Tobias Barreto

(1839-1889)

Tobias Barreto foi filósofo, jurista e poeta. Nasceu em Sergipe, em 1839. Fundou a Escola Candoreira. Foi para a Bahia em 1861 com a intenção de tornar-se um religioso, mas mudou de idéia. Posteriormente lecionou na Faculdade de Direito do Recife, onde manteve contato com Sylvio Romero, que chegou a prefaciar um de seus livros em 1870. Teria influencioado o jurista Clovis Bevilacqua (1859-1944), que entrou para esta faculdade em 1878. Seus escritos refletiriam suas leituras de pensadores como Schopenhauer, Kant, Strauss e Hartman. Embora mulato, Tobias Barreto aderiu às teses de teóricos do racismo como Haeckel e Buckle; sua defesa de pontos de vista germanistas era tal que seus seguidores se autodenominavam "os renovadores da Escola de Recife"1. Sobre essa postura de Tobias Barreto que exemplifica a adesão de não-brancos e mestiços a ideologias racistas que vão contra eles mesmos, Gilberto Freyre comenta, "Não faltam desvantagens [nos filhos mestiços de senhores com escravas]: os preconceitos inevitáveis contra esses mestiços. Preconceitos contra a cor, da parte de uns; contra a origem escrava, da parte de outros. Sob a pressão desses preconceitos desenvolvem-se em muito mestiço evidente complexo de inferioridade que mesmo no Brasil, país tão favorável ao mulato, se observa em manifestações diversas. Uma delas, o enfático arrivismo dos mulatos, quando em situação superior de cultura, de poder ou de riqueza. Desse inquieto arrivismo podem-se salientar duas expressões características: Tobias Barreto - o tipo do novo-culto (...); e na política, Nilo Peçanha"2. Algumas da obras de Tobias Barreto foram "Dias e Noites", "Um Sinal dos Tempos", "Igualdade Contra a Hipocrisia", "Aqui para Nós" e "Vários Escritos". Faleceu em Recife, Pernambuco, em 1889.

1 SCHWARCZ, Lilia Moritz. O Espetáculo das Raças. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 149.

2 FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 448.   

Leia também:

Hosted by www.Geocities.ws

1