Descendentes dos antigos povos arianos do Cáucaso, os hindus instalam-se no vale do rio Ganges durante o segundo milênio antes de Cristo. Suas tradições passam a ser registradas a partir de 1.500 a.C., nos quatro livros dos Vedas. Estima-se que atualmente existam mais de 660 milhões de adeptos do hinduísmo em todo o mundo Vedas – Do sânscrito "saber". São os livros que contêm as verdades eternas reveladas pelos deuses ou a ordem (dharma) que rege os seres e as coisas, organizando-os em categorias distintas (castas), cada uma com seus próprios deveres e direitos espirituais e sociais. Deuses védicos – O vedismo cultua Agni, pai dos homens, deus do fogo e do lar que preside os rituais de oferendas para os outros deuses; Indra, deus da guerra e soberano dos céus; e Varuna, deus supremo, rei do universo, dos deuses e dos homens. Também cultua Ushas, a aurora; Surya, o deus-sol, mais tarde substituído por Vishnu, outro deus solar; e Rudra, deus da tempestade, que dominará mais tarde com o nome de Shiva. Cultos védicos – As graças mais solicitadas aos deuses são filhos homens, longa vida e bens materiais. As oferendas incluem sacrifícios de animais e são centrais nos cultos. Os mortos não são enterrados, mas cremados nos rituais funerários.

BRAMANISMO
        O sentido monista embutido sob a variedade dos deuses védicos passa a ser ressaltado explicitamente a partir do século VI a.C., quando a casta brâmane desenvolve o formalismo litúrgico e uma refinada sabedoria religiosa e mística, registrados mais tarde em Brahmana e Upanishades, textos sagrados escritos a partir do século VIII a.C. O bramanismo não é uma nova religião, mas um aprofundamento teológico dos velhos textos. O politeísmo védico é aí interpretado como véu simbólico tecido em torno da concepção monista de uma realidade máxima que transcende todas as coisas: brahma. O homem é atman, uma centelha do brahma. O bramanismo é centrado na superação do ciclo das sucessivas encarnações samsara. Essa superação é determinada pelo carma de cada indivíduo.

       Carma – Do sânscrito karmam, missão determinada em função do saldo de existências anteriores e de ações e reações acumuladas. A partir do carma se definem as noções de destino e de desejo (como força determinante do destino) e a forma como ambos se encadeiam nos diferentes momentos da vida de cada um.
       Deuses do bramanismo popular – O hinduísmo concilia de certo modo monoteísmo e politeísmo. Por um lado é uma doutrina da unidade absoluta, mas também admite, com base nessa mesma unidade, a coexistência de uma pluralidade de cultos. A forma mais popular de culto aproxima-o de um monoteísmo, mas na forma de uma tríade.
       Textos sagrados do bramanismo – Os textos sagrados referem-se à Trimúrti, uma tríade divina composta por Brahma, o princípio criador, Shiva, o princípio destruidor, e Vishnu, o princípio conservador. Krishna e Rama são "versões" diferentes do mesmo deus Vishnu. Os cultos de Shiva e Vishnu são difundidos no Mahabharata e no Ramayana, textos épicos escritos por volta do século VI a.C.

HINDUÍSMO CLÁSSICO
        No período considerado como clássico do hinduísmo, entre 300 e 1200 da era cristã, as diferentes tradições são harmonizadas e fixadas em algumas obras. O Dharma reúne textos sobre culto, moralidade e liturgia da tradição védica. Em Purana (Relatos antigos), são apresentadas as diferentes vias (margas) para o aperfeiçoamento pessoal e a libertação total do ciclo das reencarnações. Mas a obra que mais contribui para a consolidação das doutrinas hinduístas é a coleção de comentários védicos escrita por Shânkara, guru que interpreta os Vedas no sentido do monismo absoluto: nada existe senão o brahma, "único e sem segundo".
       Tantras – São textos hinduístas esotéricos e teológicos. Dão origem ao tantrismo, ou shaktismo, que prega o aperfeiçoamento espiritual pelo completo domínio da mente e dos impulsos corporais. Na atualidade, é crescente a aceitação do Bhagavadgita, texto popular inserido no Mahabharata, como um dos livros fundamentais do hinduísmo.

HINDUÍSMO MODERNO
        A dominação muçulmana sobre a Índia, entre 1200 e 1757, a dominação britânica, de 1757 a 1947, e as diferentes reações às culturas e religiões dos dominadores dão origem a inúmeras variantes do hinduísmo. Surgem também novas religiões, algumas artificialmente fomentadas pelo invasor europeu para quebrar a resistência da cultura local e que, ironicamente, hoje são "revendidas" ao ocidente. A voga de hinduísmo que se alastrou pelas Américas e pela Europa partindo da Califórnia na década de 60 mistura, assim, elementos de origem hindu a produtos ocidentais, formando um amálgama onde até mesmo especialistas têm dificuldade para se orientar. O mesmo acontece com elementos de outras culturas afetadas pela presença ocidental, como a chinesa e a islâmica.
       Sikhs – Os sikhs, etnia branca centralizada nos vales férteis do Punjab, reagem à dominação cultural muçulmana e assimilam alguns de seus conceitos. Por volta de 1500, o guru Nanak funda uma religião monoteísta, que passa a fazer parte da identidade cultural do povo sikh . Reformadores sociais e religiosos – A resistência política ao domínio britânico assume várias formas e produz também um fortalecimento da religião hindu. Surgem vários reformadores sociais e religiosos. Um dos mais importantes, Rabindranath Tagore, promove um renascimento da cultura hindu. Festas hinduístas – As festas têm grande importância no hinduísmo. Representam a dimensão comunitária da vida religiosa. As principais são Holi, celebração do início da primavera; Pongal, no início do inverno, a do nascimento de Krishna (julho/agosto); e a grande noite de Shiva (janeiro/fevereiro).


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