Eu
tenho uma fita de mim mesma, com uns dois aninhos, no berço escutando
Another Day.
Aliás,
antes disso, minha mãe me fazia dormir escutando Paul McCartney.
Na barriga dela eu já ouvia muito Beatles e ela gosta deles desde antes mesmo que eu pudesse me entender por gente. Por isso, minha história com os Fab Four não tem um começo propriamente dito, porém tem quando eles realmente passam a fazer parte ativa na minha vida. E não foi pela minha mãe, eles vieram por eles mesmos. E ficaram.
Depois que eu cresci, minha mãe parou de ouvir Beatles e eu cresci ouvindo muita coisa diferente. Por isso, como a maioria das pessoas, eu sempre soube quem foram os tão famosos Beatles, mas não sabia nada da sua história ou sua música. Sabia que eles eram uma banda que mudou o mundo, mas não sabia como e porque e eu fiquei catorze anos assim.
Em janeiro de 2001, eu fiz uma viagem à Inglaterra, onde fiquei por um mês estudando. Meu professor levou o violão para aula algumas vezes e tocou I wanna hold your hand, All my loving, músicas que eu sabia cantar e não sabia porque! Eu nem sabia de quem eram! Pode parecer ridículo, mas eu sempre senti assim, que eles entraram na minha vida por mais pura e estúpida coincidência ou que mais cedo ou mais tarde eu ia acabar virando beatlemaníaca de qualquer jeito. No último dia de aula, ele tocou Imagine e Yesterday (essa eu sabia de quem era!) e eu pensei como seria bom ter um cd que teria as duas músicas (eu já cometi o erro de pensar que Imagine era dos Beatles, depois eu ia rir de mim mesma, pensando que eu dificilmente iria ver essas duas músicas num mesmo disco). Mas a idéia ficou por aí até eu visitar a Virgin de Londres, de onde eu não saia sem meu próprio cd genuinamente inglês.
Peguei três, desistindo de um de cara, por causa do preço. Um com a capa vermelhinha me chamou atenção: “epa, achei um cd dos beatles! Tem Yesterday, mas não tem Imagine. Hm me parece interessante, vou levar”. Estava então decidido o One e o cd da All Saints, mas lá no caixa eu converti as libras em real e em mente sã eu não pagaria mais de sessenta reais por dois cds nunca. Eu tinha que escolhi um e, sinceramente, eu não sei porque eu peguei o dos Beatles. Não conhecia a banda direito, porque eu levei o disco deles? Não sei. Pode ser porque eu queria algo novo mesmo, ou porque eu poderia encontrar o outro facilmente aqui no Brasil (depois eu descobriria que o One também), mas o mais importante é que foi a escolha mais certa que eu já fiz.
Gostar de Beatles é uma verdadeira bola de neve. Escutei uma vez o disco, achei muito legal! Primeiramente apenas a primeira metade, bem anos sessenta. Depois se começa a decorar o disco, querer outros. Aí procura uma ou outra foto, quer mais. Uma entrevista, um livro, uma reportagem, uma revista. Hoje eu penso nisso tudo e chego na conclusão que eu sempre sou mais beatlemaníaca do que era ontem, mas menos do que serei amanhã. Ontem eu achava ridículo porque não antes eu não identificava cada um em uma foto.
Hoje acho ridículo que ontem eu não sabia diferenciar suas vozes. Eu não sei como vai ser amanhã, mas estou muito feliz com o rumo das coisas. Esses tais de “bítous” deram realmente outro colorido e tantas experiências e amigos que eu às vezes penso que não existe vida antes da beatlemania. Brincadeira, mas com eles vieram amigos, vontades, inspirações. Eles foram a causa maior que comecei a tocar violão, aprimorar meu inglês, querer ir morar na Inglaterra. Eles também trouxeram muita alegria, muitos sorrisos e lágrimas também. Muitas pessoas não entendem, mas eles são pessoas incríveis, quero mais bem a eles do que a mim mesma. De repente, eles começam a fazer parte da sua vida e ficam tão próximos quanto melhores amigos. São sem dúvida a maior e melhor influencia que jamais vou ter pra qualquer um dos meus planos.
Sou beatlemaníaca com orgulho e digo isso com prazer. Agora eu entendo como aqueles quatro rapazes de Liverpool mudaram o mundo. Eles foram, são, sempre vão ser especiais. Quantas bandas você conhece que fazem sucesso mais de trinta anos depois que acabou? E que tem fãs fanáticos que nasceram depois mesmo de um dos integrantes terem falecido? Não tem como explicar. Não tem como entender. Simplesmente acontece! Por isso, eu digo que eles são especiais, eles conseguiram fazer algo que nem tempo destrói.
Aqui, depois de tudo isso, é que eu tenho que agradece-los e muito! Por terem feito minha vida tão mais especial, mais gostosa. Hoje, fico eu aqui no computador escutando, por exemplo, o Rubber Soul enquanto lá no quarto minha mãe escuta o Revolver (nossos vizinhos já devem estar loucos). A beatlemania dela voltou com tudo e ela mesma já virou pra mim pra dizer como a gente se sente especial só por gostar deles. Tenho que agradecer a ela, por me mostrar que eles estão na minha vida desde sempre.
Agradecer a meu pai, que me dá um cd sempre que eu peço com aquele jeitinho bem de filhinha.
Agradecer
o Ringo, pelas batidas naquela bateria que só ele sabe fazer e que
me fazem dançar em baixo do chuveiro.
O
Paul por ter enchido minha vida com as palavras e sonhos mais belos.
O
John por me deixar admira-lo, sentir sua falta e também me confortar
com suas composições. O George por também deixar eu
sentir sua falta como nunca e por me fazer pegar naquele violão
e tocar até não agüentar mais, só pra um dia
eu soltar pelo menos um acorde como o dele.
Deixarem-me
chorar por eles. Agradecer muito aos quatro, porque eu não sei o
que seria de mim hoje sem eles. E mais ainda a Virgin de Londres, porque
sem ela eu não estaria ouvindo o One exatamente agora, com muita
saudade de quem eu carinhosamente chamo de “meus meninos” e cantando Let
it be.