O Livro da Justiça de Siegfried Walsüng
As quatro virtudes da Justiça: Temperança, Paz, Verdade e Esperança

livro escrito com caligrafia bela mas tremida e com muitos borrões de tinta, aparentemente por causa de pingos de água sobre o já escrito

Registro das regras, feitos e decisões, pois através da correção dos erros a compreensão das leis irá aumentar, assim como a habilidade de identificar os infratores.


Livro da III Era – Nordok

2007
    Novembro

          26

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        08
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2008
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Nov 26, 2007
Taverna da Cotia

Estou em Nordok, num establecimento chamado Taverna da Cotia, uma taverna sito na chamada Fronteira Oriental do Reino de Nova Benzor. Não conheço muito deste local, uma vez que cheguei a pouco nestas terras, e já tão logo estou sendo provado por Tyr na minha senda.
A pouco recobrei os sentidos após uma noite de tormento, apenas para ver que Tyr me pune pelos meus atos falhos. Percebi, quando acordei, que todos meus pertences, a exceção deste livro, foram levados por ladrões, provavelmente seres goblinóides. Recordo-me pouco do tormento da noite anterior. Sei apenas que durante a vigília percebi algumas sobras na cabana onde estava, e depois lembro-me de um pano com algum agente alquímico de forte ação tapar minha boca e me retirar os sentidos.
Após isto, me vi caminhando sem forças nesta terra desconhecida, e apenas pela vontade própria de minhas pernas aqui vim parar.

A pouco conheci alguns senhores, um lenhador de Nome Rufus, um homem bondoso e caridoso, que logo me ajudou doando-me alguns itens necessários para a sobrevivência nestas terras, e um jovem intempestuoso de nome Willy, um senhor caolho, eu aparentemente vive um conflito interno entre o que é e o que tenta ser. Também se juntou ao grupo um senhor de pouca paciência, um tanto atribulado, de nome Furion. Este nome bem que lhe cai bem.
Fato é que estes senhores estão me ajudando com armas e armaduras necessárias para se enfrentar os perigos que se escondem nestes caminhos, os quais ainda me são totalmente desconhecidos.

Espero que Tyr me julgue rápido, e traga o alívio para mim em breve.



Dez 08, 2007 Parte I

Tyr é mesmo um senhor louvável. Meu caminho foi preparado de tal forma que encontrei um de seus mais fiéis e honrados senhores nestas terras. Seu nome é Uther, e este servo de Tyr está me reconduzindo ao caminho da justiça e da verdade.
O senhor Uther tem me levado em suas missões sagradas para realizar a vontade de Tyr, e junto a ele tenho recobrado os verdadeiros valores que Tyr nos cobra.

O senhor Uther é um mestre que merece todo meu respeito e admiração. Tem me agraciado com um convite para participar da Sagrada Ordem da Luz, SOL como a conhecem todos por aqui. Esta ordem, dedicada aos dogmas da Tríade, vem de encontro a tudo que procuro para me redimir de meus erros e enfim poder descansar em paz de meu serviço ao senhor Tyr. Espero ser digno de tal ordem, que parece-me ser de grandes feitos e proezas nestas terras. Oh, Tyr, permita que eu lhe sirva, apenas mais esta vez, com honra e dignidade, para que possa então descansar em sua morada.



Dez 08, 2007 Parte II

Estes dias tive um encontro deveras desconcertante com um beholder. Tal ser vil e maligno atende pelo nome de Mestre Redrik, mais conhecido por todos como senhor Red. Fiquei atônito ao descobrir que nestas terras este maléfico monstro é um chanceler de um poderoso e vasto império, o chamado Império Continental de Nordok. Descobri que este império domina nas cidades-reinos de Tobaro até Fígaro, se extendendo a Leste até o ducado de Hollows e a Oesta até a vila de Lua Crescente. Muito me assusta isto, uma vez que esta extensão toda é realmente mais da metade de todo o continente de Nordok.
Mais ainda me assusta este ser. O beholder realmente é um astuto e maligno inimigo. Fez-me muitas considerações confusas, no intuito de enfraquecer minha fé e confundir meus caminhos na vereda da verdade e da justiça. Agradeço a Tyr que todos estes anos como servo inútil da sua causa me firmaram na verdade, não me deixando cair em conversas levianas e traiçoeiras.
Porém muitos dos questionamentos do beholder pesam sobre meus ombros, uma vez que pouco conheço destas terras, e este ser indaga sobre como seu império pode ser fundamentado na maldade se seu imperador é um membro da SOL e conhecido servo de Tyr. Realmente, como poderia um honrado e proeminente servo de Tyr julgar com iniqüidade e maldade a tal ponto que seu império seja voltado para ações malignas, e não para o bem e a justiça? Preciso conhecer bem a história deste continente.

Mas, onde conseguir tal conhecimento, se nestas terras tudo parece polarizado pela visão peculiar de cada ser, onde todos tendem a ver as coisas parcialmente? Este continente não é coeso em sua verdade, estando dois lados antagônicos pesando sempre nos pratos da balança. Cada um dos lados nesta batalha, sendo este o Império e outro Nova Benzor, aparentemente escondem verdades e mostram impressões vagas e ilusões do que gostariam de ser, ou almejam que acreditemos serem.
Infelizmente mesmo a SOL nada pode me ajudar nesta hora, pois apenas o senhor Uther está próximo, e embora seja um servo valoroso, pouco tempo disponho para aprender da história com ele, pois muito viaja em serviço de Tyr.




