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Face of Portuguese Communists
The 17th Congress of the Portuguese Communist Party has produced an affirmation of political courage or blindness, depending on the angle from which one wishes to view the decision to nominate Jeronimo de Sousa as General Secretary. The 1300 members of the congress gave a standing ovation to the message from the historic leader of the PCP, ?lvaro Cunhal, now 91 years old, who declared his "confidence in the future of the party, which I transmit with a clear message: Long live Marxism-Leninism! Long live the Portuguese Communist Party!" Carlos Carvalhas, who substituted Dr.Cunhal, leading the PCP for 12 years and who now presents his resignation, understanding that a new political cycle has begun, declared that it is dangerous to break away from the traditional line followed by the party and took the opportunity to attack the reformists who wish to follow a discourse which includes themes more relative and relevant to the present, 2004 and not to the Portuguese Revolution, in 1974. It is the reformist wing which was cast aside by the choice of Jeronimo de Sousa, identified with the orthodox wing of the party, which has decided once again that its political space lies in the defence of the interests of the Portuguese workers, in Marxism-Leninism and that the PCP is the best option for the oppressed class to fight against the oppressors. With the decision to elect Jeronimo de Sousa, the PCP follows a coherent line of political orientation, which does not necessarily pass by an obsession with gaining power: for the PCP, the principles it defends are more important than forming part of a government. Who is Jeronimo de Sousa? Born on 13th April 1947, the new General Secretary of the Portuguese Communist Party started working at 14 years of age as a machinist, studying at night. He joined the PCP in 1974, five days after the Revolution of 25th April which overthrew the regime of Dr. Marcelo Caetano and oversaw the independence of Portugal"s six provinces abroad: Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau, Mozambique and Sao Tome and Principe in Africa and East Timor in Asia. Jeronimo de Sousa entered the Central Committee of the PCP in 1979. Elected leader of the Metalworkers" Union in 1973, he represents the working class which he defends, representing the same class of politician as President Lula of Brazil. In subsequent years, he was nominated a member of the National Executive Committee, the National Council and the Political Commission of the PCP. From 1976 to 1992, he was a member of parliament, rising to the post of Vice-President of the Parliamentary Committee, before taking a ten-year break from parliamentary activity to dedicate himself to other projects in the PCP, before rejoining the parliamentary group in 2002. In 1995, Jeronimo de Sousa represented the Communist Party as candidate for the Presidential election, won by Jorge Sampaio. Jeronimo de Sousa inherits a Communist party which knows very well where it stands and which, after a process of introspection, has decided where its political space lies, what its principles are and who it chooses to defend. The orthodox wing represented by Jeronimo de Sousa does not agree that the party needs to adopt new strategies to attract younger members, because it believes that the precepts of Marxism-Leninism are eternal and answer the social needs of the generations of humankind as we evolve. According to the most recent official opinion polls, the PCP today has around 6.5% of the vote, against nearly 6% belonging to the Left Block, these being the only two parties representing the Left - together with 12.5% - and against the 49% of the Socialist Party (largest opposition party to the coalition government of the Social Democrats (PSD) and Conservatives (Popular Party) led by Prime Minister Pedro Santana Lopes), 32.4% (PSD) and 2.1% for the Popular Party, which seems anything other than popular at present, its leader, Paulo Portas, having skillfully managed to drive it into the ground. The coming
years will prove whether Jeronimo de Sousa does the same for the PCP,
or whether he manages to keep the flame alive through policies which attract
