REPÚBLICA
     É proclamada em setembro de 1792. Institui um Conselho Executivo como governo formado por pequenos burgueses, mas depende das decisões da Convenção para implantar uma política definida. O rei Luís XVI é julgado e condenado. Em 21 janeiro de 1793 é decapitado na guilhotina. Províncias francesas sublevam-se contra o governo central girondino e exércitos estrangeiros invadem a França. A liderança do processo revolucionário passa às mãos da pequena burguesia do partido jacobino e dos sans-culottes. A situação de emergência garante o apoio da maioria da Convenção às medidas radicais propostas pelos jacobinos.

Calendário republicano – Com a instalação da República, a Convenção adota um novo calendário com o objetivo de valorizar o movimento e dessacralizar o “novo” mundo francês, eliminando qualquer conteúdo cristão. O calendário é oficializado em 1793 e considera o dia 22 de setembro de 1792 como marco inicial. O ano passa a ter 12 meses de 30 dias contados segundo as datas das estações do ano ou das colheitas. Cada mês tem três semanas e um feriado a cada dez dias. Os cinco dias que restam de defasagem a cada ano são os feriados patrióticos chamados de sanscullottides. As igrejas são apedrejadas e destruídas e as festas religiosas substituídas por comemorações da Revolução.

Meses republicanos – São contados a partir de 21 de setembro e não coincidem com os do calendário gregoriano, que será retomado por Napoleão Bonaparte em 1805. O primeiro mês é vindimário, mês da vindima seguido de brumário, mês da neblina (bruma); frimário, mês da geada; nivoso, mês da neve; pluvioso, mês das chuvas; ventoso, mês dos ventos; germinal, mês da germinação; floreal, mês das flores; pradial, mês das pradarias; messidor, mês da colheita; termidor, mês do calor; frutidor, mês das frutas.

PERÍODO DO TERROR
     É como fica conhecido o período (1793-1794) no qual os jacobinos se organizam para defender a Revolução. Sob o comando de Robespierre a Constituição é suspensa e são criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, encarregado de prender e julgar os traidores da Revolução. Esses órgãos descambam depois para a conspiração e execução na guilhotina de membros do próprio partido jacobino, confundindo inimigos e aliados. O Terror executa tanto radicais, como Hebert, quanto moderados, como Danton e Desmoulins. A Comuna aprisiona e guilhotina 22 líderes girondinos. Milhares de pessoas morrem, entre elas o químico Lavoisier. Robespierre concentra poderes ditatoriais, apoiado pelos jacobinos. Em 49 dias manda para a guilhotina 1.400 pessoas. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, os membros da Convenção se voltam contra o ditador.

Comitê de Salvação Pública – Entre fevereiro e maio de 1793 aumentam as ameaças internas e externas à Revolução. Para defendê-la, a Convenção adota leis contra os nobres e membros do clero e cria o Comitê de Salvação Pública, composto por Robespierre, Danton, Desmoulins, Saint-Just e Marat. A pedido dos girondinos, a Assembléia nomeia o Comitê de Doze para controlar a Comuna de Paris e evitar excessos. A burguesia e a aristocracia estimulam uma onda de assassinatos e movimentos contra-revolucionários. Os sans-culottes armados cercam a Assembléia e obrigam a Convenção a prender a bancada girondina e os membros do Comitê dos Doze e decretar uma nova Constituição, de caráter democrático, que estende às camadas populares os direitos políticos.

Georges-Jacques Danton (1759-1794), filho de família burguesa, forma-se em direito em Paris e torna-se advogado do Conselho do Rei. Membro destacado da Sociedade dos Amigos dos Direitos do Homem, juntamente com Robespierre, que dá origem ao Clube dos Cordeliers e, mais tarde, ao partido jacobino. Orador talentoso, destaca-se na Assembléia Constituinte e na Convenção em defesa dos interesses dos pequenos burgueses e dos sans-culottes (artesãos e operários). Participa do Comitê de Salvação Pública em 1793, mas adota posições moderadas e é acusado, no Período do Terror, de conspirar contra o regime. É preso, julgado sem direito a defesa e condenado à morte. Na hora de ser guilhotinado pede ao carrasco que mostre sua cabeça ao povo.

Robespierre (1758-1794). Uma das figuras mais importantes da Revolução Francesa, Maximilien François Marie Isidore de Robespierre forma-se em direito e logo começa a fazer carreira política. Destaca-se pela firmeza e pela forma radical como defende suas idéias, influenciadas por Jean-Jacques Rousseau. Defende plataformas revolucionárias para a época, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória e imposto progressivo segundo a renda. É um dos fundadores do partido jacobino. Torna-se o principal dirigente do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror, marcado pela repressão violenta de qualquer crítico ao novo regime. Em julho de 1794 é vencido e preso pelos dissidentes. Na prisão tenta se suicidar mas morre na guilhotina, poucos meses depois de Danton.

9 Termidor – Em julho de 1794 (dia 9 do mês termidor) Robespierre e Saint-Just são presos e depois guilhotinados. Os girondinos, que desde o início do Período do Terror haviam se omitido para salvar as próprias cabeças, reaparecem para instalar a alta burguesia no poder. A Convenção passa a ser comandada pelo Pântano, grupo formado por ricos burgueses que querem ampliar sua atuação política.

Reação termidoriana – Depois de 9 Termidor os clubes jacobinos são fechados e é redigida uma nova Constituição, que institui um governo de cinco diretores eleitos pelo Legislativo – o Diretório. Os deputados se organizam em duas câmaras: o Conselho dos Anciãos e o Conselho dos 500.

DIRETÓRIO
     A execução de Robespierre, em 1794, representa o fim da supremacia jacobina. A Convenção proclama uma nova Constituição, em 1795, que consolida as aspirações da burguesia. Ela centra-se, como diz Boissy d’Anglas, relator do projeto, em “garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do homem industrioso e a segurança de todos”. O poder é organizado sob a forma de uma República colegiada de notáveis, tendo o Diretório como órgão executivo. No período do Diretório (1795-1799) o país mergulha numa séria crise econômica e social, além das ameaças externas. A burguesia entrega o poder a Napoleão Bonaparte, com o objetivo de manter os seus privilégios políticos.


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