Dez 08, 2007 Parte III

Mais uma vez o infortúnio vem assolar meu caminho. Estava eu em terras de Sholo, um território anexo ao de Nova Benzor, e junto com alguns companheiros nos deparamos com uma situação inusitada, estava eu na compania de Furion, aqui já citado, mais um arcano simpático e cordial, o que é estranho devido a natureza de suas atividades, conhecido com Raistlin, e de um cavaleiro Kelemvorita de nome Robert Sulphur. Este último tem mostrado virtude e honra em suas ações, e seu deus deve estar satisfeito com suas atitudes.
De repente, tanto dois de nossos companheiros sucumbiram sem vida aos meus pés, e sem nada poder fazer tratei de aplicar curativos, apesar de seus corpos aparentarem estas sãos. Tão rápido como caíram, assim também voltaram a vida, sem nenhuma explicação lógica para o caso, a não ser uma intervenção divina. E assim o foi, segundo relato de ambos.
Um ser de outros planos, denominado Lord da Vida, possui um livro poderoso, onde estão registrados os nomes dos viventes e dos que já partiram. Tal livro, poderoso artefato, foi roubado por um ser extra-planar de nome Fausto, que nestes tempos tem assumido a forma de uma criança. O Lord da Vida deu aos meus companheiros até a meia-noite para que recuperassem o tal livro, caso contrario perderiam suas almas e suas vidas para todo o sempre.
Apressados saímos à procura deste ser extra-planar, para recuperar o livro e salvaguardar a alma de nossos companheiros. No caminho encontramos com a senhora Naomi, renomada sargento da cidade de Nova Benzor e clériga fervorosa e agraciada com bênçãos do deus da Guerra. Também a acompanhava um homem rude, de hábitos desgostosos e vida desregrada, cujo nome é Kashard. Este homem não é um homem normal, um vez que uma aura maligna e demoníaca emana de seu ser. Eu pude sentir isto em nosso primeiro encontro, tempos atrás, mas nada mais há que possa me levar a outro juízo que não o de que é um homem perigoso e perturbado, porém ainda contido dentro das normas de justiça destes tempos.
A perseguição continuou por muitos terrenos, e foi terminar numa cripta, chamada de Wesnor. Dentro deste repouso dos mortos muitas aberrações foram retornadas a vida, e a batalha entre os que já deveriam ter partido e o que ainda viviam começou de forma brutal. Por fim, por intermédio da senhora Naomi, o livro foi recuperado e devolvido ao seu dono legítimo, sem prejuízo de nossos companheiros. Porém muita dúvidas surgiram neste ínterim, como a volta de um poderoso inimigo desta terra, um ser denominado Medvith.
Aos relatos das ações do menino Fausto se agrupam relatos de hostes de Worgs, lobos-feras, atacando a região da Fronteira Oriental, e uma voz que se fez escutar, rebombando em cada canto daquela terra, onde se ouviu proferir palavras de mau-agouro e de retorno de quem já há muito partiu.

Suspeito de algo mais, mas não conheço bem nem esta terra nem sua cultura ou história para poder melhorar meu julgamento. Isto é deveras aterrador, pois não sei como reagir a eventos que evocam coisas do passado.
Preciso me ater a este ponto, antes de prosseguir.



Dez 08, 2007 Parte IV

Tempos nefastos se levantam. Tenho procurado, por minha própria iniciativa, apaziguar as dissensões entre os lados polarizados deste continente, na ânsia de evitar uma guerra contra um inimigo mais que humano, contra o tal Medvith e seus asseclas. Suspeito que muito mais está por vir, se não por atitudes deste ser maligno, por parte de outros que pensam em usurpar seu lugar de líder maléfico nestas terras, todos com planos de destruição e domínio sobre os cidadãos inocentes e indefesos.
Como parte de nossa servidão, e como constam nos atos de fé, é meu dever e cito os livros sagrados “Estar alerta em minhas observações e antecipações, de modo a detectar os conspiradores da injustiça antes que suas ações ameacem a lei e a ordem, devendo eu impor a vingança aos culpados no lugar das pessoas incapazes de fazê-lo sozinhas.” Assim, mesmo sentindo repulsa por seu modo de ser e agir, iniciar tratativas com o Chanceler do Império, a fim de conseguir uma união entre todos para combater este que é o maior de nossos inimigos atuais, a desinformação sobre o verdadeiro inimigo por trás de funestos atos.
Espero que esta reunião logo aconteça, para poder melhor analisar as informações já obtidas.

Dez 08, 2007 Parte V

Pedi uma audiência com vossa majestade o imperador Leonard, porém apenas o senhor Chanceler atendeu meu pedido, uma vez que o imperador está ausente por tempo indeterminado e então ele mesmo está em cargo de todas as decisões. Nos reunimos num lugar neutro, uma praia nas proximidades de Brosna, onde pouco tempo antes vi uma linda donzela élfica, mas de pele negra como a noite escura, passear à beira do mar. Não suspeito de quem ela seja, mas sua visão ainda permanece em minha memória. Quanto a reunião, foi pouco proveitos, sendo uma vez mais o beholder um ser evasivo em suas afirmações, mas conciso em seus questionamentos. O modo como incita a confusão e a desordem me irritam deveras, mas como os perigos são extremos com esta ameaça, mantive a calma e a compostura na conversa, tornando esta o mais aprazível e cordial possível.
Por fim, ficou ele de me trazer as impressões do imperador sobre o assunto, para definirmos a posteriori a estratégia a ser seguida nesta luta contra o desconhecido.



