Revolução dos Cravos
A decadência econômica de Portugal e o desgaste com a guerra colonial provocam descontentamento no interior das Forças Armadas. Em 25/4/1974 eclode a Revolução dos Cravos: oficiais de média patente se rebelam e derrubam o governo de Caetano, que se asila no Brasil; o general António de Spínola assume a Presidência. A população festeja o fim da ditadura distribuindo cravos - a flor nacional - aos soldados rebeldes. Os partidos políticos, inclusive o Comunista, são legalizados e é extinta a Pide, polícia política do salazarismo. O novo regime mergulha Portugal numa agitação revolucionária: Spínola fracassa em sua tentativa de controlar a força política e militar da esquerda e renuncia em setembro de 1974; o governo passa a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtêm a independência.
Em março de 1975, após uma fracassada tentativa de golpe de Spínola, o governo passa a ser dominado por um triunvirato formado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Tem início uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O moderado Partido Socialista, de Mário Soares, vence as eleições para a Assembléia Constituinte em abril de 1975. Em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda põe fim ao período revolucionário. Apesar disso, a Constituição de 1976, ainda influenciada pelo MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária.
Em 1976 o general António Ramalho Eanes, comandante das forças que esmagaram a rebelião de oficiais esquerdistas, é eleito presidente da República; os socialistas conquistam 35% dos votos e Mário Soares forma um governo minoritário. Enfrentando uma grave crise econômica, Soares renuncia em 1978. Entre 1979 e 1980 o país vive um período de instabilidade política, com cinco primeiros-ministros, entre eles Maria Pintassilgo, a primeira mulher a ocupar o cargo, e Francisco Sá Carneiro, morto em acidente aéreo. As leis revolucionárias são revertidas: o Conselho da Revolução, que permitia uma tutela do MFA sobre as instituições, é abolido em 1982 e o governo elimina restrições ao capital privado. Em 1985, o Partido Social Democrata, de centro-direita, vence as eleições antecipadas; Aníbal Cavaco Silva torna-se primeiro-ministro.