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São Jorge (séc. III-IV) |
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Santo oficial da Igreja Católica Apostólica Romana; representação de Ogun ou Oxóssi no sincretismo religioso brasileiro; padroeiro da Inglaterra; patrono do Corinthians F. C. Seu dia comemorativo é 23 de abril. A biografia de São Jorge é controversa. O arcebispo de Gênova, Jacopo de Varazze, escreveu na sua Legenda Aurea, obra que relata a vida de santos católicos, que ele teria sido martirizado no ano 287, época do reinado do imperador romano Diocleciano. Conta ele que um dragão atacava os habitantes da cidade de Lida e que para evitar piores conseqüências o rei da cidade mandava que fosse diariamente alimentado, primeiro com animais e depois, na falta destes, com humanos sorteados para o desjejum do monstro. Estava São Jorge passeando em seu cavalo branco pelas redondezas quando de repente, não mais que de repente, ouviu os choros de uma jovem donzela que fora sorteada; tratava-se da própria princesa de Lida. Olhava São Jorge para a princesa e olhava o dragão para São Jorge. Conformada com sua sina, a princesinha buscava convencer São Jorge a deixar o local. O lagarto cuspidor de fogo, então, preferiu deixar a pequena nobre para a sobremesa e lançou-se contra o santo que, para a infelicidade do animal, era também guerreiro dos bons. Dentada pra cá, fustigada pr'acolá, São Jorge acabou dominando a fera com sua lança e a levou amarrada para que o povo da cidade a visse também. Aproveitando a oportunidade - pois ser santo não é ser bobo -, São Jorge prometeu matar a fera se a cidade se convertesse à fé cristã; não deu outra, foram todos batizados. Antes de ir embora, o nobre cavaleiro deixou à princesa a missão de cuidar dos pobres e da pregação cristã e é também contado que até uma fonte milagrosa surgiu na localidade. Outra versão sobre a vida do santo, baseada num fragmento em grego do século V, afirma que São Jorge por recusar-se a fazer oferendas a ídolos pagãos, fora, a mando do rei dos persas, torturado com marteladas na cabeça, por calçados com pregos, retalhamentos e ataques de aves de rapina. Teria morrido e ressuscitado três vezes até descansar definitivamente. Um terceiro relato, do ano 916, afirma que ele era um rico e nobre tribuno do exército imperial, natural da Capadócia (atualmente na Turquia). Teria se recusado a prestar homenagem aos deuses durante certa cerimônia diante do Senado e do exército, o que levou o Imperador Diocleciano a mandar prendê-lo e torturá-lo. São Jorge doou, então, seus bens aos pobres. Meio às sessões de tortura, foi libertado por um anjo do Senhor. Os milagres que realizou durante seu tempo no cárcere (ressuscitou um morto, salvou o único boi de um camponês de nome Glicério), levou à conversão dos torturadores e até da Imperatriz Alexandra. Diocleciano, então, que era muito mau e já havia aumentado significativamente a movimentação na portaria celestial, mandou decapitá-lo. São Jorge foi feito padroeiro de Portugal por D. João I, após uma vitória sobre as forças de Castela, em agosto de 1385. No Brasil, principalmente na Bahia, o santo católico foi associado a Oxóssi, rei de Ketu, orixá da caça, que se relaciona com a lua e com a terra virgem. A dança dedicada a Oxóssi inspira-se em sua caçada a uma fera. Já em Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre, a associação deu-se principalmente com Ogum, o rei ioruba da conquista do fogo e das armas metálicas, orixá guerreiro cuja dança referente a ele exibe movimentos de espada assinalando a abertura dos caminhos. Ogun, na Bahia, foi associado a Santo Antônio, santo português que serviu de inspiração para a resistência à tentativa de invasão holandesa no séc. XVII. Dom Obá II, d'África, combatente da Guerra do Paraguai, era devoto de São Jorge. Mandou publicar em 1882 um retrato em que constavam os símbolos de Ogun e de Oxóssi. Afirmava Dom Obá: "No Brasil, São Jorge é Ogun!" |
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Leia também: BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo: Pioneira, 1985. CAMPOS, João da Silva. Procissões tradicionais da Bahia. Salvador: Publicações do Museu da Bahia, 1947. MORAIS FILHO, Mello. Festas e tradições populares no Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1979. SANTOS, Georgina Silva dos. "Venerado guerreiro". In: Nossa História. ano 1, n. 7. Biblioteca Nacional (ed.). São Paulo: Vera Cruz, 2004. pp. 14-20. SILVA, Eduardo. Dom Obá II d'África, o príncipe do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. VARAZZE, Jacopo. Legenda Áurea: vidas de santos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. |
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