Retrospectiva do clube             Sport  



 
 
 Segundo Mauro Fernandes, pelo estado emocional dos atletas, o Sport cai

               
     
     Desolação, dúvida, desconsolo. Esses eram os sentimentos dos jogadores do Sport, após a derrota por 2x1 para o Gama, sábado, na Ilha do Retiro. O novo revés tirou o ânimo dos atletas e agravou ainda mais os problemas para o divã do treinador-psicólogo Mauro Fernandes, que não consegue mais achar explicações para as derrotas do Sport.
          “Eu acho que passou pela cabeça deles, no momento do gol de empate, olha, agora acabou tudo. O dinheiro só vem no dia 4 de dezembro, mas o campeonato acaba no dia 2. O Sport está perdendo para ele mesmo. Não tem perspectiva de nada. Este é um time credenciado para cair para a Segunda Divisão”, desabafou o técnico.
         Mauro disse que este resultado lhe deu “o maior baque” neste campeonato. E justo nele que vem sendo o único responsável pela injeção de ânimo nos jogadores. Tanto que ele planejava fazer a relação dos atletas que vão enfrentar o Atlético/PR, amanhã, em Curitiba, baseado nas condições emocionais dos atletas.
         “Vão Edu Manga, Rogério, caso tenha condições, depende do resultado dos exames, Val Pilar, apesar do julgamento; é o que nós temos. No sistema de defesa tem Rogério. Sandro Neves tomou um ponta-pé na panturrilha, vamos ver, e Ricardinho, apesar do tornozelo machucado, deve ter condições”, disse.
         O resultado também reflete nos jogadores. “A situação do Sport é crítica, precária. Nós estamos tentando fazer o possível, mas o que vem de fora também afeta e muito”, declarou Júnior Amorim. “Eu não tenho palavras. O astral do grupo está triste, a pressão aqui, da torcida é muito grande. A gente está pagando pelo que está acontecendo dentro do clube. Mas a gente vai até o fim, enquanto houver esperança”, garantiu Marcelo Passos.
         Apesar da situação delicada, Mauro espera conseguir motivar os jogadores para fazerem uma boa apresentação e buscarem os pontos que precisam para escapar da queda. “O que eu puder fazer ainda, eu faço. Mas vamos precisar de um milagre. Que Deus nos ilumine para sair desse rebaixamento”.


Apático, Leão perde para o Gama

 


Caindo pelas tabelas: a derrota do Sport para o Gama deixou os rubro-negros em situação quase impossível de evitarem o rebaixamento à Segunda Divisão

         O fardo do Sport ganhou uns quilos a mais, sábado, na Ilha do Retiro. Os erros técnicos voltaram a acontecer e o Rubro-negro sofreu uma nova derrota no Campeonato Brasileiro, desta vez para o Gama/DF, por 2x1, e permanece na 27á posição na tabela, com 19 pontos. A derrota em casa afundou ainda mais o Sport que, nos quatro jogos que ainda tem pela frente, terá que somar, pelo menos, outros nove pontos para evitar a queda para a Segunda Divisão.
         O Sport começou muito mal na partida. Não conseguia acertar os passes no meio de campo e a bola não chegava ao ataque. Isso sem contar com a desatenção - o Gama roubava as bolas com extrema facilidade - e com a falta de garra, antes a principal característica Leonina. Parecia que cada jogador rubro-negro tinha amarrado a sua cintura uma carga de uma tonelada, tamanha lentidão e falta de entusiasmo.
         O primeiro chute a gol só veio sair, meio desmantelado, aos 18 minutos do primeiro tempo. Enquanto o Gama, que também não jogava bem, já havia ameaçado a meta de Adinam mais vezes. O Rubro-negro também pecou no excesso de falta: em 20 minutos de jogo, já tinha três cartões amarelos.
         Ainda assim, o time da Ilha conseguiu criar algumas chances em bolas cruzadas na área, mas ninguém chegava a tempo para concluir. Num momento em que o jogo estava de dar calo nas vistas, eis que Leomar lança Ricardinho pela direita e chuta cruzado para abrir o placar aos 44 do primeiro tempo e respirar no intervalo.
         De volta ao campo, parecia outro Sport. Os primeiros 10 minutos foram de forte pressão: a marcação melhorou e o Leão já levava vantagem nas divididas, além de chegar com perigo à meta adversária. Parecia que ia definir o placar ali. Mera ilusão. O cerco afrouxou e o Gama voltou a crescer. Numa falta pela direita da grande área e uma bola cruzada, Nen sobe livre para empatar o jogo antes dos 12 minutos. O Sport não reage, mesmo com as alterações. E aos 33, Axel bota o braço na bola dentro da área defensiva, causando o pênalti, para Lindomar garantir a virada e definir o placar.


Torcedores tentam invadir os vestiários

         O clima esquentou no intervalo do jogo Sport x Gama, na Ilha do Retiro, sábado. Um grupo de aproximadamente 20 torcedores tentou invadir o vestiário do Sport para agredir os jogadores rubro-negros. Os manifestantes chegaram a arrombar a porta de alumínio que dá acesso à sala de imprensa, mas foram contidos por funcionários de segurança do clube com ajuda da Polícia Militar e não chegaram aos atletas.
         O ato, no entanto, deixou alguns feridos, como o preparador de goleiros Ivan, que saiu com a mão machucada após tentar retirar os arruaceiros a socos, e o funcionário José Jorge Monteiro, atingido no rosto. “Eles vinham gritando palavras de baixo escalão, dizendo que iam dar porrada. Tinham pedras nas mãos e conseguiram arrombar a porta de acesso aos vestiários, mas eu e mais quatro ou cinco companheiros conseguimos retirá-los”, contou o segurança José Jorge, que teve o rosto ferido por uma pedra.
         A manifestação revoltou o técnico Mauro Fernandes e foi condenada pela maioria dos jogadores do clube. “É um absurdo cinco imbecis invadirem o vestiário para amedrontar os caras que estão há quatro meses sem receber. Esses não são torcedores do Sport”, desabafou o treinador.
         Os jogadores entendem o fato da torcida está chateada com a situação do clube, mas abominaram a atitude. “Eles têm o direito de reivindicar sim, mas agredir não”, disse o meia Marcelo Passos. A tentativa de invasão espantou também o atacante Júnior Amorim.
         “A atitude do torcedor me causou surpresa. Nós nunca deixamos de fazer nosso trabalho, de vir treinar, de cumprir com nossas obrigações”, afirmou. “Sei que não são todos, mas isso não é coisa de torcedor consciente. Eles querem resultado e nós também, mas não é assim”, destacou o zagueiro Érlon.


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