
BLOWING THE WHISTLE
de Toni Schumacher. Tradução de Chris Morris. Star, 214 páginas.
Admirado por uns e criticado por outros devido a seu estilo muito agressivo de jogar futebol, o goleiro número um da Alemanha nos anos 80, Harald Anton Schumacher (apelidado de Toni por causa de seu segundo nome), que se tornou célebre pelo fato de ter se chocado violentamente com Patrick Battiston durante a semifinal contra a França na Copa de 82, decidiu retratar a dura realidade do futebol europeu por trás dos bastidores. “Criticarei tanto os jogadores quanto os técnicos, dirigentes e clubes. Não se trata de uma tarefa de demolição indiscriminada. Eu não quero colocar nenhuma instituição abaixo ou culpar algum jogador ou dirigente. Meu objetivo é simplesmente estimular as pessoas a pensar sobre a crise, as oportunidades e os desafios característicos do esporte ao qual resolvi me consagrar de corpo e alma”, afirmou Schumacher.
Ele fala de sua severa infância como o menino nascido em bairro pobre que, a exemplo do personagem Rocky. o Lutador (interpretado por Sylvester Stallone), só com muita disciplina e força de vontade consegue finalmente ascender ao estrelato. Natural da cidade de Düren (perto de Colônia), que sofreu fortes bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, Schumacher, como qualquer outro menino, começou a jogar futebol em suas ruínas originalmente na posição de atacante, já mostrando seu estilo bem agressivo. Porém, devido à implicância da mãe, que achava que ele se desgastava demais, este aceitou atuar como goleiro, sem, no entanto, perder o arrojo característico. O treinador de Heinz Flohe (consagrado jogador do Colônia e da Seleção Alemã), Rüdiger Schmitz, que passou a acompanhar Schumacher de perto, tendo percebido o apego excessivo deste pela mãe Helga, aconselhou-o a distanciar-se um pouco de sua origem, de Düren e de sua infância, caso contrário jamais alcançaria o sucesso desejado na carreira. Para espanto inicial de Schumacher, Rüdiger Schmitz lhe falou em um tom de voz bastante firme: “Harald, no futebol profissional, não há lugar para filhinhos-da-mamãe!”
Inicialmente, a trajetória de Toni Schumacher rumo ao estrelato pode ser comparada à de Karl-Heinz Rummenigge: dificuldades para afirmar-se na posição e atuações bastante irregulares. Enquanto este em início de carreira recebeu o apelido de bonde (acrescentando-se o fato de que Rummenigge não era capaz de dar continuidade às jogadas), de 1973 a 1977 Schumacher foi apelidado de irrequieto . Não apenas uma disciplina excessiva e o aprimoramento da técnica se constituíram em grandes aliados para a ascensão de Schumacher como o goleiro número um da então Alemanha Ocidental mas, sobretudo, a sorte. No Colônia, Schumacher conquistou o seu lugar na equipe titular graças à desistência de Topalovic, em que aquele se sagrou campeão da Copa da Alemanha em 1977 vencendo o Hertha Berlin por 1 X 0.
Detalhe: Topalovic só não atuou porque tinha medo de avião! Devido a uma gravíssima contusão no joelho sofrida pelo goleiro Norbert Nigbur, favorito do técnico Jupp Derwall, o que lhe custou o fim da carreira, a consagração máxima de Schumacher veio finalmente com a Eurocopa de 1980, em que a Alemanha Ocidental venceu a Bélgica por 2 X 1 na partida decisiva em Roma, se tornando campeã do torneio, que revelou jovens craques como Bernd Schuster (que só não disputou o Mundial de 82 devido à rivalidade com o veterano Paul Breitner), Hansi Muller (que nesse mesmo Mundial de 82 foi impedido de mostrar toda a sua técnica, o que lhe valeu o apelido de brasileiro , por causa de uma séria contusão no joelho direito) e Karl-Heinz Rummenigge. Com o desfalque do titular Nigbur, Derwall se viu num enorme dilema: Franke ou Schumacher? É fundamental destacar que, no que diz respeito à Euro- 80, a imprensa desempenhou um papel muito importante na ascensão de Schumacher, pois esta, percebendo o grande talento do goleiro e o cobrindo de elogios, acabou por pressionar Jupp Derwall a escalá-lo para o time principal, no que ele consentiu após uma longa resistência.