voters under sixty years of age in significant numbers. http://english.pravda.ru/mailbox/22/101/399/14648_Jeronimo.html
2004-11-28 - 11:01:00 XVII Congresso do PCP JERÓNIMO DE SOUSA ELEITO SECRETÁRIO-GERAL Sérgio Lemos Jerónimo
de Sousa é um líder de continuidade, num discurso mais incisivo
mas com a mesma mensagem: 'a luta continua' O XVII Congresso do PCP, que hoje termina em Almada, foi um momento de mudança no partido.. mas apenas de líder. A ocasião deu visibilidade a alguns sintomas de insatisfação a respeito da orientação interna do partido comunista, mas os discursos foram silenciados por vaias (raras nestas ocasiões) e, fundamentalmente, pelas palavras ontem proferidas pelo ainda líder indigitado. Jerónimo de Sousa, basicamente, aconselhou os fatalistas e os promotores da mudança a "porem as barbas de molho". A certeza na continuidade da ortodoxia marxista-leninista, cartilha fundadora do último baluarte ocidental do comunismo da 'velha guarda', foi, aliás, a base do discurso que Jerónimo de Sousa fez hoje já na qualidade de secretário-geral. A LUTA CONTINUA O novo líder comunista começou por elogiar o empenho dos milhares de camaradas que trabalharam em prole da realização do congresso, lançando números capazes de suscitar uma interpretação de grande envolvimento de militância, capa necessária da coesão. "Por aqui não passou aquele penoso ambiente de discursos para alguns delegados, devido à ausência de líderes na sala", exemplificou. E sublinhou: " (Este congresso) não foi um acto de disciplina, foi um acto de liberdade", dando resposta aos sinais de mudança que se destacaram. "Os comunistas nunca tiveram preconceitos em relação ao voto secreto. O problema não é esse, o problema é a ingerência na vida interna do partido", continuou Jerónimo de Sousa, atacando a nova lei que obriga a que a liderança dos partidos seja eleita por voto secreto (a nova direcção do PCP foi-o pela primeira vez). O novo líder, que pegou no neto ao colo antes de subir ao palanque, abordou a questão da nova liderança destacando a entrada de 27 novos membros com menos de 30 anos de idade num Comité Central também com mais mulheres. A respeito da lista de saídas (onde alguns nomes poderão dar que pensar), referiu apenas não querer transmitir despedidas, porque continua a contar com todos os militantes, especialmente com Carlos Carvalhas, a quem dirigiu uma saudação fraternal. Encerrada a questão das mudanças de caras, Jerónimo de Sousa abordou a questão das mudanças políticas, explicando a continuidade. "Não fizemos nenhuma catarse. Não somos uma tertúlia onde se discute até ao cansaço, para depois voltar a discutir enquanto os problemas persistem", disse o líder comunista, salientando que o adversário do partido é o Governo e as políticas de direita (aí salientou o desemprego, os 'jobs for the boys', a criminalidade, a venda de património do Estado a "preço de amigos" e as interferências na Comunicação Social). Jerónimo de Sousa apresentou a mesma cartilha, mas num discurso mais incisivo (recortado aqui e ali por improvisos de força), que este, sim, se destaca da cadência monocórdica herdada de Cunhal por Carvalhas. O conteúdo, esse, continua o mesmo. Até porque, como salientou Jerónimo de Sousa, "a luta de classes continua a ser a grande questão da nossa época" e o PCP continua a ser instrumento da "luta por um Mundo melhor". Os comunistas, nas palavras do líder, acreditam que "o capitalismo não será o fim da História da Humanidade" e sentem por isso mesmo que as razões da sua luta persistem apesar da queda do Muro de Berlim. Jerónimo, discursando na presença de convidados de todos os partidos (excepto o Bloco de Esquerda) e de delegações internacionais (que saudaram a manifestação de solidariedade para com as causas cubana e palestiniana), foi curto nas palavras e pleno na mensagem. "Os comunistas não perderam a dignidade e a coragem" e o 'eterno' "a luta continua', foram o toque a rebate para a continuar uma guerra pela "transformação social" que justifica a essência comunista. O PCP afirmou neste congresso a sua identidade e o seu projecto. Jerónimo de Sousa foi a chave da certeza: "Não peçam ao PCP que deixe de ser o que é", concluiu o novo líder. SINAIS DE RENOVAÇÃO (?) As certezas ortodoxas das cúpulas, com eco na intensidade dos aplausos