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LILLY
CORONEL
Veludo e porcelana do tatear das mãos de amor
Pérola e magia dos airosos olhos de um guerreiro
E nesta réstia que corta e atravessa a cordilheira
O
SOBREIRO/O ROBLE
Milamarian e
Alejandro
Suavemente descera a cordilheira folhas em sorrisos
sem cordões, nem laçarotes rumo à terra distante
enaltecido pelas ramas qual senhor de um mirante
onde o azul-céu de encontro ao mar formava um friso.
Fortemente crescera á beira rio
folhas em verde riso
rio alcança ao mar e
navega lusitano a terra distante
valente enfrenta o oceano
em caravela a todo instante
além da união azul mar-céu,
pisa terra, alegre sorriso.
À vereda, cingindo a cerejeira em diamantes, adentrara
troncos fortes refletindo à primavera tanto e tanto amor
no solo de vidrilhos naquele dia recolhera ali a sua flor
e toda a seiva de glórias somente e só a ela entregara.
Na estrada, o forte roble dobra mas
não parte, germinara!
três troncos fortes semeando na
nova terra tanto mais amor
tendo elegido a mais diferente das
flores, uma exótica flor
e formou a família entre glórias,
por ela vivera se entregara
Raízes, em dourado cravejadas, deitaram ao chão
um olhar, espelho d'água refletindo seara e fonte
nascente e riacho descendo a vertente num'oração.
Banhado em versos dourados
hoje enchem a sua mão
num olhar no horizonte, pensamento
naquela fonte
uma dos afluentes em que pende sua
eterna oração
Um sobreiro devotando toda prata por sua semente
o grão germinando à jardineira, aos vales e montes
à sombra majestosa, do extremo leste ao poente.
O roble perde um pouco sua força
ante aquela semente
no desejo que estivesse no jardim e
não além do monte
para dela cuidar sob sua
sombra...mais perto somente.
Japão em 16 de julho de 2007.
Portugal em 16 de julho de 2007.
ADEUS ÀS ARMAS
Milamarian
Ainda que as navalhas cortem em pequenos
golpes
desdourando o volátil óleo das minhas
entrelinhas
e repousem assim as minhas luvas na
escrivaninha
fartar-te-ei os olhos c'o púrpura sobre o
envelope.
Guarde o papel machê mais uma nova escrita
sem lauréis ou por cordões de ouro
tracejada
carregando apenas a cor que verte a
alvorada
de meu delgado macro que em amor gravita.
Aos panos alcancem e recordem aquelas
tendas
onde os diamantes revertem em brilho
infinito
o inaudito descrito a pena sem rasura ou
emenda
e tombem assim a fechada porta em dormência
naquele décimo de segundo de um só
sustenido
alcançando a serra e tanto amor então me
vença.
Japão em 04 de junho de 2007
DEI GRATIA
Milamarian
Edificarei as ruínas deste templo infundindo Tua aragem
que
nas sendas desta terra entre o mar e o negro lodo
preencheram aquelas fendas com a purpúrea cor do fogo
e insuflaram assim as túnicas inertes na última paragem.
Ritmada ao ar que paira nas searas em plena adoração
respira
minh'alma novamente a brisa de Teu sussurro
que
aflando as flores nas alamedas foi o suave arrulho
a
acordar em borbulhas os meus olhos em Tua remissão.
Remígio
que aquece e assim me eleva às finas cristaleiras
silvam
hoje minhas renascidas asas em Teu solo sagrado
para
ajoelhar as folhas e os cristais desta flor de cerejeira,
e
aspirar então a claridade de Teus céus e a vastidão da luz
sentindo
o sol e a lua que me devolveste no minuto nacarado
pelo
diáfano prelúdio de Tuas mãos que sempre me conduz.
Japão em
01 de junho de 2007
MESTRE E APRENDIZ
PRIMITIVO E DERIVADO
SEM MAIS DORES
PAPAGAIO DE PAPEL
Tua voz Milamarian
Acalento à minh’alma nos dias daquela infância Afagando passarelas qual orquídea a desabrochar Em pautas harmoniosas, no meu ser o solfejar De tantos acordes infiltrados nas reentrâncias.
Voz de primavera que em beijos me aplaudira e em terna nota abrandara a tarde daquele dia recitando a prece, beijos aos olhos de alegria com o sabor da branca flor que a mim sorrira.
Som do aconchego da fonte pura e cristalina que descendo a serra irrigara vales desertos e em cascata repousara amor nesta menina,
ora só te ouço neste firmamento que em pranto não ostenta mais o viço, está preso e encoberto pelas palavras deitadas naquele teu último canto.
Japão em 09
de maio de 2002
TEUS OLHOS NOS MEUS
Milamarian
Adentre agora em minh'alma o sol por
aquela fresta
acentuando o azul das varandas
entrelaçadas ao rio
onde o brilho das mansas brumas a correr
no meio-fio
escorregam a súplica dos teus
olhos e aqui se manifesta.
Contestara minha palma à dádiva de tão
doce olhar
que no clarear do novo dia fizera dos
meus adendo
concluindo e fechando o livro do último
momento
e em suspiro entregara-me flores a
desabrochar.
Principiem agora ondas de um mar de
calmaria
encrespando então qual suave voz nas
enseadas
e assinalem em teu brasão esta minha
idolatria,
aqueçam os timbres e os sons das cítaras no
anel
em retilíneos cantos rumo à sagrada
coordenada
encapelem assim no meu, o olhar de um
Coronel.
Japão em 05 de junho de 2007
Anéis de Saturno
Em agosto de 2007.
Nada é impossível
Milamarian
Perguntaste tu se era
possível
dizer te amo, sorrir de olhos cerrados e na concha dos dedos entrelaçados, deste-me a seiva em devoção visível.
Tuas grisalhas mechas no
momento
brilharam qual a neve sobre o monte cruzando a terra ao novo horizonte em lenitivo cobriram teu rebento.
Ora te digo: "À luz que tu
carregas,
a gota de teu frasco pleno de amor (aos meus favos) é lavanda que não seca,
anoitece o ontem e o dia
depressa
ouve o gorjeio orvalhar em nova cor na sonata que ao teu anil se manifesta."
Em 27 de abril de 2008.
Do Ventre Teu, Meu Cerne E
Sangue
Milamarian
Quisera nas palavras poder
exteriorizar
a verdadeira adoração que por ti eu tenho, contudo, ante teu esplendor eu me atenho nas mudas palavras por tanto te amar.
Videira em flor que me
emancipara em dor
o teu púrpura orvalha ainda o amarelo ipê quando deitaste tua alva cor naquele vergê onde a vida fora concebida por dois em amor.
Bendito é teu ventre, quando o
lis pende
sem exaurir o regato onde corre tua seiva e prostrado em gratidão, te louva e rende,
alma e cerne, pois que só tu
podes saber
que o encarnado que arde e me serpenteia é da fonte onde à beira me prostro até morrer.
Em 10 de maio de 2008.
Ao pé do ouvido
Milamarian
Exuberância... ali desmaia
e eu...olhos postos no encanto do murmurante e doce canto a ti exclamo: sou dele a praia!
E tu? Singela flor que embriaga
com o rubor da tua existência Bem sabes que tu és a essência desta minh'alma enamorada!
Tinges a face, dizes serena:
"a imensidão só tu decoras aqui dentro...és minha pequena!"
e o meu sorriso nacarado
volta à seara, à tua aurora ao azul do chão imaculado! Em 12 de março de 2008.
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