Dez 08, 2007 Parte VI

Oh, infortúnio, por que assolas esta terra? Por acaso Tymorna se afastou de ti, continente malogrado?
A pouco o senhor Kashard contendeu com o senhor Uther, num tempo em que estive ausente da Fronteira Oriental, servindo em terras ermas deste continente.
O fim de tal contenda foi a derrota do guerreiro de aura maligna, e sua permanência em um estado vegetativo neste instante. Está agora a cuidados dos membros da cidade-reino de Nova Várion, a capital do império. Segundo consta o senhor Kashard era oficial da força militar daquele reino.
Este evento cessou as cordialidades e pôs fim a frágil trégua existente entre Nova Benzor e Nova Várion. Retaliações começaram a ser sentidas em vários pontos já. Temo pela cisão completa deste continente, mas que posso eu fazer agora, senão me postar ao lado dos cidadãos comuns que são invariavelmente quem mais sofrem em conflitos armados?
Espero que Tyr dê sua guia aos seus servos. Devo mencionar que nesse ínterim novos membros se juntaram a SOL, além da volta de outros renomados servos desta gloriosa ordem. Devo ressaltar os senhores Tarthalion e Erbek, que a pouco se juntaram a nós, mas grande braveza no cumprimento do dever já demonstraram. Também o senhor Simo, um devoto de Ilmater que segue o caminho das mãos abertas, nobre e valoroso membro da SOL, retornou de seu retiro espiritual e retomou as atividades como membro atuante. Numa das nossas missões, investigamos a cripta da vila de Sholo, onde atividades macabras foram relatadas de estarem ocorrendo. Contando com estes e alguns nobres aliados, combatemos as forças existentes lá até que pudéssemos lacrá-las em seu covil, até que pudéssemos reunir uma força maior a fim de destruir por vez o mal ali existente.
Devo também relatar o encontro que tivemos na sede da Aliança Dourada, que vim a saber ser também sede da SOL nestes tempos de infortúnios, o Forte Draelok. Neste local, em seus salões nobres, dentre muitas pessoas presentes, como um honrado e animado anão, que atende pelo nome de Helmer. Este anão, cuja vontade de fazer os anões serem de novo uma raça gloriosa em suas terras não menos gloriosas, mostrou-se um companheiro verdadeiro e fiel aos princípios que todos os anões, no decorrer de muitas eras, sempre mostraram ter. Fico contente que este novo sopro de ânimo volte a existir nas terras de Colinas Negras, que há muito estão abandonadas. Espero que ele tenha sucesso em sua empreitada.
Mas a pessoa que mais me marcou neste encontro foi a senhora Lorena McDownell. Uma senhora de nobreza e caráter indubitáveis, cuja conduta austera e serena impressionam até ao mais vivido dos seres. Tal dama é membro da SOL desde tempos imemoriáveis, sendo uma das brava que lutaram na defesa da cidade santa de Firthdusk. Sua presença me encheu de ânimo e de alegria, bem como as novas contadas naqueles dias, como a volta de um dos maiores heróis das histórias destas terras, o nobre cavaleiro Tanis Meio-elfo, agora sob novo nome para não despertar a fúria do mal sobre todos, antes que tenhamos forças para combater a todos os inimigos, declarados ou não.



Dez 08, 2007 Parte VII

Oh, Beshaba, sorris ao me ver, não? Oh, deusa do infortúnio, até quando habitarás nesta terra livremente agindo no meio dos cidadãos?
Por fim, Tempus sorri com o nascer do dia. Já não são mais os tempos em que o tênue sorriso de Eldath permeia por entre os raios de sol.
O conflito, que antes era secreto, agora explode a olhos vistos em todo o continente. Novas leis restritivas e, de certo modo, isolacionistas, começam a aparecer em ambos os lados desta luta. Tanto Nova Benzor quanto Várion emitem decretos e mais decretos que visam apenas obter desculpas para o início de uma campanha armada. Fronteiras são fechadas e cidadãos antes com livre acesso agora não só são barrados em suas travessias como também são ameaçados, presos e execrados como criminosos, apenas por sua origem ou residência. Tempos lamentáveis, terríveis, onde a justiça é distorcida e levada por juizes tão corruptos quanto a carne que apodrece em seu caixão enquanto sua alma vagueia sem descanso neste plano material.

O inicio do conflito começou onde não deveria, num revide a um ato de hostilidade do desprezível Redrick. Com vigor e bravura, nosso líder, o senhor Uther deu um fim ao chanceler do império, num combate singular. Tal desavença findou na morte do beholder, e no auto-exílio do senhor Uther, que partiu em busca de um aperfeiçoamento de seu espírito. Mestre Uther agora sente que terminou sua jornada nesta terra, posto que derrotou seu maior inimigo, tido por ele como o causador de todo o infortúnio que a SOL e a cidade de Firthdusk enfrentaram, e ainda o mentor de toda a maldade até hoje cometida pelo império.
Peço a Tyr que sua ausência não se prolongue. Já somos poucos os membros ativos da SOL, e menos ainda seremos sem a guia de nosso nobre líder.
Temo pelos dias que se seguirão. Estou a espera de um sinal de Tyr para guiar nossas vidas neste tenebroso futuro que se levanta.



Dez 08, 2007 Parte VIII

Infortúnio, lástima e lágrimas, isto é o fruto desta terra de exílio!
Tyr, como guiaste meu vaso até estas terras, ó justo? Fiz-te mesmo a maior da ofensas, não?
Ainda ontem um lugar alegre e hospitaleiro, meu primeiro lar neste continente esquecido por vós. Hoje, escombros e destruição, morte e cheiro de sangue queimado em meio a ruínas e perdição.
Soube a pouco da destruição da taverna conhecida como Buraco da Cotia. Esta propagação da morte foi obra dos expulsos do ventre da mãe-terra, os que não entraram nos salões de Kelemvor. Uma hoste amaldiçoada por todo o sempre, que apenas visa o mal.
Onde estão as vossas tropas celestiais para julgar este que já deveriam estar nos salões da morte?
Até mesmo num lugar de paz e bonança a tragédia estica seus gélidos e amargos braços.