a um Álvaro Cunhal fisicamente ausente (por motivos de saúde) mas politicamente presente (na mensagem enviada e no assento mantido no Comité Central), não esconde em absoluto os sinais de reforma que foram óbvios neste congresso comunista. Não foi por acaso que, no discurso de despedida, hoje, Carlos Carvalhas terminou dizendo: "Este foi o congresso do partido que é e será sempre comunista". Mas o mesmo Carvalhas 'estendeu o tapete' às intervenções reformistas quando, no discurso de abertura, criticou o excesso de dogmatismo. Ontem, Francisco Figueiredo, delegado de Santo Tirso, questionou o facto de haver apenas uma lista para a direcção. E Lopes Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Alvito, reforçou a crítica, declarando que o partido está a definhar sob o peso de uma crise de valores e de identidade. Já este domingo, o ex-dirigente Fernando Vicente criticou a existência de um clima de "sectarismo" e "controleirismo" dentro do partido. No encerramento, Jerónimo de Sousa foi magnânime, ao comentar que o debate interno é saudável. Se mudança não houve no discurso, fica registado que pelo menos a dissonância marcou as votações. Unanimidade absoluta houve apenas em torno da moção que pede a revisão da Lei do Aborto. O Comité Central foi eleito (pela primeira vez por voto secreto) com 1.228 votos favoráveis, 45 contra e 23 abstenções. O projecto de orientação política do PCP foi aprovado com pelos delegados do congresso, mas registou 10 votos contra e 7 abstenções. Entre os votos contra contam-se nomes importantes, como o deputado António Filipe e os antigos organizadores da Festa do Avante! Licínio de Carvalho e Fernando Vicente. Na eleição do secretário-geral, pelo Comité Central (176 membros), registaram-se quatro abstenções, sendo que uma delas foi do próprio Jerónimo de Sousa, que não quis votar em si próprio. NOVA LIDERANÇA E, finalmente, a nova Comissão Política do Comité Central registou sete entradas (rejuvenescimento e mais mulheres, como explicou Jerónimo de Sousa, destacando-se o propagandista Octávio Augusto e o líder regional de Viseu, João Frazão) e importantes saídas, sobre as quais o novo secretário-geral nada disse em concreto, apesar de ser a mais renovação de sempre na cúpula da liderança comunista. E esta lista
tem nomes de peso, percebendo-se algumas saídas, mas outras não.
Saíram da Comissão Política Carlos Carvalhas (percebe-se
por ser o ex-líder e é substituído, também
no Parlamento, por Margarida Botelho), Vítor Dias (ideólogo
que se afasta por alegado cansaço após 14 anos no cargo),
Domingos Abrantes (um histórico ortodoxo que pediu para sair por
cansaço, após 20 anos na Comissão Política),
António Abreu (um no "PUBLICO" Comunista
acusa partido de caminhar para a extrema-esquerda "burocrática"
e "sectária" "Vejo com muita preocupação a situação. O PCP está a dar passos que vão no caminho de uma crepuscularização de tipo marxista-leninista. Esta crescente sectarização, que vai um bocado para a sua redução, significa uma cada vez maior esquerdização burocrática", afirmou. Discordante da orientação oficial do PCP há alguns anos, Carlos Brito foi suspenso por dez meses em 2002, acusado de "comportamento fraccionário", na mesma altura em que os ex-dirigentes Edgar Correia e Carlos Luís Figueira foram expulsos do partido. Terminado o prazo da suspensão, o dirigente histórico optou em 2003 pela "auto-suspensão", admitindo agora, na sequência do XVII Congresso do PCP, a possibilidade de abandonar o partido. Questionado pela Lusa, Carlos Brito afirmou que os resultados do congresso comunista, decorrido este fim-de-semana, lhe deram "mais fortes razões" para ter optado pela auto-suspensão e também para "reflectir" sobre a sua saída. "Tenho tempo para decidir, para analisar melhor. Depende da minha reflexão", afirmou o dirigente histórico. Ex-candidato à Presidência da República, em 1988, Carlos Brito foi líder parlamentar do PCP entre 1976 e 1991 e director do órgão oficial do partido entre 1992 e 1998. O XVII Congresso do PCP elegeu Jerónimo de Sousa como secretário-geral, em substituição de Carlos Carvalhas, e aprovou uma resolução política e os estatutos, que reafirmam a orientação marxista-leninista e mantêm o centralismo democrático como forma de funcionamento do partido.