No início dos anos 80, já como titular absoluto do Colônia e da Seleção Alemã, Schumacher presenciou cenas de racismo em relação ao jovem jogador Toni Baffoe, de 18 anos. Este, tendo percebido o seu talento para o futebol, queria se profissionalizar, mas, por ser negro, sofria fortíssimas pressões dos outros jogadores para deixar o esporte. Numa conversa com Toni Baffoe, Schumacher lhe disse: “se eu fosse negro, razão pela qual o tratam com desprezo, se eu fosse como você, a cor da minha pele seria o suficiente para me impelir a lutar para ser o melhor jogador do mundo! Não se detenha diante de nada! Mostre a eles do que você é realmente capaz!” Infelizmente, Baffoe largou o futebol, o que entristeceu Schumacher, lamentando a falta de garra do jovem companheiro.
Segundo Schumacher, o fato mais marcante da Copa de 82 foi o grave incidente com o francês Patrick Battiston, que o fez odiado em todo o mundo, lhe valendo o apelido de Monstro de Sevilha . Ele foi considerado uma espécie mini-Hitler pelos franceses por causa de seu estilo agressivo e uma aparente frieza dentro de campo. Houve quem o comparasse aos torturadores de Auchwitz alegando nele ausência de sentimentos, porém Schumacher rebateu a todas essas críticas afirmando que seu coração sempre falou mais alto do que a razão, sendo uma luta constante encontrar um meio-termo. Ele diz: “reconheço que, pela primeira vez na vida, cometi um grande ato de covardia por não ter sido capaz de acudir Patrick em campo com medo dos franceses, particularmente Trésor e Tigana. Fiquei por bastante tempo conhecido como o Monstro de Sevilha e, numa partida amistosa contra a França ocorrida em 18/04/84 na cidade de Strasbourg, precisei de uma vez por todas enfrentar a ira da multidão até domesticá-la através de boas atuações em campo. A partir desse momento, não dando a mínima importância para as vaias e hostilidades dos franceses, nunca mais se falou no caso Battiston. Embora tivéssemos perdido por 1 X 0, num chute indefensável, os franceses se sentiram magnânimos, se esquecendo desse caso, mas eu particularmente me senti vitorioso porque, assim, cessaram as perseguições ao Monstro de Sevilha !
Schumacher conta que o choque com Battiston foi, na verdade, uma estupidez e jamais um ato de vilania. Precisava convencer-se dessa idéia. O Presidente do Colônia, Peter Weiand, Rinus Michels (técnico do time na ocasião e pai do famoso Carrossel Holandês que revolucionou o futebol a partir dos anos 70) e seu melhor amigo, Rüdiger Schmitz,, fizeram-no enxergar tamanha insensatez e que o caso Battiston foi coisa do passado, indigno de ser recordado a todo momento. Depois do choque com o francês, Schumacher começou a receber telefonemas de ameaça de morte e seqüestro a seus filhos, ressaltando que, de homem alegre e favorecido pela sorte, desde então se tornou bastante circunspecto. Aconselhado por Rüdiger Schmitz a evitar qualquer assédio da imprensa, Schumacher foi ao encontro de Battiston em Metz tentar pedir-lhe desculpas muito apreensivo, pois não sabia de que forma o francês iria reagir e ambos posaram para fotos e conversaram em caráter privado, sem que os jornalistas soubessem inicialmente do fato. O próprio Battiston achou que o choque sofrido não passou mesmo de um acidente e que o goleiro deveria ignorar essa questão conforme o conselho de seus melhores amigos!
Schumacher confessa que ficou muito abalado quando o veterano Paul Breitner resolveu retornar à Seleção Alemã sob o comando do técnico Jupp Derwall (que assumiu o cargo em substituição a Helmut Schön logo após o Mundial de 1978 na Argentina). Sua personalidade forte fez com que todos o respeitassem imediatamente e o então goleiro conta que, para manter a harmonia na equipe, Rummenigge, que a partir daí se tornou o capitão e Breitner optaram por um pacto de não-agressão. Rebelde desde a juventude e marxista convicto, o veterano da Copa de 74 era capaz de desafiar ao mesmo tempo dirigentes, jornalistas, técnicos, juízes e os próprios jogadores. Embora fosse o cérebro do time, com ótimas atuações em campo, Breitner nunca foi um exemplo de boa conduta fora dos gramados, pois sempre fumou e bebeu demais, além se ser viciado em poker. “Só não se tornou um alcoólatra porque, como todo bávaro, é resistente aos efeitos da embriaguez”, ressaltou Schumacher. Jupp Derwall teceu grandes elogios a ele pouco antes do Mundial da Espanha: “o Breitner é como o vinho: quanto mais velho, melhor!”