Dez 08, 2007 Parte IX

Então é isto, o fim se aproxima?
Se não é o Ragnarok, que mais então pode ser?
Nosso lar, a sede de vossos servos, destruído por uma força jamais vista.
Fogo e enxofre enchem os salões dos que buscam seus preceitos.
Corpos jazem ao chão, protegidos dos vermes pela grossa camada de pele queimada que os envolve. Cidadãos e legionários, homens e mulheres misturados ao amargor de uma morte indigna.
São sacrifícios a este mantra da morte que ecoa por entre os montes e vales, São monumentos ao abandono em que nos encontramos.
E esta emissária dos vossos inimigos, Tyr, a zombar de nós, desfilando por entre templos e vilas com seu rabo e sua sede de morte? Nada farás?
Seremos então motivo de escárnio para todos que nos conhecem? Mote de zombaria para os inimigos e infiéis?

Solicitei aos reinos adjacentes ajuda para reforçar a segurança, não nossa pois não a merecemos, mas para o povo da vila. Espero que os governantes se sensibilizem que não só nós e Sholo como todos ao redor estão vulneráveis aos ataques das hostes inimigas.
Também julguei necessário os avisar para possíveis ataques em suas próprias cidades, uma vez que relatos de mais ataques nos chegaram por meio de mercadores de várias regiões,inclusive de Tobaro.
Espero que escutem minha voz, e impeçam mais destruição sem sentido.



Dez 08, 2007 Parte X

Que dia, que noite, que tempos.
Voltaste vosso olhar para nós, ó Justo? Agradeço que sim, e espero que assim continues até o fim dos tempos.

Ainda a pouco estava eu, abatido e cansado, a chorar pelos mortos nos escombros na região da antiga Taverna do Buraco da Cotia, hoje apenas entulho e lar de besouros monstruosos. Mas, como que por obra divina, um grupo de cavaleiros se reuniu ao meu redor.
Me preparava, ou lamentava, pelo desastre, e planejava uma ida a uma ripta perto do local, de onde poderiam ter vindo reforços para o ataque que culminou com a destruição da taverna, quando os cavaleiros ao meu redor manifestam seu desejo de me ajudar nesta missão que me auto-impus.
Percebo que no meio destes existem homens de fé, inclusive do senhor Torm, e muitos honrados senhores servos de divindades amigas a ti, Grimjaw. Todos, apesar de minhas tentativas de impedir, se esforçam e se firmam no propósito de me uxiliar a investigar e livrar a cripta de Weznor da aura maligna que tomou seu interior.
A este grupo de desconhecidos junta-se o senhor Simo, companheiro de outras datas e membro honrado da SOL. Melhor grupo, nos dias de hoje, não poderia eu desejar.
Juntos começam o caminho para a cripta, e neste caminho encontramos com a senhora Shiva e um senhor, que me dizem ser chamado Laurio.
Neste ponto devo fazer uma pausa no meu relato da missão para deixar umas impressões sobre estes dois.
A senhora Shiva conheço desde tempos atrás, é uma residente do forte onde temos a sede da SOL, noiva de um querido amigo e companheiro, Raistlin, um arcano de poderes latentes mas suponho eu muito grandes.
O senhor Raistlin e a senhora Shiva formam mesmo um lindo casal, belo de se admirar. São sempre gentis e prestativos, amáveis com todos e, principalmente, apaixonados um pelo outro. Dignos de todas as bênçãos das deusas do amor e felicidade. Seu casamento está marcado para breve, no forte. Todos os arranjos já foram feitos, e todos na região estão muito felizes e animados com as bodas. Eu também, por estranho que pareça.
Mas este encontro me deixou muito preocupado com o futuro dos dois.
Senti uma aura maligna envolta da senhora Shiva e deste guerreiro, Laurio. Algo ruim, não exatamente maligno ou nefasto, mas com certeza algo ruim.
Estranho o fato da senhora Shiva agir com pouca cordialidade e até mesmo com certa grosseria, e mais ainda estranho o fato dela estar junta deste homem.
Sobre ele, fiquei sabendo depois pelos relato do senhor Simo, cavaleiro de Ilmater e irmão na SOL, que era um aliado das forças de Firthdusk, mas que na ocasião da queda desta não esteve presente, aparecendo só depois de consumada a destruição, e ainda tendo então partido para as terras do norte, para Várion, onde aparentemente presta serviços a guarda local como oficial.
Um homem deveras intrigante e aparentemente muito poderoso e perigoso. Merece maior atenção num futuro próximo.
Fato é que após este encontro perturbador voltei a me focar nos meus companheiros e na missão que tínhamos a frente.
Nesta missão ainda tivemos mais uma grata surpresa. Encontramos com o senhor Prusik, um nobre cavaleiro de Kelemvor, e a senhora Kaly, uma flor de menina.
Gostaria de descrever estes dois com melhores palavras que as acima, mas não tenho vocábulo para tal. São realmente pessoas louváveis.
O senhor Prusik sempre se mostrou digno de toda a honra que se possa prestar a um cavaleiro. É um homem nobre, honesto, correto em suas decisões, firme na luta contra o mal e principalmente um cavaleiro de fibra. Além destas qualidades, que não o descrevem como um todo, é um amigo fiel e verdadeiro,onde podemos encontrar ajuda em todos os momentos. Suspeito que sua participação na trama que se desenrola nestas terras será muito maior do que até agora se percebeu. E sei, com convicção, que ele estará a altura dos desafios que lhe serão impostos.
Sobre a senhora Kaly me privo de maiores comentários. Não posso descrever esta senhora, ou senhorita, como ela prefere, sem inferir meus sentimentos junto a razão. De fato ela é admirável em sua conduta. É uma mulher de fé, que age sem medo de acordo com os preceitos de seu deus, Kelemvor. Mas não é só, é mais que apenas isto. Ela é de uma graça e jovialidade que sempre me emocionam. Ela sabe ser graciosa como as pétalas que voam no desflorar do inverno.
Oh...quantas lembranças ela me trás de Beatriz. Quanta saudade.

Muitos borrões nesta região da página.
Continua a escrita um pouco diferente, como escrevesse depois de um longo período.

