O Show dos Beatles no Brasil! 
(Calico Skies  09-03-02)
 
 
  

Maracanã, 15 de setembro de 2001  

Mais uma vez, o estádio estava lotado. O último show dos Beatles arrastou mais de 200 mil pessoas para o estádio do Maracanã no último sábado. Nesta matéria super especial você confere como foi  
essa viagem mágica e misteriosa que o grupo mais famoso do universo fez pelo Brasil.  

por Calico Skies  
  

A chegada 
 
 

John, Paul, George e Ringo chegaram ao aeroporto internacional, no Rio de Janeiro, dia 13 de agosto exatamente às 15 horas. Os fãs estavam eufóricos; afinal, é a primeira vez que o conjunto vem ao  
Brasil. Havia cerca de 20 mil pessoas esperando para saudá-los.  

Eles seguiram até o hotel e ficaram trancados lá até o dia seguinte, onde tomaram sol em Angra dos Reis, num iate emprestado por Mick Jagger (que está coincidentemente no Rio com seu novo filhinho).  
Ficaram hospedados na mansão que Paul resolveu comprar por lá por alguns trocados. Ficaram em Angra até sábado de manhã, quando pegaram um helicóptero para o Rio.  
  

Os preparativos 
 

Todos estavam muito agitados esperando por eles. Ringo estava com dor de barriga, de tanto nervosismo. No entanto, eles desceram para o hall do hotel, onde deram uma coletiva para a imprensa (que foi transmitida no Fantástico no último dia 16). Confira alguns trechos da entrevista:  

O que vocês pretendem tocar no show de hoje à noite? 
John: Ah, as de sempre. 'Satisfaction', 'Born To Be Wild'... (risos) 
Paul: Também pretendemos homenagear vocês tocando um cha-cha-cha! 
George: Paul, é samba!  

Vocês estão mais velhos. E agora, com sinceridade: vocês usam peruca? 
Ringo: O único que continua usando é o Paul.  
 
  

A grande noite 
 
 

Os quatro subiram ao palco precisamente às 22 horas. Ringo foi o primeiro, mas como deixou cair suas baquetas, teve que voltar para pegá-las. Paul e John foram os mais simpáticos, acenando para o  
público, enquanto George permanecia quieto, apenas carregando a sua guitarra. John cumprimentou todos com um "bóa noitch", levando a galera à loucura. O palco era todo em cores psicodélicas, com três grandes telões, o que permitia ao último fã ver que acordes Paul fazia no piano.  

Eles abriram o show com 'Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band', seguida de 'With a Little Help from My friends'. Que show! Quem viu não acreditou: Paul subiu no palco da bateria e começou a  
tocar 'Birthday'! Ringo tocou piano, John guitarra e George contra-baixo. Eles nunca tinham feito isso! Que fantástico!  

Depois eles voltaram cada um para seu respectivo instrumento, e Billy Preston, que estava nos teclados, começa a introduzir 'Real Love' no show. O público vai ao delírio com o solo de guitarra que  
George executou. No telão, imagens do ex-empresário dos Beatles, Brian Epstein. Realmente emocionante. Mal o público acabou de aplaudir, George dedilha as primeiras notas de 'Ticket To Ride' em sua guitarra. Os gritos quase abafam a música, de tão altos e profundos. John cantou como há muito não fazia, com aquela sua voz rasgada. Essa com certeza foi uma das músicas mais aplaudidas do show.  

Em seguida vieram mais três agitadas: 'Taxman', numa interpretação magnífica de George, 'All My Loving' e 'A Hard Day´s Night' (há quanto tempo!). A última desse set foi 'Help!', que definitivamente  
levou o público a uma nostálgica viagem aos anos 60. No telão, imagens da Beatlemania.  
 
  

O set acústico 
 
  

Depois de uma parada de cerca de dez minutos (que levou muita gente a beber água, de tanto gritar), os Beatles voltaram apenas com seus violões e uns banquinhos. Atrás, podia ver-se uma grande orquestra para acompanhá-los. O público mal podia esperar para ver o que estava por vir.  

Sem preparação nenhuma, George começa a dedilhar 'Blackbird'. Paul, com sua voz doce, arranca suspiros de todas as garotas (mães, senhoras, avós, filhas, netas) da platéia.  

Em seguida vem George com sua 'While My Guitar Gently weeps', o que foi uma surpresa, já que a marca registrada dessa música é o solo de guitarra colocado por Eric Clapton. Elers estavam se superando.  
Então vem 'Act Naturally', com Ringo nos vocais. Era um repertório bem eclético.  

