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O Conflito entre Hutus e Tutsi |
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O
conflito entre hutus e tutsi ocorre principalmente na área dos atuais Ruanda e Burundi, pequenos países localizados no oeste da África. O
primeiro povo a habitar essa área de que se tem registro foram os twa.
Por volta do séc. XIV a área foi conquistada pelos hutus, provenientes
da bacia do rio Congo, que difundiram
sua cultura para os twa. No século seguinte os tutsi, uma etnia
originada nas cercanias do rio Nilo, invadem também a região, submetendo
os hutus à servidão e estabelecendo um reino organizado num sistema feudal e baseado na crença
racista da superioridade dos tutsi sobre os hutus. Em Ruanda praticamente não se davam casamentos entre as duas
etnias/castas, os quais eram mais comuns em Burundi. Neste o governo
ficava nas mãos do rei, o "mwami", que provinha de várias
famílias nobres, as "ganwa", conforme o jogo político. Em
Burundi os hutus também tinham maior liberdade econômica do que em
Ruanda. Já neste país o poder do rei, o "mwami", era absoluto
e ele era apoiado por um sistema de vassalagem-suserania, pelo qual eram
divididos os domínios. Neste sistema, chamado "ubuhake", os
hutus ficavam completamente subjugados política e economicamente aos
tutsi. Por volta de 1880 o imperialismo branco europeu chega à área e Ruanda e
Burundi são incorporados à África Oriental Alemã. Os tutsi tornam-se
colaboracionistas dos alemães e depois dos belgas que passam a ocupar a
área durante a I Guerra Mundial (1914-1918). A Liga das Nações concede
estes territórios à Bélgica, passando a se denominar Território de
Ruanda-Urundi. Missionários brancos cristãos, católicos e protestantes,
durante todo o domínio europeu trabalham junto às populações locais
servindo, intencionalmente ou não, como agentes de uma força ideológica
desestabilizadora do sistema de casta. Ainda que tendo os tutsi como
intermediários de sua dominação sobre os hutus, o governo branco belga
se vê constrangido, em 1958, a forçar o governo tutsi de Ruanda a
desmontar o "ubuhake". No ano seguinte os hutus revoltam-se e o
governante tutsi e cerca de 200.000 tutsi fogem do país. Em 1.º de julho de 1962, Ruanda torna-se
independente tendo no poder o presidente hutu Grégoire Kayibanda. No
mesmo dia Burundi torna-se independente, porém sob o governo monárquico
do rei tutsi Mwami Mwambutsa IV. Desde então golpes de estado e conflitos
étnicos têm feito parte da história de Ruanda e Burundi: tudo aquilo
que tradição autoritária somada a racismo, tribalismo, elitismo, dependência
econômica e carência educacional sempre predispõem e que a história do
Brasil também registra. Infelizmente isto ainda recebe apoio no Brasil,
seja da direita branca que deseja manter as coisas como estão, seja
daqueles que desejam fracionar a nação e impedir a continuidade da
integração étnica e racial do Brasil. |
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