Atualmente, com o maior controle da violência nos estádios, cada vez mais é comum a presença da torcida feminina, quando muitos ainda afirmam que mulher não gosta de futebol, considerado um esporte para macho. Infelizmente, muitas mulheres contribuem para aumentar a desconfiança dos machistas de plantão quando dizem que só assistem aos jogos em época de Copa do Mundo para ver jogador bonitinho, o par de pernas de fulano ou beltrano (lembram-se do tão elogiado goleiro Leão?). Pior ainda são as famosas marias-chuteiras , que assediam os jogadores para aparecer nas principais manchetes do País e que contribuem para estragar a sua imagem, diversas vezes até simulando um romance com esse ou aquele jogador em troca de fama ou reclamando a paternidade de seus filhos através de testes de DNA.

Está faltando a presença de uma mulher que realmente entenda de futebol a fundo para discutir em pé de igualdade com os homens. Destaco a jovem historiadora Gisella de Araújo Moura, cuja dissertação de Mestrado se transformou em livro pela Editora Fundação Getúlio Vargas no ano passado: O Rio corre para o Maracanã . Gisella ressalta a importância da construção do Maracanã para a Copa de 50 na tentativa de elaborar uma imagem favorável do Brasil no exterior, tendo como vitrine o Rio de Janeiro. Ela diz que a Copa de 50 ajudou a consolidar a imagem do Brasil como o País do Futebol . Gisella destaca a atuação da torcida carioca como o décimo segundo jogador , ao contrário da torcida paulista, que vaiava o escrete. A jovem historiadora Gisella de Araújo Moura infelizmente ainda é uma exceção à parte.

A presença da mulher não deve se fazer apenas nos gramados. O número de mulheres que escrevem sobre futebol deveria aumentar cada vez mais, ou elas continuarão a ser vistas como as eternas tietes dos gatinhos do momento.

 

10/05/99

 

 

 

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