LILLY
Milamarian



Lírio que exala no perfume o suspiro dolente
revelados pelo suave balouçar de suas folhas
tão rente aos pés daquela fonte, sem escolha
descreva no alvor, o segredo em mim dormente.




Apara em tua pétalas de minh’alma o temor
dos sonhos devolvidos reescreva no horizonte
as palavras nunca ditas pois o sol já se esconde
e deságüa em mim a prece daquele meu amor.




Sublime flor que acompanha com zelo o olhar
da alma peregrina que no espelho se converte
à saudade do poente e se cala ante o verde-mar.




Verta agora em cristais, meu destino nesta serra
empresta a mim a luz da lua e da dor então liberte
este canto magoado que fere os céus e minha terra.

 

 
 

CORONEL
Milamarian



É teu o semblante neste lenço de saudade
envolvendo minh'alma nos degraus da lembrança
e o cântaro em meu peito feito de tua fragrância
em almíscar que hoje carrego e a senda invade.

 

Veludo e porcelana do tatear das mãos de amor
veraneando os negros cabelos naquela melodia
à brisa, oscilam o sândalo que corre na pradaria
recordando a infinda canção da voz em dulçor .

 

Pérola e magia dos airosos olhos de um guerreiro
palmilham estas minhas searas e todas as veredas
onde me encaminho, iluminam qual um candeeiro.

 

E nesta réstia que corta e atravessa a cordilheira
sinto a sombra da folha que acolhe a nobre seda
hospedando no sorriso, o olhar de uma cerejeira.



Japão em 23.04.2007



 

O SOBREIRO/O ROBLE
Milamarian e Alejandro
 
Suavemente descera a cordilheira folhas em sorrisos
sem cordões, nem laçarotes rumo à terra distante
enaltecido pelas ramas qual senhor de um mirante
onde o azul-céu de encontro ao mar formava um friso.
 
 
Fortemente crescera á beira rio folhas em verde riso
rio alcança ao mar e navega lusitano a terra distante
valente enfrenta o oceano em caravela a todo instante
além da união azul mar-céu, pisa terra, alegre sorriso.
 
 
À vereda, cingindo a cerejeira em diamantes, adentrara
troncos fortes refletindo à primavera tanto e tanto amor
no solo de vidrilhos naquele dia recolhera ali a sua flor
e toda a seiva de glórias somente e só a ela entregara.
 
 
Na estrada, o forte roble dobra mas não parte, germinara!
três troncos fortes semeando na nova terra tanto mais amor
tendo elegido a mais diferente das flores, uma exótica flor
e formou a família entre glórias, por ela vivera se entregara
 
 
Raízes, em dourado cravejadas, deitaram ao chão
um olhar, espelho d'água refletindo seara e fonte
nascente e riacho descendo a vertente num'oração.
 
 
Banhado em versos dourados hoje enchem a sua mão
num olhar no horizonte, pensamento naquela fonte
uma dos afluentes em que pende sua eterna oração
 
 
Um sobreiro devotando toda prata por sua semente
o grão germinando à jardineira, aos vales e montes
à sombra majestosa, do extremo leste ao poente.
 
 
O roble perde um pouco sua força ante aquela semente
no desejo que estivesse no jardim e não além do monte
para dela cuidar sob sua sombra...mais perto somente.
 
 
 
    Japão em 16 de julho de 2007.
 Portugal em 16 de julho de 2007.

 

 

 

 

ADEUS ÀS ARMAS
Milamarian
 
 
 
Ainda que as navalhas cortem em pequenos golpes
desdourando o volátil óleo das minhas entrelinhas
e repousem assim as minhas luvas na escrivaninha
fartar-te-ei os olhos c'o púrpura sobre o envelope.
 
 
 
Guarde o papel machê mais uma nova escrita
sem lauréis ou por cordões de ouro tracejada
carregando apenas a cor que verte a alvorada
de meu delgado macro que em amor gravita.
 
 
 
Aos panos alcancem e recordem aquelas tendas
onde os diamantes revertem em brilho infinito
o inaudito descrito a pena sem rasura ou emenda
 
 
 
e tombem assim a fechada porta em dormência
naquele décimo de segundo de um só sustenido
alcançando a serra e tanto amor então me vença.
 