Findada a busca pela fonte do mal, o grupo resolve que seria melhor voltar com um clérigo cuja fé seja suficiente para que elimine o mal existente neste local.
A volta é tão ou mais atribulada que a ida, de tal maneira que um membro do grupo, Lithan, é pego de surpresa por mortos-vivos recém-invocados por outros sacerdotes malignos e tomba ante devastador ataque surpresa.
Sua morte é vingada, mas todo o grupo sente o peso da morte de um companheiro.
O grupo recua, e após vencer os desafios restantes se recupera do lado de fora da cripta.
Decidem então ir a Nova Benzor buscar ajuda junto ao sacerdote Logan, um Helmita e senhor do templo na Fortaleza Vigilante, de Nova Benzor.
O sacerdote, usando de seus dons divinos, consegue trazer de volta Lithan. O grupo, então, se reune na praça em frente a Fortaleza Vigilante, onde uma reunião ocorre.

Após isto julguei ser uma oportunidade única de reforçar nossas fileiras a presença destes homens tão valorosos. Os reuni, a todos os participantes, para lhes expor o que sinto desta terra, da necessidade de sermos uma força atuante, e da nobreza dos atos que deveríamos ter servindo a causa nobre da SOL. Lhes passei minha impressão sobre cada um deles, e formalmente, como líder da SOL, lhes convidei a conhecer a ordem e dela fazerem parte.
Percebo que foi a melhor coisas que podia ter acontecido a SOL. Dentre estes bravos e nobres homens, apenas o senhor Eric não pode aceitar, por não ser ainda um homem de fé como os outros. Mas fiz questão de frisar que ele seria sempre bem vindo ao nosso lado, por sua nobreza de conduta e postura reta e justa no decorrer da missão.
Quanto aos outros, seus nomes são Alex, GrayFord e Lithan.
O senhor Alex é um jovem vigoroso e cheio de disposição, mas parece ainda carecer de mais experiência e sabedoria. Mas creio que em breve terá os dois, e assim nos ajudará, e muito, na nossa missão.
O senhor GrayFord, por outro lado, é um homem de mais idade e, como tal, com sabedoria e ponderação justa. Parece ter uma grande vontade de agir na causa, mas sua idade as vezes, como me ocorre com freqüência, pesa nos casos mais sérios de ação. Mas é um homem ainda no auge do vigor físico, e que por ainda longos anos terá toda a força necessária para atuar no front e no planejamento das ações.
O senhor Lithan é um caso a parte neste grupo. Sua vontade de ajudar, de fazer o que é reto e principalmente de servir ao seu deus, o senhor Torm, são inigualáveis. Creio que em toda a minha vida poucas vezes vi um jovem tão dedicado e humilde, mas ao mesmo tempo tão nobre em seus atos e desejos, que duvido que permanecerá como acólito por muito tempo.
Devo mencionar que os que aceitaram o convite logo foram nomeados Acólitos da SOL, até que provem seu valor e sua veracidade junto aos nossos preceitos e missão.
Mas, como dizia, o senhor Lithan surpreende, e creio que em breve já será um homem de fé respeitável em seus julgamentos e decisões, e principalmente pelo exemplo que dará nas missões que cumprir.
Deixei ordens de que o senhores Alex, GrayFord e Lithan sejam bem recebidos no Forte como Acólitos da SOL. A estes devem ser oferecidos acesso restrito ao forte, pois ainda são acólitos, mas não membros efetivos da Ordem. Estão sob provação ainda, mas mesmo assim são membros da SOL. Espero que se integrem a rotina da SOL e logo comecem a nos ajudar, pois muito precisamos deles nestes tempos conturbados.
Espero mais ainda que nos guie, a todos, ó Justo, nesta senda que seguimos pelos seus preceitos.



Mai 07, 2008

*Carta aos magistrados do acampamento da SOL, escondido numa caverna nas cercanias de Benzor e Tommel*


Caros Irmãos e Irmãs,

Da Tríade, honra e glória eterna no cumprimento do dever.

Caros, escrevo-vos esta missiva no intuito de relatar o que se passa em nossa missão no deserto, a fim de que saibais como temos nos portado e que dificuldades, com as graças da Tríade, temos superado.

Não é de hoje que os irmãos tem questionado minha liderança, devido a minha melancolia e falta de organização da tropa em combate. Confesso a vós que eu mesmo me questionava a respeito do cargo que ocupava. O simples convívio com servos mais experientes e capacitados, como o Mestre Slotus, monge de Ilmater, ou mesmo com o mestre Rugnard, lord anão, me faziam sempre pensar qual minha função frente a tão sagrada ordem, se minhas capacidades eram limitadas e minha força faltava na frente do combate.

Mas irmãos, pela verdade com que me guia Tyr, atentais que nunca, jamais, faltei com a coragem ou a dedicação a nossa causa. Sempre me mantive ereto, de cabeça erguida e olhos fixos no inimigo, sem jamais dar as costas ao combate, mesmo sabendo da minha falta de perícia ou destreza na peleja. Por Tyr, que me justifica, eu sempre combati, e sempre combaterei o bom combate, até ao fim. E sempre segundo as regras de honra que condizem com nosso código de vida.

Mesmo assim, irmãos, não foram poucas as repreendas que recebi de nossos conservos e aliados. Principalmente dos mais experientes na arte da guerra, sempre ouvi resguardos de minha ação no front, seja por cuidado extremo de nossos companheiros ou seja por desfeita de aliados cuja fé não é tão grande quanto a nossa. Em todos os casos, sempre me calei, conservando a justiça a quem cabe distribuir, a nosso senhor Tyr, justo e verdadeiro.

Porém, daquele que julgo ser o expoente máximo de nossa ordem e com quem sinto orgulho de partilhar minha fé e esperança, o nosso herói Beldar, alto-sacerdote de Tyr, recebi uma dádiva santa que conservo mais que a própria vida. Tal dádiva veio a fortalecer minha fé e esperança na redenção de meu caminho. Tal ferramenta, divina em sua formação, acrescentou em mim aquilo que os irmãos e irmãs, e mesmo eu, sabiam que me faltava.

