Araribóia

(séc. XVI)

Araribóia, ou Ararigbóia (o nome significa "cobra feroz"), foi chefe índio da tribo dos temiminós e viveu no séc. XVI. Aliou-se aos portugueses, cristianizou-se e recebeu o nome de Martim Afonso. Entre 1565 e 1567, Araribóia guerreou contra os tamoios e contra os franceses e colaborou com a fundação do Rio de Janeiro, o que lhe valeu receber terras na Baía da Guanabara (Praia Grande). Sua aldeia nestas terras recebeu o nome de São Lourenço e dela originou-se a atual cidade de Niterói. Em 1568, colaborou de novo com os portugueses levando seus homens a lutar novamente contra os franceses. Morreu afogado nas imediações da Ilha de Mocanguê. Em Niterói há um busto em sua homenagem, na Praça Martim Afonso. Posteriormente, já no séc. XX, passou a ser visto como um traidor por algumas lideranças indígenas. A lição deixada pela postura de Araribóia diante do Império Lusitano é a mesma deixada pela vida de muitos outros líderes (vide Ganga Zumba, do Brasil, e Jonas Savimbe, de Angola) que sucumbiram, conscientemente ou não, diante da antiga - e ainda eficaz - estratégia de povos conquistadores: 1. explorar e incentivar as divergências internas dos grupos que desejam dominar a fim de dividi-los e enfraquecê-los; 2. criar líderes colaboracionistas para os povos conquistados e combater lideranças não subservientes (vide Zumbi, do Brasil, e Patrice Lumumba, do Congo). Organizações não governamentais (ONGs) financiadas por grupos ligadas a nações imperialistas, de forma explícita ou não, podem hoje ser veículo dessa mesma estratégia, incentivando a fragmentação da nação brasileira e o isolacionismo racial. Isto e a histórica política de nossa elite branca de concentrar a riqueza da nação brasileira e de alienar material e ideologicamente os não brancos são fatores de debilitação da unidade nacional.   

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