Na verdade, o que causou profunda insegurança em Schumacher quanto ao retorno de Breitner à Seleção foi o fato de que sua posição como goleiro principal ainda não estava totalmente garantida. Ele alega que o objetivo de Derwall era se livrar de sua presença na equipe, até porque a imprensa teve um papel mais decisivo do que o próprio técnico em relação à escalação de Schumacher! Sobre o então treinador, ele diz que Jupp Derwall não passava de um mero joguete nas mãos dos jogadores e, principalmente, da Federação Alemã de Futebol. Era complacente demais quando precisava ser firme e Schumacher previa que a parceria Derwall-Rummenigge resultaria em fracasso, bem diferente da parceria Schön-Beckenbauer na Copa de 74, pois em ambos faltava o fundamental: espírito de liderança!
O jogo Alemanha Ocidental X Áustria, considerado a grande marmelada da Copa de 82, não poderia deixar de ser mencionado no livro de Schumacher.
Ele diz: “tanto nós quanto os austríacos sabíamos de que o resultado de 1 X 0 favorável aos alemães garantiria a vaga para a próxima fase, então o que realmente se viu foi um jogo de retranca praticado por ambas as partes!” Vale ressaltar que a Argélia, que logo na partida de estréia chegou a vencer a favorita Alemanha Ocidental por 2 X 1 ameaçando ser uma grande zebra nesse Mundial, acabou desclassificada.
Sobre Rummenigge, Schumacher disse que nunca o considerou um inimigo, mas, sim, o goleiro reserva Uli Stein durante a Copa do México em 1986, pois este era capaz de armar golpes baixos para tentar ascender na posição. “Acabou indo para casa mais cedo”, disse Schumacher a seu respeito, vítima de sua própria imaturidade! De Rummenigge, ele continua a declarar: “não sei por que Kalle se queixa aos jornais de que a suposta Máfia do Colônia o persegue. No Hotel Galinda Mansion, onde a delegação alemã se hospedou durante o Mundial de 1986, Rummenigge estava insuportável, à beira de um ataque de nervos, quebrando nossa precária harmonia. Ele chegou a me chamar de invejoso por achar que eu queria o seu posto de capitão na equipe, mais nunca foi verdade! Eu compreendo, por um lado, que Kalle sofria constantemente pressões de todos os tipos. Queriam exigir dele atuações impecáveis, porém, além da seriíssima contusão na coxa direita desde o Mundial da Espanha, Rummenigge já estava com 30 anos (idade perigosa para um atacante) e isso o deixou inseguro”. Schumacher acusou Beckenbauer de não ter tido, por um momento, pulso firme com Rummenigge, até que este recebeu uma grave advertência do Kaiser em caráter privado, aceitando, enfim, parar com as hostilidades. Depois, o próprio goleiro entrou em comum acordo com ele.
Sob uma atenta análise, praticamente se poderia dizer que não havia nenhuma diferença entre as rivalidades Rummenigge-Schumacher no futebol e Senna-Prost na Fórmula 1: insultos, acusações de inveja por uma das partes, guerra psicológica e ataques junto à imprensa. E, em ambos os casos, é fundamental destacar que se tratava de companheiros de equipe e não de adversários!
Franz Beckenbauer, quando assumiu o comando da Seleção Alemã em 1984, encarregou-se de dar um novo vigor à equipe e era tido como um irmão mais velho pelos jogadores. É muito natural que, na qualidade de campeão do mundo, Beckenbauer possuísse maior credibilidade junto à imprensa do que seu antecessor Jupp Derwall. Schumacher ressaltou que este sequer era temido e respeitado pelos jogadores e só veio a descobrir que seus comandados faziam o que bem queriam no Mundial da Espanha em 1982. Derwall, que chegou a ter uma certa popularidade por toda a Alemanha com a conquista da Eurocopa de 1980, acabou desprestigiado. Caberia agora a Franz Beckenbauer reerguer a Seleção rumo ao tricampeonato no México em 1986.