John, como não poderia deixar de ser, teve seu momento. Ele disse: "finalmente o Paul vai me deixar cantar". Quem entendeu na platéia começou a rir. E ele fez por merecer. Começou com 'Norweggian Wood', seguida de 'You´ve Got To Hide Your Love Away'. O set acústico continuou com Paul e sua 'Michelle', que foi uma das músicas mais aplaudidas desse set. Depois John cantou 'Dear Prudence', mostrando que os três ainda estavam afiados nos vocais.  

Paul tocou 'I´ll Follow The Sun' e fechou com a balada 'Yesterday'. O público aplaudiu de pé (como se alguém ainda estivesse sentado) por cinco minutos.  
 
  

Back in the USSR 
 
  

Então eles voltaram com suas guitarras. Felizmente o show parecia não terminar tão cedo. Eles abriram com 'Twist And Shout'. Embora John começasse cantando bem, a partir do segundo "aaaahh" ele já não conseguiu prosseguir. Paul e george tiveram que segurar a barra, o que aconteceu de maneira majestosa.  

Em seguida, sem falar com o público, eles tiram do ar 'Paperback Writter', que agitou ainda mais o pessoal. As músicas que vieram em seguida devem ter causados desmaios em muita gente: 'Day  
Tripper', 'She Loves You', 'Please Please Me', 'I Want To Hold Your Hand', 'Drive My Car' e 'Can´t Buy Me Love'.  

Agora vem a parte que com certeza foi a mais legal do show; são músicas que eles nunca tocaram ao vivo nos anos 60, com algumas exceções. São elas: 'Tomorrow Never Knows', 'Nowhere Man', 'Don´t  
Let Me Down', 'Eight days a Week', 'Come Together', 'I Need You' e Paul numa fascinante interpretação de 'Helter Skelter', mostrando que sua voz resiste ao tempo.  

Ainda teve tempo de fazer 'Dig a Pony', 'Get Back', 'If I Needed Someone', 'We Can Work It Out', 'Ob-la-di, Ob-la-da', 'Octopu´s Garden' e 'Something'. O set foi fechado com 'I´m Down', mostrando  
um Paul McCartney realmente empolgado.  
 

 
Let it be 
 
  

Depois de uma grande pausa, a orquestra tocou uma versão instrumental de 'Eleanor Rigby' (provavelmente para os quatro darem uma boa descansada), e então eles voltaram para o palco.  

Paul foi direto para o piano. John tocou violão e george, claro, guitarra. Klaus Voorman, amigo dos Beatles desde os tempos de Hamburgo, entrou no palco para tocar contra-baixo no lugar de Paul.  

Todas as luzes se apagaram, o que levou a platéia ao delírio.  

'The Long And Winding Road' abriu o último set do show. Foi seguida de 'I Am The Walrus', com a voz rasgada de John. Veio então um momento emocionante: Paul tocou 'Let It Be', dedicando-a a Linda. A  
imagem de seu rosto ficou estampada no telão durante toda a música. Paul começou a chorar a partir do segundo verso, o que fez John improvisar e cantar em seu lugar. Ele errou as notas no piano, pois  
provavelmente não estava em condições de tocar, mas tudo bem, porque Billy Preston estava por perto para socorrê-los.  

Quando a música terminou, Paul fez uma declaração apaixonada à Linda e agradeceu ao público pela compreensão. Já recuperado, tocou 'Penny Lane' e 'The Fool On The Hill'. Logo depois veio 'Strawberry Fields Forever', de John. Essa música foi muito aplaudida, e com certeza foi um dos melhores momentos do show, apesar de John desafinar no refrão.  

O show estava terminando, mas eles não podiam ir embora sem tocar duas músicas. A primeira foi 'A Day In The Life'. A orquestra trabalhou muito bem, embora diferente do disco. John cantou com sua  
voz característica e Paul fez sua parte no meio. Se já estava bom, ficou ainda melhor. Depois de uma pequena pausa para o público pensar que o show já havia acabado, eles voltaram para o bis  
tocando 'Hey Jude', que com certeza foi a música mais esperada do show.  

Depois da música, os quatro deram as mãos e agradeceram ao imenso público que acompanhou o show durante duas horas cantando palavra por palavra. Se foi emocionante pra gente, imagine pra eles. Antes de ir embora, Paul ainda encontrou tempo para um "até breve", que deixa no ar uma promessa de volta dos FAB para os palcos brasileiros. 

 
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