Afonso Arinos

(1905-1990)

Jurista e político mineiro famoso pela lei contra discriminação racial que levou seu nome. Afonso Arinos de Melo Franco nasceu em Belo Horizonte, estado Minas Gerais, em 27 de novembro de 1905, numa família rica e tradicional, proprietária de grandes extensões de terras. Nos séculos anteriores, as elites e a economia de Minas Gerais haviam tido como uma de suas principais formas de sustento uma atividade mantida por uma das mais brutais aplicações do trabalho escravo, a mineração. Isso colaborou em grande parte para a criação de uma poderosa e tradicionalista oligarquia, num estado onde, já no séc. XXI, ainda são freqüentemente denunciados casos de exploração de trabalho similar ao escravo. Após se formar em Direito no Rio de Janeiro, em 1927, Afonso Arinos voltou para Belo Horizonte, onde logo foi empossado como promotor público. Entrou para a política (parentes seus, inclusive pai e avô, haviam atuado com destaque na política desde a época do Império) filiando-se à conservadora UDN - União Democrática Nacional, partido que congregava grandes latifundiários, muitos deles descendentes de antigos donos de escravos. Em 1947, foi eleito Deputado Federal por esta sigla. Como os demais de seu partido, Arinos era um opositor de Getúlio Vargas. Este, em 1930, através de uma rebelião militar, tomara o poder de Washington Luís. A UDN pichava de populistas suas políticas a favor das classes sociais proletárias (onde ainda hoje se encontram quase todos os afro-brasileiros). Afonso Arinos, sempre ligado a estes grupos conservadores, foi um dos autores do Manifesto dos Mineiros, que colaborou com a deposição de Vargas em 1945. Este, porém, em 1951, voltou à presidência via eleição direta. Neste mesmo ano, Vargas assina a lei proposta por  Arinos que tornava o racismo uma contravenção. Segundo declaração de Arinos, ele teria sido levado a propor a lei por ter tido um motorista seu impedido de acompanhá-lo a determinado local. Arinos já estava em seu quarto mandato quando, aproveitando a crise gerada no caso dos tiros que feriram o jornalista Carlos Lacerda, da UDN, sugeriu num discurso proferido em 9 de agosto de 1954, que o presidente renunciasse. Quinze dias depois, Vargas suicidava-se, evitando um golpe militar conservador. No período de 1956 a 1958, Afonso Arinos fez oposição ao Presidente Juscelino Kubitschek. Neste ano, entrou para a Academia Brasileira de Letras. Em 1964, Afonso Arinos o apóia o golpe militar que depõe o presidente João Goulart, herdeiro político de Vargas. Afonso Arinos era ministro das Relações Exteriores de Goulart, posto no cargo em 1962. Ele colaborou com o regime militar de forma mais direta durante a presidência do general Ernesto Geisel. Em 1986, é eleito senador constituinte pelo PFL - Partido da Frente Liberal, no estado do Rio de Janeiro. Morreu em 27 de agosto de 1990.

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