Caríssimos, por Tyr vos digo, a alegria enche novamente meu coração. A mágoa comigo mesmo e a dúvida sobre como Tyr ainda me via, se dissiparam frente ao que recebi. Aceitei como prova cabal de que Tyr apóia meus caminhos e decisões, e de que sou seu fiel servo nesta empreitada.

A dor das minhas máculas ainda permanece, mas agora soterrada pela vivacidade de saber que luto com a verdade ao meu lado, e que o braço forte de Tyr me honram. Sinto em mim a força da juventude novamente em minhas veias pulsar, e o radiante vibrar de um coração cheio de esperança e fé a mover meu ser nesta caminhada.

Os últimos acontecimentos no deserto só comprovaram minha fé em nosso senhor. Creio que já saibam, mas por segurança relato novamente.
A poucos dias nossa caravana confusa vagou no deserto, frente a uma tempestade de areia sobrenatural, regida pelas forças negras que neste deserto dominam. Temos errado por caminhos tortuosos, até que, sem indicação, adentramos num domínio de vermes púrpuras, que agindo sorrateiramente nos emboscaram. Muitos foram os combates, e em todos nosso grupo unido foi vencedor.

Porém, numa última investida dos invertebrados seres, uma monstruosidade criada pela mais vil das mentes se fez saber. Um verme, mais alto que o mais alto dos pináculos do templo da Luz, tão robusto quanto uma muralha e de diâmetro maior que o de uma torre arcana, lançou-se do solo arenoso em direção ao céu. Sua dimensão era tamanha que seu corpanzil chegou a ocultar o sol por um instante, eclipsando toda luz sobre nossa caravana.
Por minutos se ergue em direção ao infinito, e somente quando sua cabeça atingia o ápice de seu arremate que sua calda mal ainda saia de sua toca tenebrosa.

A esta visão, mesmo os mais corajosos e viris de nossos homens fraquejaram. A pobre senhorita Kaly, estimada sacerdote de Kelemvor, chorou como a criança inocente e pura que é, abraçada a mim na sua triste desesperança frente a hedionda criatura que se lançava contra nós. Mesmo homens feitos e cuja bravura já foram extremamente comprovada, como o alto-sacerdote Lithan, tremeram frente a tal criatura.

Embora não tenham demonstrado de maneira mais explicita, mesmo o lord anão Rugnard, do alto de sua experiência e bravura, ou o mestre Slotus, reconhecido por sua destreza e habilidade inigualáveis em combate, fraquejaram ante a besta. Paralizados ou em movimentos desconexos devido ao efeito aterrador da monstruosidade das profundezas, eles não faziam frente a criatura, apresentando-se sem condições de combater a besta, tal era o estado de suas mentes.

Porém a mim coube a gloriosa honra de um combate realmente digno. Embora minhas capacidades sejam limitadas, seja pela idade que trava minhas juntas ou seja pela fraqueza que os anos adicionaram a minha mão, ainda assim fui capaz de portar Norung e Gugnir, e munido de minha fé e honra me postei entre o nosso grupo e a besta.
O combate foi limpo, encarando de frente aquilo que ameaçava os meus irmãos, e a luta foi gloriosa para mim.
Mesmo quando a besta arrancou minha mão que portava meu escudo Gugnir, ainda assim Tyr se fez meu exemplo e me auxiliou a erguer Notung frente a besta, permitindo-me um último golte em suas entranhas.

Honra-me o fim que tive, irmãos. Sucumbi frente a monstruosidade, imensamente superior a mim em força, mas inferior em bravura e dignidade. Confesso que acreditei ser então o meu fim ao sentir suas presas desmembrando-me lentamente, mas mais ainda confesso, com a glória de Tyr, que me satisfez ter um fim assim.
Morrer pela segurança e vida de nossos irmãos e irmãs, sacrificando a mim num combate que sabia ser perdido, foi a coroação de uma vida de serviços a Tyr e a causa da Tríade.

Ah, quão glorioso seria ser aceito nos salões da justiça de Grimjaw. A eternidade ao lado dos baluartes da verdade e justiça, isto sim seria uma eternidade honrosa. Porém Tyr é um deus justo e com certeza tem outros planos para mim. O presente com que recuperou minha auto-estima e confiança não se faria pouco caso ficasse preso a bainha que o guarda. Outrosim, sua lâmina merece mais uma vez ser brandida e seu fio precisa novamente se banhar no sangue dos injustos. A vilania não pode livremente circular sem antes enfrentar a brancura da luz de Tyr. Por isto, creio eu, irmãos, Tyr e todos os deuses da Tríade, em acordo com Kelemvor, o guardião dos mortos honrados, não aceitaram a mim em seu reino. Mais até, cobrindo de divinos dons seus sacerdotes, na figura do sempre justo e verdadeiro Lithan e da estimada e pura Kaly, abençoaram minha carne cansada e meus ossos velhos, regenerando meus membros e órgãos perdidos. E as preces entoados por Beldar, o herói da SOL, por fim repercutiram junto a Tyr, que concedeu-me a graça de novamente sobre minhas pernas poder caminhar e lutar.

Por isto, irmãos e irmãs, vos conclamo a seguirem firmes na labuta. Sei das dificuldades mais do que ninguém, e mesmo eu sinto ainda o peso das dores e do sofrimento, mas ainda por isto vos exalto a seguirem na doutrina e guia que só a honra pode dar.

Peço-vos que continuem no bom trato a todos que ai passarem, e que me retenham os recados recebidos em meu nome. Ainda em breve devo estar de volta ao acampamento, onde prepararemos uma missão de cunho crucial a nossa ordem e nossa missão.
Saúdem nossos irmãos por mim, e sintam-se saudados pelos nossos irmãos e aliados que aqui permanecem.