A angústia do PCP Por Carlos Brito Expresso, 11 Dezembro 04 O QUE mais impressiona no recente congresso do PCP é a obsessão sectária da direcção que impede o partido de tomar consciência da dimensão das suas dificuldades e das mudanças de rumo indispensáveis para lhes fazer frente. Há três aspectos em que esta cegueira obsessiva me parece particularmente evidente. O primeiro, relativo à chamada vida interna. Em vez do esforço, recomendado pelo declínio do partido e a situação do país, para reganhar militantes sancionados, afastados ou desmobilizados pelas orientações persecutórias dos últimos anos, o congresso agravou essas orientações persecutórias, a começar pela doutrina vazada na «resolução política», em que os sectores críticos são equiparados a inimigos do partido, passando pela discriminatória selecção de delegados e culminando com as manifestações de rancorosa hostilidade aos dois corajosos militantes que se atreveram a contrariar na tribuna do congresso a linha preconizada pela direcção. Em segundo lugar, no plano da política de alianças. Em vez do contributo, exigido pela desbragada política da direita no poder, para abrir uma ousada perspectiva de alternativa de esquerda, a começar pelo anúncio da disponibilidade para um novo relacionamento e um novo diálogo entre as suas componentes, o congresso optou por malhar forte nas outras forças de esquerda, em especial no PS, e adoptou as posições mais isolacionistas, fechadas e sectárias dos últimos 30 anos, na ilusão esquerdista de que é assim que se ganham apoios e influência. Em terceiro lugar, no plano ideológico. Em vez do incentivo à análise marxista e crítica das novas realidades do país e do mundo, nomeadamente a evolução do capitalismo e os fenómenos actuais no domínio do trabalho, em vez do impulso à reflexão autocrítica sobre as orientações e a prática do partido e do movimento comunista, o congresso optou por uma exaltação irracional do marxismo-leninismo, semelhante à dos grupúsculos «M-L» dos anos sessenta, consagradora das tendências estalinista e castradora de qualquer pensamento autónomo e criador. Assim, não admira que o PCP tenha sido completamente surpreendido pela dissolução da Assembleia da República. A obsessão sectária já tinha «arrumado» Jorge Sampaio, desde pelo menos a festa do «Avante!», ao lado dos apoiantes do Governo de direita e como confessou candidamente, em entrevista, o actual secretário-geral, Jerónimo de Sousa, só esperava a queda do Governo por efeito das manifestações dos trabalhadores na rua. E aqui começa a actual angústia eleitoral do PCP. As proclamações oratórias ainda podem disfarçar a ausência de ideias e de propostas correctas e mobilizadoras, mas já não substituem os militantes dedicados, talentosos e prestigiados que foram afastados, se afastaram ou permanecem sob suspeição, mas que são indispensáveis como candidatos ou grandes animadores das campanhas eleitorais. Por mais que se grite, as tiradas retóricas não conseguem encobrir os desaires eleitorais. O drama presente da família comunista no nosso país reside nesta dupla situação: de um lado, um partido que definha mergulhado no sectarismo, no esquerdismo, na burocracia e perde quadros, influência e prestígio; do outro, milhares de comunistas que não querem outra opção partidária e que não se resignam à inacção, mas que foram afastados ou se afastaram por não se reconhecerem mais no partido que foi o seu, tal como é agora. A Renovação Comunista já agendou para princípios de Janeiro de 2005 a passagem de movimento informal a Associação Política, outros críticos preferem permanecer como comunistas independentes. Todos sonham com a reunificação da família comunista numa casa comum onde, no respeito pelas diferenças de opinião, seja possível retomar com novas energias a luta pelo projecto comunista em Portugal.
Jerónimo
de Sousa
Mudar é difícil mas não é impossível Se no debate
preparatório não fechámos para Congresso, também
nestes três dias não nos fechámos sobre nós
próprios, sobre questões internas, e muito menos nos deixámos
condicionar pela campanha que nos queria conduzir para a fulanização,
descontando já as campanhas e profecias do costume dum Partido
e dum Congresso fustigado pela autoflagelação e divisão,
acicatando o preconceito, rotulando e caricaturando este partido que,
sendo um lutador incansável pela liberdade, tem um papel e um lugar
indispensável na democracia portuguesa. Com todos os que lutam contra o imperialismo e a guerra Reafirmámos
o nosso carácter patriótico e internacionalista. Se valorizamos
e priorizamos a nossa acção e a nossa luta no plano nacional,
não é porque nos acantonemos e não entendamos a necessidade
cada vez mais premente de dar respostas mais globais ao processo de globalização
capitalista. Mais projecto que memória Temos orientações,
assumimos deliberações, elegemos a Direcção,
afirmámos um Partido de proposta, de luta e de projecto. Temos
ideias para o futuro.
Solidário com a luta dos povos Partido internacionalista,
pela tribuna do Congresso do PCP passaram representantes de três
delegações estrangeiras presentes: Fernando Estenoz, do
Partido Comunista de Cuba, David Velásquez, do Partido Comunista
da Venezuela, e Issam Besseisso, delegado-geral da Palestina em Portugal
falaram para os presentes, que retribuíram com longas e sentidas
ovações solidárias: Com Cuba e a sua Revolução,
com o processo democrático em curso na Venezuela e com a luta do
heróico povo palestiniano contra a ocupação israelita.
E, através destes, com todos os povos do mundo que lutam contra
o imperialismo. |
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