Sérgio Porto / Stanislaw Ponte Preta

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SAMBA DO CRIOULO DOIDO

Este é o samba do crioulo doido.

A história de um compositor que durante muitos anos obedeceu o regulamento, e só fez samba sobre a História do Brasil. E tome de Inconfidência, abolição, proclamação, Chica da Silva, e o coitado do crioulo tendo que aprender tudo isso para o enredo da escola. Até que no ano passado escolheram um tema complicado: a atual conjuntura. Aí o crioulo endoidou de vez, e saiu este samba:

Foi em Diamantina onde nasceu J.K.

E a princesa Leopoldina lá resolveu se casar

Mas Chica da Silva tinha outros pretendentes

E obrigou a princesa a se casar com Tiradentes

Laiá, laiá, laiá, o bode que deu vou te contar

 

Joaquim José, que também é da Silva Xavier

Queria ser o dono do mundo

E se elegeu Pedro Segundo

Das estradas de Minas, seguiu pra São Paulo

E falou com Anchieta

 

O vigário dos índios

Aliou-se a d. Pedro

E acabou com a falseta

Da união deles dois ficou resolvida a questão

E foi proclamada a escravidão

 

Assim se conta essa história

Que é dos dois a maior glória

A Leopoldina virou trem

E d. Pedro é uma estação também

Oô, oô, oô, o trem tá atrasado ou já passou

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Extraído de CAVALCANTE, Berenice. A História doida, In Nossa História, ano 1, n.º 12, editada. São Paulo: Vera Cruz / Biblioteca Nacional, 2004. p. 80.

Biografia de SÉRGIO PORTO / STANISLAW PONTE PRETA

NOTA: Recomendamos comparar este poema com a obra de Monteiro Lobato, Histórias de Anastácia, onde o negro também é apresentado como incapaz de escrever uma história com coerência. Apesar do caráter explicitamente racista, o poema é saudado pela autora Berenice Cavalcante, de cujo artigo foi extraído o texto acima, publicado por uma instituição federal, como sendo "uma manifestação preciosa" da "trajetória boêmia e libertina" do autor. Ela cita o filósofo Leandro Konder, para o qual o humor do autor, que o escreveu há época do regime militar pós-64, visava o "desmascaramento dos mecanismos de opressão". Provavelmente às custas dos negros, pois o título do poema tornou-se mais uma expressão racista e anti-negra no vocabulário brasileiro, uma peça a mais nos mecanismos de opressão contra os afro-brasileiros.  

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A MISCIGENAÇÃO VENCE O RACISMO, A CENSURA NÃO

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