Mohamed Reza Pahlevi (1919-1980)
Xá ou rei persa desde 1941, após a abdicação do pai, o coronel Reza Khan, que derrubara a dinastia Kajar em 1925. É o responsável pela modernização ocidentalizante do Irã, imposta em boa parte sem debate no país e contra tradições religiosas. Escapa ferido de um atentado contra sua vida em 1951. Casado com a princesa Soraya, famosa por sua beleza, divorcia-se de modo rumoroso por ela não lhe ter dado filhos. Casa-se então com Farah Diba. É deposto em 1979, exilando-se na Europa com a fortuna da monarquia.
Queda da monarquia
A repressão de uma passeata que pedia a volta de Khomeini ao país na cidade sagrada de Qom, em janeiro de 1978, desencadeia tumultos em todo o Irã . Unidades do Exército negam-se a atirar nos manifestantes. Multiplicam-se as ações de grupos armados contra alvos governamentais. Os Estados Unidos pedem que Reza Pahlevi renuncie e transfira o governo a um político moderado, capaz de controlar a situação e introduzir reformas democráticas. Em janeiro de 1979 o xá concorda, transfere o governo para Chapur Baktiar e deixa Teerã.
Ruhollah Khomeini (1902-1989)
Líder espiritual e guia da Revolução Islâmica iraniana, nasce no povoado de Khomein, nordeste do Irã. Filho de migrantes indianos, começa a estudar teologia em Arak aos 16 anos. Leciona na faculdade de Qom, onde recebe o título de aiatolá (espelho de Deus). Casa-se em 1929 e, apesar de a lei islâmica permitir a poligamia, tem uma só esposa. Em 1941, publica A revelação dos segredos, criticando a dinastia do xá Reza Pahlevi, que acusa de desvirtuar o caráter islâmico do país. Preso em 1963, desperta manifestações que deixam vários mortos. Um ano depois é forçado a exilar-se na Turquia e, posteriormente, vai para o Iraque e França, de onde comanda o movimento que derruba a monarquia iraniana. Em 1979, de volta ao seu país, proclama a República islâmica.
República islâmica
Khomeini retorna em 30 de janeiro, rejeita a transferência de poder promovida pelo xá e exige mudanças radicais. O Irã caminha para a guerra civil. Baktiar deixa o governo e foge, sendo substituído pelo governo Mehdi Barzagan. O fundador do Conselho de Direitos Humanos enfrenta a guarda revolucionária xiita (pasdaran), que prende, julga e executa sumariamente membros do antigo governo do xá e militantes de grupos rivais. Barzagan renuncia em novembro, após a invasão da embaixada americana por fundamentalistas xiitas. Em janeiro de 1980, Abolhassan Bani-Sadr é eleito presidente e forma um governo de coalizão para realizar reformas democráticas moderadas. Mas em agosto é obrigado a aceitar a indicação do fundamentalista Ali Radjai para primeiro-ministro. Também enfrenta a crise com os EUA e se vê diante da invasão iraquiana, em setembro. Os choques dos xiitas contra Bani-Sadr o levam a exilar-se em junho de 1981.
Crise com os EUA
A invasão da embaixada americana em Teerã por fundamentalistas xiitas, em protesto contra a ida de Reza Pahlevi a Nova York, ocorre em novembro de 1979. Os funcionários são tomados como reféns e o governo Bani-Sadr é incapaz de promover uma solução negociada. Em abril de 1980, tropas americanas tentam um resgate, mas a operação fracassa. Isso causa grande desgaste ao presidente Jimmy Carter e reforça a ala do clero xiita no governo iraniano. Em janeiro de 1981, após 444 dias de cativeiro, os reféns são libertados por meio de gestões diplomáticas da Argélia. A queda de Bani-Sadr e a eleição de membros do clero para a presidência e a chefia de governo, em junho de 1981, consolidam a hegemonia do Partido Republicano Islâmico e dão início à República islâmica. Intelectuais, comunidades religiosas rivais, organizações femininas, partidos democráticos e socialistas são reprimidos. A lei islâmica se sobrepõe à lei secular. Em represália, grupos extremistas de oposição cometem atentados terroristas contra o clero e o governo. Os aiatolás Kamenei e Mussavi assumem a presidência e a chefia do governo, intensificam a repressão e mantêm a campanha contra os suspeitos de espionagem a favor dos Estados Unidos, da União Soviética e do Iraque ou de violações da lei islâmica.
Guerra Irã-Iraque
Começa em setembro de 1980 com a invasão do Irã e a destruição de Khorramshar, onde fica a refinaria de Abadã, por tropas iraquianas. O pretexto é o repúdio, pelo governo iraquiano, ao Acordo de Argel (1975), que define os limites dos dois países no Chatt-el-Arab, canal de acesso do Iraque ao golfo Pérsico. O Iraque quer soberania completa sobre o canal e teme que o Irã sob Khomeini tente bloquear o transporte do petróleo iraquiano ao golfo Pérsico pelo canal. Khomeini havia sido expulso do Iraque em 1978, a pedido do xá Reza Pahlevi, e o presidente iraquiano, Saddam Hussein, dera apoio aos movimentos contra-revolucionários de Baktiar e do general Oveissi. O novo regime iraniano apóia o separatismo dos curdos no norte do Iraque e convoca os xiitas iraquianos a rebelarem-se contra o governo sunita de Saddam. O Irã bloqueia o porto de Basra e ocupa a ilha de Majnun, no pântano de Hoelza, onde estão os principais poços petrolíferos do Iraque. Este bombardeia navios petroleiros no golfo, usa armas químicas proibidas e ataca alvos civis. Há pouco avanço nas frentes de luta, mas o conflito deixa 1 milhão de mortos ao terminar em 1988.
Saddam Hussein (1937- )
General iraquiano sunita, no poder desde um golpe palaciano em 1979. Nasce em uma pequena vila perto de Bagdá. Filia-se ao Baath, partido socialista pan-arábico e participa como militante da tentativa frustrada de assassinar o general Abdul Karim Kassem, então na presidência. Foge para o Egito, onde estuda direito. Volta ao Iraque e continua participando de golpes do Baath, que consegue tomar o poder no Iraque em 1958. Hussein torna-se o número 2 do governo. Em 1979 assume a presidência e aplica uma política de modernização do Iraque. Aliado dos Estados Unidos durante longo tempo, passa depois a aproveitar-se da disputa dos norte-americanos com a União Soviética para conseguir ajuda desta no reaparelhamento de suas Forças Armadas. Pratica uma política de genocídio contra os curdos e reprime a maioria xiita. Radicalmente contra qualquer acordo com Israel, incentiva grupos extremistas árabes e palestinos a ações terroristas contra os israelenses e pessoas de governos favoráveis ao entendimento com o Estado judeu. Suas pretensões hegemônicas sobre a região, em particular quanto ao Kuweit levam o país à Guerra do Golfo em 1991.