
Dessa parte da saga, me lembro
pouco, memórias vagas.
Era apenas uma criança,
nascida em 80, de pais dos anos 60. Lembro de pegar um LP do
meu pai, de um grupo chamado
"A cor do som" e escutar a versão que eles cantavam para
Sgt.
Pepper´s Lonely Hearts Club Band, Sargento Pimenta, do disco
Magia Tropical (versão
escrita por Gilberto Gil).
Lembro de histórias
que meu pai contava (ou ele me contava ou eu já era Beatlemaníaca
na
minha vida passada), sobre
John, Yoko, Cynthia, George, Paul, Ringo, enfim... parece que
já os conheço
a vida toda.
Também nesse período,
logo que compramos nosso primeiro CD Player (atual habitante do
meu quarto), meu pai costumava
comprar CD´s à beça, e eu e meu irmão enfiávamos
tudo
o que podia no carrinho.
Numa dessas vezes (93), meu irmão pegou o "Pepper", ficou na
dúvida se levava
ou não. Eu disse "Se é Beatles, deve ser bom, Nando" (é
que eu tinha em
mente que Beatles se resumia
a Twist and
Shout!)
Tenho lembrança de
uma brincadeira na escola, a "tia" pediu que cantássemos uma música
com "baby" na letra, e lá
foi nossa equipe cantar "oh shake no baby" (popularmente cantada
desta forma: "well shake
it up baby...", Twist and Shout.
Nessa mesma época,
tinha verdadeiro pavor de assistir Imagine, de medo do John.
Nos flashes do filme, aparecia
o clip do "The
Ballad of John & Yoko" , com ele todo de
branco, magrelo que só
vendo, cabeludo... e eu sabendo que ele já tinha morrido.
Tinha certo pavor de gente
morta.
Até hoje ainda tenho...
Capítulo 2 - All my loving
Não lembro de quando
ou por que, mas uma tarde dessas, há uns 9 anos atrás, fui
a
uma locadora, e aluguei
o tão temido Imagine e mais um outro filme sobre The Fabs.
Depois disso, as coisas
aconteceram muito rápido, e quando dei por mim, já estava
catando tudo relacionado
a Beatles que meu pai tinha. Não era muito. Praticamente
nada. Três vinis com
as músicas deles em karaokê, uma fita da Joan Baez cantando
"Eleanor
Rigby" e uma fita do "All the best" do Paul. Claro, o Pepper
que meu irmão
tinha comprado e que estava
encostado havia algum tempo. "Vivi" com isso por algum
tempo.
Lembro que na minha antiga
casa, tinha uma caixa de som no banheiro, então, na
hora do
banho, ligava o som e ficava ouvindo rádio. Numa dessas vezes, tava
no meio
de um
banhão, e de repente, (se não me engano, foi na Transamérica,
que não existe
mais por aqui) eles fizeram
um especial com músicas dos quatro cabeludinhos.
Nossa... corri ensopada
até a sala, peguei a primeira fita que vi e gravei tudinho.
Foi a glória! Devia
ter guardado essa fita...
Acho que o primeiro CD que
comprei foi o Hard
Day´s Night. Lembro da situação, de estar
na loja com Hard Days e
Help na mão e ter que escolher entre um dos dois. Se fosse hoje,
provavelmente daria um jeito
de comprar os dois, já que não tenho como escolher entre
esses discos. E a coisa
toda foi tomando proporções incríveis, até
eu ser expressamente
proibida de ouvir Beatles
(isso realmente aconteceu), e foi engraçado por que nesse tempo,
eu escutava no walkman,
ou com fone de ouvido, agindo como se tivesse fazendo algo
ilegal, na surdina.
Ano passado, tive um dos
melhores momentos "beatlemaníacos". Fui ao cinema, assistir
"A Hard Day´s Night".
Estava em cartaz no cinema do CIC (teatro) era sessão de fim de
semana, não ficou
em cartaz muito tempo, e ainda por cima, o horário era o mais tarde
possível. Ainda assim,
saí sozinha e fui assistir. O filme é super, eu estava louca
pra
assistir, mas a parte emocionante
não foi essa, foi ver o cinema praticamente lotar,
na hora das músicas,
todo mundo cantando baixinho... foi lindo, nunca tinha estado em
um lugar com tanto beatlemaníacos!
Fantástico!
Capítulo 3 - Medley : Can´t buy me love/ Baby you´re a rich man
É humanamente impossível
gostar desses carinhas e manter um dinheirinho a mais no
bolso. Ô banda cara!!!
Sempre que vejo algo "interessante", faço das tripas coração
para
comprar. CD´s oficiais,
tenho todos. Alguns do John, outros poucos do Paul e dois do George.
Não tenho nada do
Ringo (por enquanto). Eu literalmente "babo" quando sei de gente que
tem imensas coleções,
raridades, ou que esteve em Liverpool... (sonho de "consumo"!
Depois que for a Liverpool,
a próxima rota é Índia - olha a influência do
George aí, gente!)
No fim de 2001, estava economizando
um trocado. Passei na frente de uma livraria, e lá
estava o "big black book"
(também conhecido como Antologia). Nem pensei muito e comprei.