 
 
Japão em 04 de junho de 2007
 
 

 

DEI GRATIA
Milamarian
 
 
 
Edificarei as ruínas deste templo infundindo Tua aragem
que nas sendas desta terra entre o mar e o negro lodo
preencheram aquelas fendas com a purpúrea cor do fogo
e insuflaram assim as túnicas inertes na última paragem.
 
 
 
Ritmada ao ar que paira nas searas em plena adoração
respira minh'alma novamente a brisa de Teu sussurro
que aflando as flores nas alamedas foi o suave arrulho
a acordar em borbulhas os meus olhos em Tua remissão.
 
 
 
Remígio que aquece e assim me eleva às finas cristaleiras
silvam hoje minhas renascidas asas em Teu solo sagrado
para ajoelhar as folhas e os cristais desta flor de cerejeira,
 
 
 
e aspirar então a claridade de Teus céus e a vastidão da luz
sentindo o sol e a lua que me devolveste no minuto nacarado
pelo diáfano prelúdio de Tuas mãos que sempre me conduz.
 
 
 
 
Japão em 01 de junho de 2007

 

 

MESTRE E APRENDIZ
Milamarian

 


Sorriso em flores ora semeiam no chão
onde o solo tremera ante aquele egoísmo;
uma estrela sem brilho a gemer em lirismo
no verso mortal a magoar o seu guardião.

 


Afastam-se com a dor cravada na essência,
a cadente nos céus rumo a outra dimensão
fugia ela da vida, o mestre na contramão
tentando retomar aquela circunferência.

 


Ele então embalou a suave e velha cantiga
no leito onde a semente quis se deitar;
e ao badalar do bronze naquela ermida,

 


abriu os olhos dela ao novo horizonte
que no verbo era bálsamo a irrigar
em água sagrada daquela única fonte.

 



Japão em 19 de junho de 2007
 

PRIMITIVO E DERIVADO
Milamarian

 



Galgaram prados, descendo vales, dois caminhantes
de pés descalços em terra firme pisando no solo forte
onde raízes resistiram ao açoite daquele vento norte
que entre curvas assim turvava qualquer mirante.
 


Subiram serras, adentrando pelas sombrias sendas
de mãos atadas àquela mágoa que os maltratava
achando direito preservar ainda fechada a aldrava
que escorava, cerrava muros e quaisquer fendas.
 


Ontem demarcaram verdes campos e o próprio espaço
em negras tintas manchando o painel daquele poente
que ficou marcado com palavras rudes e erros crassos,
 


mas o mesmo verbo qual navalha a dilacerar o peito
que lavrou em brasa o selo de prata e o procedente
enfim calou, sobressaindo então o amor e o respeito.


Japão em 13 de junho de 2007.

 

SEM MAIS DORES
Milamarian




A ti me apresento, sou pululante orvalho
no silêncio das cachoeiras que se modelam
em ondas na esplanada fecho esta janela
seco ao sol enfim as pérolas deste relicário.



Aporto sem embaraço em meu sólido cais
aprofundo minhas âncoras no porto sagrado
e me guio pelos ventos que nos alambrados
debruçaram minhas velas em madrigais.



Amarrei o algoz , fecho as portas do celeiro
olhando a cruz agradeço ser-te o mundo
e me lanço à tua luz, meu único luzeiro,



que abrilhanta o som e a cor da cerejeira
no ouro e na prata em todo e qualquer segundo
num só letreiro lavrado com nossa seiva.



Em 26 de setembro de 2007.

 

PAPAGAIO DE PAPEL
Milamarian




Quisera ser naqueles céus apenas torvelinho
de carinho e lembranças sem rumo ou destino
espalhar em doce orvalho as gotas onde reclino
esta minh’alma solitária, voltar aquele ninho.



Alcançar-te-ia nas colinas mais distantes
e num abraço sem esforço aos teus sonhos
adormeceria as cores deste canto enfadonho
entregando à luz do sol a lua em mim minguante.



Ser-te-ia o pedaço daquela fina seda em papel
brilhando no tempo_espaço o azul dos olhos teus
e o sorriso destes lábios gravado em jaspe no dossel.



Pudesse então sobrevoar em beijos aquela primavera
Ornar-te-ia os cabelos com o adorno do canto meu
e no celeste firmamento, o vitral que teu nome reverbera.




Japão em 09 de maio de 2002


Tua voz

Milamarian

 

 

 

Acalento à minh’alma nos dias daquela infância

Afagando passarelas qual orquídea a desabrochar

Em pautas harmoniosas, no meu ser o solfejar

De tantos acordes infiltrados nas reentrâncias.