Sobre este Mundial, Schumacher elogiou a campanha da então famosa Dinamáquina (a Dinamarca foi assim apelidada pelo fato de ela ter triturado seus adversários), cujo técnico era um alemão: Sepp Piontek, afirmando que “esses magos do futebol nos deram uma verdadeira lição de como jogar bola!” No confronto com os dinamarqueses em 13 de junho, a Alemanha Ocidental perdeu por 2 X 0. Observando a campanha de sua equipe ao longo da Copa de 86, Beckenbauer, numa explosão de raiva, desabafou: “com esse time, nunca seremos os campeões do mundo!”
A Seleção acabou enfrentando a Argentina de Maradona e Burruchaga na fase final, perdendo por 3 X 2 devido a uma atuação medíocre e Rummenigge fora de suas condições normais de jogo.
Embora a Alemanha seja muito criticada pelo fato de possuir como maiores trunfos a velocidade e, sobretudo, a força física de seus jogadores em vez do toque de bola sutil, Schumacher continua a defender incansavelmente o futebol-força. Numa passagem do livro, ele faz comparações entre este estilo de jogo e o futebol-arte, mais característico dos brasileiros e franceses: “preferiria atuar em campo contra os ingleses, por exemplo, a ter que enfrentar aqueles latinos defensores do futebol-arte! É um a questão de temperamento!” Para derrotar a França no Mundial de 86, Schumacher disse que bastou anular seu maior astro: Michel Platini. E, a respeito dos brasileiros, o próprio Beckenbauer afirmou que seu ponto fraco estava justamente nas excessivas jogadas ensaiadas! Porém, Schumacher é bastante cauteloso em relação a comparar astros do futebol inglês como Gary Lineker à genialidade de Platini e Maradona. Ele disse que o futebol inglês não evoluiu quase nada durante todos esses anos, pois sua principal arma continua sendo as jogadas aéreas. O único jogador que Schumacher destacou como exemplo de grande garra foi Kevin Keegan. Sobre o futebol alemão, o ex-goleiro ressaltou que Littbarski, Allofs e Rummenigge davam uma maior importância ao toque de bola em vez de apenas à velocidade e força física.
Schumacher criticou o fato de jogadores e jornalistas alemães terem se hospedado no mesmo hotel durante o Mundial do México, pois isto ajudou a quebrar a precária tranqüilidade que existia no seio da Delegação. O ex-goleiro considera que há bons e maus jornalistas. Enquanto uns fazem questão de cobrir determinado jogador de elogios, outros pretendem denegrir a sua imagem (Schumacher ficou mal visto pela imprensa dentro da própria Alemanha depois do choque com Patrick Battiston). O maior problema da imprensa alemã na Copa do México foi ter identificado o Mundial com apenas um único jogador: Rummenigge. “É como ele estivesse fazendo o papel de Sigfried”, disse o ex-goleiro. Os jornais alemães, segundo Schumacher, têm o péssimo costume de contratar antigos jogadores para ocupar uma função que não lhes caberia exercer de direito, ou seja, escrever algumas linhas sobre futebol. “A imprensa adora ver jogadores atirar farpas uns nos outros, caso contrário, não permitiria a sua contratação para este ou aquele jornal!”, desabafou Schumacher.
O maior goleiro dos anos 80 acha que, para uma retirada de longa duração, seria necessário contratar uma garota de programa de acordo com as preferências dos jogadores, pois, segundo ele, ninguém é monge para reprimir o seu desejo sexual e criticou o fato de Rummenigge ter levado a esposa e os filhos para o Mundial do México.
Schumacher disse que é muito natural e freqüente o uso de drogas estimulantes por parte dos jogadores, a fim de aumentar a sua resistência física, mas, na verdade, ele alerta para os efeitos maléficos destas, ressaltando que, quando um atleta faz uso de tais drogas, parace correr como um alucinado dentro de campo.
O ex-goleiro confessa que ele mesmo fez uso de um estimulante chamado Captagon, apesar da advertência dos médicos, porém, não se tornou um dependente.
Schumacher também não deixa de fazer suas críticas à dieta alimentar dos jogadores. Para ele, seria preferível apenas comer batatas fritas ou ovos estrelados àquela dieta tão rigorosa, citando como exemplo o ex-tenista John MacEnroe, que nas quadras só começou a ter ótimos desempenhos quando abandonou o tipo de alimentação imposto pelos médicos. À exceção dos italianos Briegel e Rummenigge, todos eram obrigados a uma dieta alimentar controlada.