Sobrou "troco" pra comprar
o "All things
must pass" (tinha dúvidas se comprava ou não esse
disco... se tinha dúvidas,
elas já não existem mais. É o melhor CD que comprei
nos últimos
tempos. Principalmente o
disco 1... ) e tô me recuperando dessas "facadas" até hoje.
Estava de passagem por Curitiba
há um tempo, fui num shopping e vi um banquinho com
o John pintado nele. Não
dei a mínima se teria que trazer este mesmo banquinho em quatro
horas de viagem dentro de
um ônibus.
Em 95 fui à Disney.
Enquanto as outras meninas gastavam com pôsteres do Brad Pitt, lá
estava eu, comprando um
pôster dos Fabs (que está no meu quarto até hoje, ao
lado de
um outro que comprei aqui
mesmo), uma fita de vídeo, que para a minha sorte, era
compatível como o
sistema de vídeo brasileiro. Não tinha noção
de que separavam vídeos
por sistemas (NTSC, PAL),
mais ou menos como fazem com os DVD´s e regiões (uma
tremenda palhaçada...
mas essa é só minha opinião)
Tenho também um adesivo
"The Beatles" colado na janela do meu quarto. Comprei numa
parada de ônibus quando
voltava do Rio para Florianópolis.
Sem esquecer do filme Help!,
que me obriguei a comprar. É um barato. Meio louco, mas...
E hoje, foi dia de compras!
Fui ao centro da cidade (sob um sol escaldante) com a intenção
de comprar um vinil do George
(já que em CD, é raríssimo encontrar alguma coisa
por aqui)
Voltei sem o vinil, mas
trouxe na minha bolsa o "The Best of George Harrison" e um relógio
de mesa em forma de CD que
tem a capa de Abbey Road...
É por isso que "Can´t
buy me love" é papo furado...
Capítulo 4 - Real Love
Mesmo já tendo dedicado
uma parte deste humilde site ao "meu beatle" e correndo o
risco de soar como a mais
boba das criaturas, ponho minha sorte em xeque. Dane -se!
Num dia 29-11, perdi alguém
de quem gostava muito, alguém que perdeu a luta contra
um câncer. Meu avô,
Haroldo. Talvez tenha sido a pessoa mais paciente e afetuosa que
já conheci. Convivemos
muito, pois ele e minha avó cuidavam de mim e do meu irmão
quando éramos crianças,
enquanto nossos pais trabalhavam.
Alguns anos se passaram
desde então e eis que surge novamente um 29-11 e a mesma
doença leva outra
pessoa que amo, esta, mesmo sem ao menos conhecer.
George é meu ídolo,
dono de uma das vozes mais doces que já ouvi, minha "paixão".
Quando busco um pouco de
consolo, quero ficar quieta em um canto e não falar com
ninguém, é
só apertar "play" e I
feel fine...
Confesso que não
foi meu xodó desde o princípio. Tinha verdadeira fascinação
pelo John
(depois de anos de medo,
enfim, redenção!), ele personificava o que eu queria ser:
rebelde.
Nunca tive vocação
pra isso...
Com o tempo, fui perdendo
o encanto por essa imagem rebelde, pois pra mim, aquilo era
falso. Não é
o John. Era apenas uma máscara, uma armadura que ele usava, que
o impedia
de se ferir. No fim das
contas, era apenas um menino com medo de amar e perder.
Entra no ar, a série
"Anthology" (eu estudava de manhã e passava tão tarde, era
triste, mas
lutei bravamente contra
o sono) e comecei a entender e conhecer um pouco do George,
do que ele deixava transparecer,
aí percebi que ele era meu "beatle do coração" o tempo
todo.
Alguém uma vez comentou
(acho até que foi na lista) que achou o George meio antipático
quando assistiu o Anthology,
que estava sempre reclamando...
Minha visão dele
não é essa. Todo o "divórcio" daqueles quatro amigos,
deixou marcas
em cada um deles. Por terem
sido tão "grudados", terem muita intimidade, ficou sim,
mágoa, mas não
que isso seja tomado como antipatia (ouçam Wah
Wah do George e
How do you sleep do John,
ambas gentimente dedicadas à Sir Paul McCartney).
George se redimiu disso
com "All
those years ago"...
Ele era doce, simples, tímido,
alegre, inteligente, iluminado, caridoso (três palavras:
Concert For Bangladesh)
e se mostrou um grande lutador.
Lutou três vezes para
viver. Quando o câncer se manifestou pela primeira vez, quando,
dentro de sua própria
casa, foi esfaqueado por um doido infeliz (watch
out, now, take
care,
beware...) e a última luta... de certa forma, conseguiu o que
queria, encontrar
paz, sossego. Mas não
precisava ter sido dessa forma.
Se eu viver 100 anos,
a cada dia lembrarei do que ele representa pra mim hoje.
Se eu escrever 100 folhas,
fizer 100 páginas iguais a essa, as palavras acabam,
mas o sentimento e a
lembrança do George viverão comigo pra sempre.
Mesmo que eu viva 100
anos...
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