 

 

Voz de primavera que em beijos me aplaudira

e em terna nota abrandara a tarde daquele dia

recitando a prece, beijos aos olhos de alegria

com o sabor da branca flor que a mim sorrira.

 

 

Som do aconchego da fonte pura e cristalina

que descendo a serra irrigara vales desertos

e em cascata repousara amor nesta menina,

 

 

ora só te ouço neste firmamento que em pranto

não ostenta mais o viço, está preso e encoberto

pelas palavras deitadas naquele teu último canto.

 

 

 

Japão em 09 de maio de 2002
 

 

TEUS OLHOS NOS MEUS
Milamarian
 
 
 
 
Adentre agora em minh'alma o sol por aquela fresta
acentuando o azul das varandas entrelaçadas ao rio
onde o brilho das mansas brumas a correr no meio-fio
escorregam a súplica dos teus olhos e aqui se manifesta.
 
 
 
Contestara minha palma à dádiva de tão doce olhar
que no clarear do novo dia fizera dos meus adendo
concluindo e fechando o livro do último momento
e em suspiro entregara-me flores a desabrochar.
 
 
 
Principiem agora ondas de um mar de calmaria
encrespando então qual suave voz nas enseadas
e assinalem em teu brasão esta minha idolatria,
 
 
 
aqueçam os timbres e os sons das cítaras no anel
em retilíneos cantos rumo à sagrada coordenada
encapelem assim no meu, o olhar de um Coronel.
 
 
 
Japão em 05 de junho de 2007

Anéis de Saturno
Milamarian
 
 
 
 Anéis mesclando em finos beirais
 mar ao céu, fogo à terra em véu
 espalhando na esfera doce mel
 cascateiam minh'alma em cristais.
 
 
 Espiralando a seara em luminária
 lavam a serra em labareda de vulcão
 um lago nos trigais sem sim e não
 numa despedida qual triste ária.
 
 
 Sorvo em teus elos a última utopia
 que antecede os meus passos
 por novas vertentes em romaria,
 
 
 deixando-me guiar nesta maresia
 esta ida a outro tempo_espaço
 numa mescla de tristeza e alegria.

 

Em agosto de 2007.
 

 

Nada é impossível
Milamarian
 
 
 
Perguntaste tu se era possível
dizer te amo, sorrir de olhos cerrados
e na concha dos dedos entrelaçados,
deste-me a seiva em devoção visível.
 
Tuas grisalhas mechas no momento
brilharam qual a neve sobre o monte
cruzando a terra ao novo horizonte
em lenitivo cobriram teu rebento.
 
Ora te digo: "À luz que tu carregas,
a gota de teu frasco pleno de amor
(aos meus favos) é lavanda que não seca,
 
anoitece o ontem e o dia depressa
ouve o gorjeio orvalhar em nova cor
na sonata que ao teu anil se manifesta."
 
 
 
Em 27 de abril de 2008.
 

 

Do Ventre Teu, Meu Cerne E Sangue
Milamarian
 
 
Quisera nas palavras poder exteriorizar
a verdadeira adoração que por ti eu tenho,
contudo, ante teu esplendor eu me atenho
nas mudas palavras por tanto te amar.
 
 
Videira em flor que me emancipara em dor
o teu púrpura orvalha ainda o amarelo ipê
quando deitaste tua alva cor naquele vergê
onde a vida fora concebida por dois em amor.
 
 
Bendito é teu ventre, quando o lis pende
sem exaurir o regato onde corre tua seiva
e prostrado em gratidão, te louva e rende,
 
 
alma e cerne, pois que só tu podes saber
que o encarnado que arde e me serpenteia
é da fonte onde à beira me prostro até morrer.
 
 
Em 10 de maio de 2008.

Ao pé do ouvido
Milamarian
 
 
 
Exuberância... ali desmaia
e eu...olhos postos no encanto
do murmurante e doce canto
a ti exclamo: sou dele a praia!
 
E tu? Singela flor que embriaga
com o rubor da tua existência
Bem sabes que tu és a essência
desta minh'alma enamorada!
 
Tinges a face, dizes serena:
"a imensidão só tu decoras
aqui dentro...és minha pequena!"
 
e o meu sorriso nacarado
volta à seara, à tua aurora
ao azul do chão imaculado!
 

Em 12 de março de 2008.
 

 

 

This work is licensed under a

Midi - Raphael Veronese

 

 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
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