
Agora será minha tarefa vos narrar de bom grado a história do notável jovem Karl e suas proezas na cidade de Milão, onde permaneceu por um breve período. É sabido que, desde a mais tenra infância, Karl atraía milhares de simpatizantes por todos os lados com seu jeito sempre alegre, respeitando os interesses da gente da Baviera. Sua timidez característica valeu-lhe logo a alcunha de Bochechas Rosadas e, já na idade de dezoito anos, se enamorou à primeira vista de uma rapariga formosíssima de nome Martina, na verdade uma condessa cujo porte e beleza bem lembravam Helena de Tróia, que, segundo dizem, foi a responsável pela ruína desta mesma cidade. Mas é mister ressaltar que a muito jovem condessa Martina de fútil e apegada em excesso às coisas deste mundo não tinha realmente nada!
Embora alegre e amável não só com os bávaros mas com todos aqueles que o rodeavam, quando se tratava dos negócios do Império, ele se revelava um homem bastante enérgico, símbolo da mais pura racionalidade humana! No dia vinte e oito do mês de agosto do ano do Senhor de 1178, já um belíssimo mancebo de vinte e dois anos, Karl decidiu desposar, enfim, a doce condessa Martina e teve com ela três filhos.
O Kaiser, homem por demais astuto, logo tendo percebido o grande espírito de liderança do jovem Karl e em apuros, imediatamente o fez vir à sua presença, o submetendo à vassalagem (no que o bávaro consentiu) e lhe pedindo que se aliasse a ele porque precisava de um braço forte para vencer o ameaçador exército da Flandres. A luta ocorreu no ano do Senhor de 1180 e Karl foi considerado o melhor cavaleiro em combate, destacando-se sobre os demais em um curtíssimo intervalo de tempo. O prestígio do jovem bávaro era tanto que o Kaiser nunca mais deixou de convocá-lo para as batalhas sempre que o Sacro Império se via ameaçado seja por lutas intestinas, seja para defendê-lo de ataques externos, como no caso da Flandres por exemplo.
No feliz ano do Senhor de 1182, o jovem Karl foi feito Duque da Baviera, continuando como braço direito do Kaiser nas questões mais importantes do Império, o que atraiu imediatamente a inveja de Harald, cognominado o Horrível por causa de seu caráter violento.
Ora, o dito Harald, homem mui caprichoso, era barão em Colônia e, no mesmo ano de 1182, feriu gravemente numa justa um jovem cavaleiro franco chamado Patrick. Embora um guelfo como Karl, quando Harald percebeu a preferência do Kaiser pelo jovem conde da Baviera, subitamente começou a conspirar contra ele com sua língua afiada. É mister ressaltar que, mesmo um gibelino e não um guelfo, o Kaiser nutria profunda admiração e simpatia pelo jovem Karl, de maneira que resolveu fazer aliança com ele.
Não mais conseguindo tolerar os maus nobres que colocavam os interesses do Império a perder, o jovem conde da Baviera toma sua belíssima esposa e filhos e decide partir temporariamente para a cidade de Milão, isto já na Segunda metade do ano do Senhor de 1184, onde foi calorosamente recebido pela gente local, que conhecia bem sua têmpera e suas proezas. É mister ressaltar que o conde da Baviera e esse tal cavaleiro Alessandro foram justamente os dois homens convocados para combater em posto avançado os rivais que mais ameaçavam Milão, principalmente Verona, cujo exército era liderado pelo jovem Giuseppe, o Anjo Endiabrado , e o viking Tolkjaer, que recebeu logo a alcunha de Bisão por causa de sua força e resistência físicas. Com homens assim em posto avançado, como Verona poderia ser subjugada e reduzida à vassalagem? Missão impossível para Karl e Alessandro! Porém, seu exército em diversas ocasiões conseguiu saborear o gosto da vitória!
Karl permaneceu na cidade de Milão até o ano do Senhor de 1187 cumulado de honrarias, e todo aquele que não simpatizasse com o conde da Baviera caía em total descrédito!
1996