Schumacher define o futebol como um espetáculo onde as diversas nações descarregam seus antigos ódios umas nas outras e os torcedores freqüentam os estádios não apenas para assistir às partidas, mas para se livrar das frustrações diárias, muitas vezes recorrendo ao uso de bebidas alcoólicas, o que gera a violência organizada. Para acabar com a violência no futebol, Schumacher acha que, perto dos estádios, deveriam ser construídos shopping centers e parques de diversões como forma de entretenimento para a esposa e os filhos dos torcedores, ou seja, ele afirmou que a violência no futebol afasta cada vez mais estes dos estádios, dando preferência a ficar em casa assistindo aos jogos pela televisão. Schumacher sustenta a idéia de tornar o futebol um espetáculo mais digno e atrativo para toda a família em vez de esta permanecer em casa assistindo às partidas pela televisão. Enquanto os torcedores ficam dentro dos estádios, suas esposas teriam a preferência de freqüentar um salão de beleza ou shopping center e os filhos poderiam brincar num parque de diversões e, no intervalo de cada jogo, seria fundamental que aqueles vissem através de um telão implantado dentro dos estádios as principais jogadas e os lances mais emocionantes da etapa inicial.
A partida final entre Juventus X Liverpool, válida pela Copa dos Campeões realizada em Bruxelas em 1985, com a vitória da equipe italiana por 1 X 0, segundo Schumacher, só terminou de maneira trágica por causa da falta de segurança e, sobretudo, devido ao extremo grau de violência das duas torcidas.
Houve um período em que tanto a Adidas quanto a Puma se tornaram rivais entre si na disputa pela preferência dos jogadores. Na Seleção Alemã, só se usava a marca Adidas, favorita de Schumacher. A sede de uma e de outra fica na mesma cidade: Herzogenaurach e os chefes eram os primos Dassler. Armin Dassler, chefe da Puma, tentou convencer Schumacher a assinar contrato com esta. Nessa ocasião, todos os jogadores do Colônia haviam aceito a proposta milionária da Puma e o ex-goleiro, se recusando a deixar a Adidas apoiado pelo amigo Rüdiger Schmitz, acabou por abandonar o time que o consagrou. Após a decisão dramática de sair do Colônia, Schumacher se sentiu tentado a defender a camisa de um clube estrangeiro como, por exemplo, o Barcelona, onde atuava o grande amigo Bernd Schuster há alguns anos, porém este o advertiu para o fato de que os maiores times não se interessam em contratar goleiros e, sim, atacantes, pois os jornais sempre dão preferência a relatar as proezas destes dentro de campo, dedicando pouquíssimas linhas às façanhas dos goleiros.
Segundo Schumacher, os jogadores mais jovens possuem uma maior tendência à preguiça e as equipes deveriam, em vez de a todo momento renovar o seu elenco, cultivar ao máximo a prata da casa . Ele se coloca contra o amadorismo no futebol, citando a questão da arbitragem, onde afirma que os juízes deveriam ser antigos jogadores, pois, assim, de acordo com o ex-goleiro, “ninguém ousaria pregar truques em macaco velho”.
Sobre a Federação Alemã de Futebol, o ex-goleiro ressaltou que é o paraíso da corrupção e o Presidente, Hermann Neuberger (atualmente já falecido), não podia sozinho fiscalizar as atividades suspeitas de seus subordinados. Foram justamente os aborrecimentos com os dirigentes alemães que levaram Rummenigge e Briegel a atuar em times italianos a partir de 1984: Internazionale e Verona respectivamente, onde, por sinal, se adaptaram muito bem com belíssimos desempenhos, arrancando aplausos dos tifosi .
Casado com Marlies, com quem teve dois filhos, seu maior ídolo sempre foi o goleiro campeão do mundo em 1974, Sepp Maier, que, embora muitas vezes contundido, dificilmente deixava de atuar em campo, mostrando uma incrível resistência à dor, o que fez Schumacher lhe imitar o exemplo. Ele encerrou a carreira em abril de 1992 numa grande festa em Colônia reunindo antigos companheiros de clube (exceto o Fenerbahce) e craques consagrados da Alemanha como Rummenigge, Beckenbauer, Overath, Hansi Müller, Sepp Maier, Berti Vogts, Schuster, etc.
Escrito logo após o Mundial de 1986 e tendo se tornado um verdadeiro best seller na Alemanha, Blowing the Whistle (no original, Anpfiff ), que significa Apito Inicial , já foi traduzido para vinte e quatro idiomas.
1996