E que a justiça de Tyr guie vossas decisões, e sua honra mantenha a todos com bravura e verdade nos atos e caridade na compaixão.

*assina* Siegfried Walsung *brasão de lider da SOL*



Mai 08, 2008

*Após uma noite turbulenta, onde muito fora dito e mais ainda fora feito*

-Mestre....Mestre....Minha vida pela vossa,, mestre. Como estás, meu senhor?
-Vilia...Vilia? És tu, minha irm&atiilde;?
-Sim, mestre. Como estão suas pernass?
*tateando os membros inferiores, Siegfried descobre que suas pernas novamente estão no lugar, sãs e fortes como no alvorecer de sua maturidade*
Trajando uma túnica leve e apropriada para o calor do deserto, Siegfried observa seu corpo reconstruído. Observa sua armadura estraçalhada ao lado, seu elmo amassado e cheio de areia, seu escudo, perfurado por dentes mortais do Verme, atado a talos e cordas usados para o carregar até a vila de Bedine, no Deserto da SOL

-Pernas? Oh...*sorri* estou bem, e elas estão de volta, pela Graça de Tyr, minha irmã.
-E vossos braços, meu senhor? J&aacuute; os sente firmes?
-Sim, querida irmã. Graças aos sacerdotes de Torm e Kelemvor, já sinto a força de meu deus para empunhar Gugnir e Notung contra quem precisar, senhora.
-Hum... **calada, agita suas asas nervosamente*
-Sei o que pensas, irmã. *sorri gentil* Sim, a noite de ontem fora deveras marcante. E sei que nem todos sairão com suas almas limpas depois do que acontecera ontem. Mas veja pelo lado bom, minha senhora, pudestes ao menos vislumbrar duas coisas por demais importantes para vós e para nós. A primeira, que mesmo sob efeito de uma negra e densa névoa sobre nossos espíritos, ainda somos cavaleiros e sacerdotes de nossos deuses, prezando pela doutrina e honra que devemos servir. E, segundo e mais importante, que nós todos, e nisto incluo vossa pessoa, minha estimada irmã, que todos podemos e temos de resistir as tentações e emoções que nos afastam de nosso dever. Que todos, e vós também, possuímos a força e a dádiva para enfrentar nossas maiores perturbações, e delas sair vencedores.
-Mestre, não entendo o que diz?
-Sim...sei que não. *sorri gentil, feliz* Mas vos explicarei com mais calma, então, minha amada irmã, se assim tiver paciência para ouvirdes.
-Minha vida pela vossa, mestre. Se for seu desejo, ouvirei.
-Então fique confortável, pois isto eu gostaria sim que ouvisse, e mais ainda, que tocasse no fundo de vossa alma as palavras que vos direi. Mas nada disto é uma ordem. É um apelo, a vós, irmã, para que saibas que também tens a salvação que dizes não ver.

*de modo frio e seco, Vilia se posta em pé, de maneira militar*
*Siegfried sorri, de maneira gentil e motivada*

-Pois bem, irmã, tentarei ser sucinto em minhas colocações, mas desta vez exigirei mais de vós nesta nossa prosa. Estás de acordo a responder-me quando vos solicitar?
-Sua vontade será feita, meu senhor..

*coçando a barba pensativo, Siegfried deixa escapar um sorriso pelo canto da boca, satisfeito*

-Mestre, posso vos perguntar uma coisa antees que prossigas?
-Claro, minha senhora. O que desejas arg&uuuml;ir?
-Por que está tão contente? Fostes mutilado, perdestes vosso braço, pernas, vossa vida ficou por um fio e na noite passada ouvistes insultos sem fim. Por que estás feliz, se antes quando tudo andava bem sempre mantinhas uma expressão melancólica e soturna? O que aconteceu? Quer que eu mate alguém que o está incomodando?

*sorriso largo, farto*
-Não, minha querida irmã. De maneira alguma. Mas vos conto o porque. Isto é o motivo, ou melhor, a prova do motivo. *Aponta para uma espada que carrega nas costas, muito presa e amarrada à bainha e ao seu corpo.*
A bainha é ricamente trabalhada, com motivos da vida de Tyr, representando cenas de sua coragem quando perdeu a mão para aprisionar o lobo Fenrir, de quando perdeu a visão pela punição de Ao, e dos julgamentos no Templo dos Deuses, onde regeu as reuniões dos deuses. Cenas de suas batalhas, empunhando sua Justiceira ou brandindo seu martelo, o Martelo de Grimjaw, enriquecem a bainha feita de um couro branco como o de um cervo sagrado, desenhada com filigranas de ouro e prata.
A empunhadura é dourada, com linhas de lápis-lazúli e uma Safira Azul Celeste, mais azul que um céu claro, mais intensa que o azul das profundezas de um mar límpido, perfeitamente lapidada em forma circular, uma perfeita meia-esfera, como a abóbada celeste.
A espada está lacrada a bainha por um fino e ricamente trabalhado fio de ouro, trançado sete vezes, preso a um furo cercado de runas antigas e sagradas.
-Aqui vês a prova de que meu sacrif&iiacute;cio e autopunição foram aceitos por Tyr, e de que meus pecados foram sepultados junto aos que perdi na minha falha. Estou novamente livre da culpa, sabendo que meu julgamento fora correto e minhas ações as justas. Agora sei que Tyr julgou meu esforço válido, nobre e honrado, e sei que minha conduta cumpriu seu dever.
-Do que falas, meu senhor?
-De tempos passados, minha senhora. De tempos onde os Martelos de Grimjaw julgavam nas Dez Vilas do Vale Gélido, de tempos onde meu pai, Wotang Odinisson, liderava a ordem dos MdG e eu era o responsável pela Vila de Termalaine.
-Eras um Martelo de Grimjaw, senhor?
-O sou novamente, senhora. Por falar nisso... *numa ação repentina, Siegfried abre a camisa de sua túnica e começa a remover uma atadura presa ao ombro esquerdo*

Sem cerimônias o Líder da SOL retira a atadura, mostrando em todo o seu resplendor a marca a ferro da ordem a qual pertenceu e foi o segundo-em-comando nas terras gélidas do mais norte do continente de Faerun. Um escudo, tento a frente um martelo e uma balança perfeitamente equilibrada, cobre toda a extensão de um ombro rijo como o mais antigo dos gelos continentais. Uma marca antiga, que cresceu com o desenvolver e amadurecimento do cavaleiro na ordem e na vida.

