Ucranianos no Brasil

Imigrantes ucranianos começaram a chegar ao Brasil por volta de 1880. Até 1914, chegaram ao país mais de 45.000 ucranianos provenientes da Galícia Oriental, a mais pobre província do Império Austro-Húngaro. Fixaram-se principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Na colônia Antônio Olinto, no Paraná, seguindo a política do governo de branquear a nação, evitar isolamentos étnicos e favorecer casamentos inter-raciais, foram colocados em barracões junto a imigrantes poloneses, italianos e alemães. As diferenças religiosas e o apego à sua identidade étnica, porém, levaram-nos a se isolarem. Os ucranianos pertenciam à Igreja Católica Ucraniana, uma igreja uníata, nome dado a igrejas que apesar de unidas à Igreja Católica Romana, mantêm autonomia para se organizarem e realizarem seus ritos. Maior que as hostilidades e o isolamento em relação às outras populações imigrantes, foi o conflito com os índios "botocudos". Apesar do desequilíbrio de forças e das hostilidades racistas do governo contra eles, os nativos reagiram à entrega de suas terras aos estrangeiros, que dia a dia avançavam contra suas comunidades. Os ataque de ambos os lados não raramente resultavam em morte. Finalmente, o governo e a imigração os eliminou. Um trecho de uma carta de um imigrante ucraniano, em 1856, registra as hostilidades entre ucranianos, poloneses e botocudos e a resistência à nacionalização e à miscigenação: "Aqui anda um povo rude pelo mato que mata e come a gente. Fuja deste fato. (...) É pena que rezar nem conversar não querem em ruteno nos deixar. Na vila Kandziubinski assim gritou: 'Aqui não se fala em ruteno, não! Polacos são o rei, o país e Deus! Falar em polonês ou calar de vez!' Fazer o que com tal intimação? Que assim seja. Qual a salvação." Houve também conflitos entre os ucranianos e o governo paranaense, que era acusado pelos imigrantes de não cumprir acordos. Em 1896, forças foram enviados à localidade para reprimir uma insurreição. Com o avanço das redes viárias, o isolamento dos ucranianos foi diminuindo e a freqüência de uniões fora da etnia tende a aumentar. No Parque Tinguii, em Curitiba, foi inaugurado em 1995 o Memorial Ucraniano, para comemorar cem anos da imigração ucraniana para a capital do Paraná.

Leia também:

Imigrantismo

O racismo de DEODORO DA FONSECA

ANDREAZZA, Maria Luiza. Bravos da Ucrânia. Nossa História, ano 1, n.º 12. São Paulo: Biblioteca Nacional / Vera Cruz, 2004. p. 52-57.

Hosted by www.Geocities.ws

1