Saci Pererê

 

Personagem mitológico do folclore brasileiro. A representação clássica do Saci Pererê é a de um negro pequenino, de uma perna só, com uma toca vermelha na cabeça e um pito na boca. É dado a ele um temperamento irrequieto e está sempre fazendo traquinagens. Não se deve, porém, dizer que seja mau, antes que seja imprevisível e um tanto inconseqüente. Não há consenso sobre sua origem, se indígena ou negra; conforme a região foi sendo representado em diferentes nuances. É visto como um ser mestiço por alguns. Em 1917, Monteiro Lobato organizou uma pesquisa entre leitores do Estadinho, publicação vespertina do O Estado de São Paulo. No ano seguinte publico o livro Inquérito. Para Monteiro Lobato, o saci é fruto de influências indígenas, negras e portuguesas. Seu mito desenvolveu-se mais fortemente nas áreas sertanejas do Sudeste. Ele seria mais encontrado em locais com plantas. Pode ser um versão de Exu, o orixá que como ele possui um caráter de desorganizador-reorganizador e um comportamento imprevisível. Desde as primeiras missões jesuíticas, Exu é associado ao Diabo, da religião cristã. O Saci pode estar também ligado ao mito português do Matintaperera, ou Matintaperê, uma senhora idosa que se transforma em ave e que à noite assusta as crianças com seu assobio. No Amazonas houve o mito de uma entidade também com o nome de Matintapera, de duas pernas e sem carapuça, cujo poder vem de um colar; corresponderia ao Cambaí, em guarani, e ao Iaci, em tupi. Os negros o teriam associado a Ossaim, filho de Iemanjá e Oxalá, que possui uma única perna e cuida das plantas. Entre os países da bacia do Prata, houve o Iaci Iaterê, um ser de cabelos de fogo. No folclore haitiano há o Quibungo, de origem banto, um menino que sai à noite para perseguir pessoas. Outra personagem africana é o Gunocô, que protege as matas. Na Europa, havia também o mito dos duendes, pequenos seres campestres. Em 2003, foi fundada em São Luiz do Paraitinga, São Paulo, a Sociedade dos Observadores do Saci - Sosaci, que conseguiu aprovar, na capital paulista, o dia 31 de outubro como o dia do Saci.

Leia também:

Lambe Sujo

ANASTASIA, Carla Maria Junho. Saci-pererê, um mito sertanejo? In Nossa História, ano 1, n.º 6. São Paulo: Biblioteca Nacional / Vera Cruz, 2004. p. 40-44.

Visite:

www.sosaci.org.br

 

CENSURA e INTOLERÂNCIA

Representação da Federação Israelita do Estado de São Paulo contra a Vai Vai agride a cultura negra - Leão Alves

FUSÃO RACIAL - Informativo do Movimento Nação Mestiça

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