Ernesto 'Che' Guevara
Conferência pronunciada na Uniom de Jovens Comunistas em 20
de Outubro de 1962 e publicado em Verde Olivo, ano 3, nº 43, 28 de
Outubro de 1962
Atenção: texto em galego-português
Quero formular agora, companheiros, qual é a minha opiniom, a
visom de um dirigente nacional das ORI, do que é que deve ser um
jovem comunista, a ver se estivermos de acordo todos.
Eu acho que o primeiro que deve caracterizar um jovem comunista é
a honra que sente por ser um jovem comunista. Essa honra que o leva a mostrar
perante todo o mundo a sua condiçom de jovem comunista, que nom
o vira para a clandestinidade, que nom o reduz a fórmulas, mas que
o exprime a cada momento, que lhe sai do espírito, que tem interesse
em demonstrá-lo porque é o seu símbolo de orgulho.
Junto disso, um grande sentido do dever para a sociedade que estamos
a construir, com os nossos semelhantes como seres humanos e com todos os
homens do mundo. Isso é algo que deve caracterizar o jovem comunista.
Ao pé disso, umha grande sensibilidade ante todos os problemas,
grande sensibilidade face à injustiça. Espírito inconforme
cada vez que surge algo que está mal, tenha-o dito quem o dixer.
Pôr em questom todo o que nom se perceber. Discutir e pedir aclaraçom
do que nom estiver claro. Declarar a guerra ao formalismo, a todos os tipos
de formalismo. Estar sempre aberto para receber as novas experiências,
para conformar a grande experiência da humanidade, que leva muitos
anos a avançar pola senda do socialismo, às condiçons
concretas do nosso país, às realidades que existem em Cuba.
E pensar -todos e cada um- como irmos mudando a realidade, como irmos melhorando-a.
O jovem comunista deve tentar ser sempre o primeiro em tudo, luitar
por ser o primeiro, e sentir-se incomodado quando em algo ocupa outro lugar.
Luitar sempre por melhorar, por ser o primeiro. Claro que nom todos podem
ser o primeiro, mas sim estar entre os primeiros, no grupo de vanguarda.
Ser um exemplo vivo, ser o espelho onde podam olhar-se os homens e mulheres
de idade mais avançada que perdêrom certo entusiasmo juvenil,
que perdêrom a fé na vida e que ante o estímulo do
exemplo reagem sempre bem. Eis outra tarefa dos jovens comunistas.
Junto disso, um grande espírito de sacrifício, um espírito
de sacrifício nom apenas para as jornadas heróicas, mas para
todo o momento. Sacrificar-se para ajudar o companheiro nas pequenas tarefas
e que poda cumprir o seu trabalho, para que poda cumprir com o seu dever
no colégio, no estudo, para que poda melhorar de qualquer maneira.
Estar sempre atento a toda a massa humana que o rodeia.
Quer dizer: apresenta-se a todo jovem comunista a tarefa de ser essencialmente
humano, ser tam humano que se aproxime ao melhor do humano, purificar o
melhor do homem por meio do trabalho, do estudo, do exercício de
solidariedade continuada com o povo e com todos os povos do mundo, desenvolver
ao máximo a sensibilidade até se sentir angustiado quando
um homem é assassinado em qualquer canto do mundo e para se sentir
entusiasmado quando em algum canto do mundo se alça umha nova bandeira
de liberdade.
O jovem comunista nom pode estar limitado polas fronteiras de um território,
o jovem comunista deve praticar o internacionalismo proletário e
senti-lo como cousa de seu. Lembrar-se, como devemos lembrar-nos nós,
aspirantes a comunistas cá em Cuba, que somos um exemplo real e
palpável para toda a nossa América, para outros países
do mundo que luitam também noutros continentes pola sua liberdade,
contra o colonialismo, contra o neocolonialismo, contra o imperialismo,
contra todas as formas de opressom dos sistemas injustos. Lembrar sempre
que somos um facho acesso, que somos o mesmo espelho que cada um de nós
individualmente é para o povo de Cuba, e somos esse espelho para
que se olhem nele os povos da América, os povos do mundo oprimido
-que luitam pola sua liberdade. E devemos ser dignos desse exemplo. Em
todo o momento e a toda a hora ser dignos desse exemplos.
Isso é o que nós julgamos que deve ser um jovem comunista.
E se se nos dixesse que somos quase uns románticos, que somos uns
idealistas inveterados, que estamos a pensar em cousas impossíveis,
e que nom se pode atingir da massa de um povo que seja quase um arquétipo
humano, nós temos de contestar, umha e mil vezes, que sim, que sim
se pode, que estamos no certo, que todo o povo pode ir avançando,
ir liquidando intransigentemente todos aqueles que ficarem atrás,
que nom forem capazes de marcharem ao ritmo a que marcha a revoluçom
cubana. Tem de ser assim, deve ser assim, e assim é que será,
companheiros, será assim, porque vocês som jovens comunistas,
criadores da sociedade perfeita, seres humanos destinados a viver num mundo
novo de onde terá desaparecido de vez todo o caduco, todo o velho,
todo o que representar a sociedade cujas bases acabam de ser destruídas.
Para atingirmos isso cumpre trabalhar todos os dias. Trabalhar no senso
interno de aperfeiçoamento, de aumento dos conhecimentos de aumento
da compreensom do mundo que nos rodeia. Inquirir e pesquisar e conhecer
bem o porquê das cousas e colocar sempre os grandes problemas da
Humanidade como problemas próprios.
Dessarte, num momento dado, num dia qualquer do anos que venhem -após
passarmos muitos sacrifícios, sim, depois de termo-nos porventura
visto muitas vezes à beira da destruiçom- após termos
porventura visto como as nossas fábricas som destruídas e
de tê-las reconstruído de novo, depois de assistirmos ao assassinato,
à matança de muitos de nós e de reconstruirmos o que
for destruído, ao fim de isso tudo, um dia qualquer, quase sem repararmos,
teremos criado, junto dos outros povos do mundo, a sociedade comunista,
o nosso ideal.