Oito e meia da manhã começou a segunda atuação do Brasil pela Copa. Esse é de longe o mais fácil dos adversários nessa fase, sendo mais um jogo-treino para que o time pegue embalo para os próximos confrontos. Nos primeiros cinco minutos os chineses até assustaram, mas, mesmo com uma zaga tão ruim, não levamos gols. O Brasil não tinha dado praticamente um chute a gol, quando Roberto Carlos bateu uma falta com seu precioso pé esquerdo e ela foi reta no ângulo. Era, além do impulso necessário para mais gols, o fim de um jejum de oito anos sem gols de bola parada (lembra o golaço de Branco naquela partida contra a Holanda? Pois é, esse tinha sido o último). Algum tempo depois, Ronaldinho Gaúcho faz ótima jogada pela esquerda e dá no pé de Rivaldo: o segundo gol do jogador na Copa. Lá pelos 30, o mesmo Ronaldinho sofre falta na entrada da área, puxado pela camisa. O árbitro sueco achou ter sido uma simulação do atacante e ele recebeu cartão amarelo. Mas, depois, num lance incrível de Ronaldo (o outro), quando estava prestes a fazer o gol, os zagueiros adversários fizeram um pênalti (verdadeiro) e o juiz finalmente consentiu. R. Gaúcho foi para a cobrança e bateu bem, longe do alcance do goleiro. Assim terminou a primeira parte do confronto, 3 a 0. O técnico Bora Milutnovic nunca tinha sofrido derrota como essa para a seleção (já tinha levado duas vezes 1 a 0 em mundiais), mas ele sabia que o placar poderia ficar mais favorável ainda pro Brasil. Mesmo sabendo que já estava derrotado, só queria que sua equipe fizesse um gol na nossa seleção. Para isso, colocou um time mais ofensivo para atuar depois do intervalo. Estava quase certo que ia passar dos 5 ou 6, pois nós fizemos mais um com Ronaldo logo no início. Só que Felipão fez substituições exóticas, como de praxe. Tirou Ronaldo para a entrada de Edílson e Juninho Paulista para que Denílson jogasse. Mas ele não foi feliz. Denílson acabou sendo um dos piores em campo (afinal seus dribles são necessários em jogos duros, não nesse aqui). Além disso, Ricardinho também entrou e trabalhou muito bem para alguém que viajou 50 horas de avião a pouco e ainda nem treinou direito com os outros jogadores. Fim de jogo, dando só Brasil na cabeça? Nem tanto, pois no final a China meteu uma bola na trave e cobrou uma falta muito bem, aproveitando a defesa defeituosa do Brasil. Qual foi o destaque? Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo ou Roberto? Está mais para o Roberto Carlos, que além de ter feito o primeiro gol, ainda fez cruzamentos de extrema precisaão e executou roubadas de bola incríveis. Mas, não esqueçamos de um outro jogador, meio ofuscado ultimamente (e que não começa com R): Cafu. Depois de vários jogos de péssima atuação, ele fez de tudo um pouco. Quase marcou o segundo gol brasileiro e ainda deu o passe para o Ronaldo fazer o último deles. Não pense, no entanto, que com 6 pontos a classificação do Brasil está 100% garantida (se bem que perder a vaga é tão difícil quanto a França ganhar a sua). Acontece que, se a Turquia ganhar o jogo de amanhã contra a Costa Rica, qualquer um dos dois (na verdade até mesmo a China) terão chances de se classificar, o que significa que todos brigam pelas duas vagas, portanto há meras possibilidades de cairmos fora... Mudando o grupo, estamos agora no B. A África do Sul bateu a Eslovênia (já fora) por 1 a 0, num joguinho sem graça. É de se convir que é bem difícil que um estreante em Copas pudesse ir muito longe numa chave como esta. E bom pra África, que chegou a sua primeira vitória em Copas desde sua primeira participação, com um gol hilário: o sul-africano queria fazer de cabeça, mas a bola pegou na coxa e entrou. Pelo G, tivemos a volta da Croácia como aquela de 98: o time recuperou a auto-estima após vencer a Itália. Os "azurros" vinham de grande jogo contra o Equador e esse era pra ser um jogo fácil. Mas Vieri diz que os italianos ganharam, pois dois gols deles foram anulados (só um foi anulado erradamente). Agora é tarde, o jogo acabou e a situação da Itália só não é mais preta que a da França. O México vai enfrentar o Equador e poderá fazer 6 pontos, enquanto que a Croácia, com seus 3, não quer ficar para trás. |