2.a Confêrencia
Nacional das Cidades
Governos desperdiçam milhões em conferência de faz de conta
Diária de quarto duplo em hotel 5 estrelas:
mais de R$ 200,00, por 4 dias; viagens de ida e volta em avião durante alta
estação, cerca de R$1.500,00; transporte de ônibus, alimentação, segurança,
impressos, etc., para mais de 1500 delegados...; outros gastos dos governos
estaduais e municipais... Para que tudo isso? Para levar milhares de pessoas a
legitimarem um conjunto de propostas preestabelecidas pelos burocratas de Brasília.
Produto de acordo prévio entre governo e lideranças de movimentos-satélites
de partidos como PT e PCdoB, a 2.a Conferencia das Cidades, ocorrida de 30 de
novembro e 03 de dezembro de 2005, mais lembrou uma reunião da juventude
maoísta do que um encontro para se debater os problemas das cidades
brasileiras. Um rigoroso esquema foi montado para garantir que nenhuma surpresa
atrapalhasse as intenções do governo.
Lula não esteve lá. Talvez de ressaca da degola de seu camarada José Dirceu, o Presidente preferiu não brindar os presentes com sua retórica.
Controle rigoroso dos participantes. Num fato raro em conferências, a proposta de regimento apresentada pela organização foi aprovada praticamente na íntegra, uma das poucas exceções se dando quando observaram que determinado artigo dificultava a aprovação das propostas do governo. A mesa levantava o braço e era acompanhada mecanicamente pelas "lideranças" e outros militantes.
Duas castas de delegados. Um dos critérios para compor o Conselho Nacional das Cidades exigia que o delegado pertencesse a uma organização classificada como de âmbito nacional, o que impedia que representantes independentes ou de regiões onde os "grandes" movimentos-satélites têm pouca expressão viessem a ter lugar no conselho. A preocupação com a composição do conselho foi tal que o capítulo sobre controle social foi "debatido" no próprio auditório do Ulysses Guimarães, a fim de que os líderes pudessem tutelar com mais eficiência seus comandados.
Sem questões de ordem. O controle sobre a votação chegou a tal cuidado que foi decidido que não se debateriam as propostas conflitantes e, para assegurar que nada perturbasse o processo, foram simplesmente abolidas as questões de ordem, de modo que a mesa pode com paz e tranqüilidade conduzir a "conferencia" sem o risco de ser questionada em sua sapiência por algum reacionário...