ficar� a cargo das ligas de clubes e da CBF. De acordo com o documento, os torneios ser�o regulamentados por ligas regionais (que ser�o criadas) e a confedera��o. J� a Copa dos Campe�es e o Brasileiro ser�o regidos pela CBF e por uma Liga Nacional.' Perigo � vista! A Lei Pel� permite que quaisquer clubes se juntem em ligas e, conseq�entemente, permite que os times decidam quem vai ou n�o disputar ou n�o cada campeonato, ignorando solenemente as leis de acesso e descenso (como o Clube dos 13 vem fazendo no Campeonato Brasileiro)! � a virada de mesa institucionalizada! 'Outro aspecto que merece elogios: o fato de as competi��es ficarem, em tese, mais rent�veis, uma vez que privilegiar�o os clubes com mais apelo e melhor n�vel t�cnico.' Outro aspecto que merece coment�rios: a insist�ncia em enxergar o futebol como atividade financeira e n�o como atividade esportiva que �. N�o tem sentido privilegiar esse ou aquele clube. A �nica postura correta � tratar rigorosamente todos os clubes com absoluta igualdade. Basta lembrar que a estrutura aplicada na It�lia, na Espanha, na Inglaterra (e em praticamente todos os p�ises da Europa) e que � freq�entemente usada como exemplo de estrutura que o Brasil deveria adotar, trata de forma equivalente desde os grandes times da primeira divis�o at� as equipes semi-amadoras das divis�es mais baixas. 'Os caminhos para a competi��o continental come�am nos torneios regionais - no caso do Rio-S�o Paulo, os seis primeiros v�o para a Copa dos Campe�es - e terminam na Copa do Brasil. Com 16 equipes na Copa dos Campe�es, uma das vagas para a Copa Libertadores ficar� mais concorrida. No segundo semestre, a �nica chance ser� no Brasileir�o.' Mais uma vez os cartolas se esqueceram das super-posi��es. Ainda n�o foram providenciadas respostas para potenciais perguntas do tipo: "Se o mesmo time for campe�o da Copa do Brasil e da Copa dos Campe�es, quem ganha vaga para a Libertadores?' 'Para o presidente do Clube dos Treze, F�bio Koff, s�o os aspectos mais importantes a maneira racional como os jogos foram distribu�dos e a clareza dos crit�rios.' Clareza de crit�rios? Uma leitura superficial desta coluna � suficiente para mostrar que alguns crit�rios s�o t�o claros quanto um barril de piche... � evidente, por tudo o que j� foi escrito nesta s�rie (e especialmente nesta coluna), que esse calend�rio quadrienal tem diversos pontos critic�veis e que est� longe de ser o calend�rio dos sonhos de qualquer brasileiro. N�o se pode negar, por�m, que � uma iniciativa in�dita e que, bem ou mal, tem seus m�ritos. Por isso, embora aponte muitos aspectos negativos (como a manuten��o das vagas para convidados na Copa do Brasil, por exemplo) e manifeste expressa discord�ncia quanto � estrutura idealizada, esta coluna ap�ia e torce pelo sucesso desse calend�rio." * Erros gramaticais do artigo n�o s�o corrigidos, a menos que extremamente necess�rio. |