-Pronto, assim está melhor *sorri satisfeito ao olhar a marca da qual tanto se orgulha, mas pela qual tanto sofreu e por tanto tempo sentiu pesar em sua jornada após o combate em Termalaine.*
-Já não há mais motivos pelos quais eu envergonharia meus pares. Já sou novamente, em toda a plenitude de meu ser, um Martelo de Grimjaw, minha senhora. Um instrumento de Tyr contra a vilania destas terras, tão diferentes de meu lar. *sorri divertido*
-Minha cara, não achas irônico que eu tenha caído no gelo infinito do Vale dos Ventos Gélidos, junto a uma vila isolada à beira de um lago, e que venha a encontrar a redenção justamente num deserto, cálido mas tão rigoroso e duro com a vida, tão desolado e vazio quanto a tundra do norte, e igualmente habitado por perigos, residindo novamente junto a um lago numa vila isolada e desprotegida? *gargalha divertido com a ironia da vida*
-Rá, por tempos esperei por vós, meu Senhor, dono da Justiça e mestre dos juízes. E sou-vos grato que enfim tenhas chego, meu Lorde. *alegre, faz uma meia-mesura, batendo com a mão direita sobre a marca de sua linhagem*

Alheia ao sentimento de alegria de Siegfried, Vilia repara num outro pedaço de pano ainda atado ao seu mestre. Mas desta vez não se trata de uma atadura, mas sim de um lenço, delicado como a mais fina seda, ornado de pequenas flores de cerejeira desabrochando na alvorada da primavera. Uma pequena mancha de sangue marca seu tecido velho e antigo como a barba do cavaleiro, mas intocado pelo tempo. Um tecido que apesar da idade não se apresenta puído ou mesmo roto, mas ostenta uma pureza que o torna insensível ao passar da areia pela ampulheta.

*apontando para o lenço, Vilia lhe dirige a palavra de modo seco*
-Mestre, e este pano, que esconde? Alguma ooutra marca? Quer que o arranque para o senhor? Minha vida pela vossa, mestre.
-Oh...este aqui não, minha irmã. *seu semblante se torna mais sério, contido, mas não triste ou melancólico como outrora* Este permanecerá, para sempre.
-Por que? *pergunta a celestial, diretamente e sem rodeios*
-Porque esta foi a última dádiva que minha filha me deixou antes de partir para encontrar sua mãe, minha senhora. Esta é a única coisa que restou do que de mais puro e belo tive em minha vida, e do bem mais precioso que jamais poderia perder, cara irmã.

Aproximando o lenço de seu rosto, Siegfried o toca com um beijo silencioso, quase sacro. Ao fechar seus olhos ele ainda sente o perfume doce de sua filha, e ao tocar sua face com a seda pura ainda sente a delicadeza do toque da mão de sua mais preciosa prenda.
Num sussurro, Siegfried diz palavras de uma cantiga antiga, usada para embalar crianças medrosas nas noites de inverno, quando o vento uiva em suas janelas e monstros imaginários se escondem embaixo de suas camas. Noites onde a segurança só era possível nos braços de seu pai, sempre gentis e afáveis.
Num último toque, Siegfried fecha os olhos e se cala, como um pai que vê seu filho dar os primeiros passos, ou ao ouvir a filha amada balbuciar pela primeira vez aquilo que por muitas vezes diria a seguir: Papai. Aquela que seria sua última palavra também, num último suspiro antes de partir.

-Nunca deixarei de honrar aquilo que me manteve vivo após minha queda, senhora Vilia. *diz o paladino, afastando o pano de sua face e voltando a sorris gentil a sua companheira*
-Há algo mais que desejas perguntar,, minha senhora?
-Não mestre.
-Pois então, agora vamos ao tema anterior de nossa conversa. Quem sabe não sejam vossos lábios os próximos a sorri, não? *diz ele esboçando um sorriso divertido e amável*
*um aceno de cabeça, contrariado, e uma postura dura e rija são a resposta da Celestial de asas negras*

-Minha querida, vistes as diversas rea&cceddil;ões dos nossos irmãos ontem? Reparastes como cada um reage às emoções e sentimentos?
-Sim, meu senhor. Fiquei perturbada ao sentir a aura de vocês. Estava púrpura como o sangue de um inimigo derramado ao chão. Era intensa, brilhante e fria, como um rubi trabalhado a reluzir sob a luz de mil velas.
-E mesmo assim, o que vês hoje, senhoora? Como sentes minha aura, e a de todos, nesta manhã ensolarada?
-A sinto pura, branca e alva, sem má;cula.
-Sim, isto mesmo, irmã. *sorri contente* Exatamente. Mesmo depois das provações de ontem, mesmo depois de tudo que fora feito e dito, cá estamos nós outra vez, servos fiéis de nossos deuses, prontos para dedicar nossas vidas as suas doutrinas. E sobre isto que queria que pensasse. Nós, assim como vós, fomos afetados pelas brumas do maligno. E se nós, simples humanos, e anão, suportamos a prova, com certeza que a senhora também superaria se assim desejasse.
-Estou além desta salvaç&atillde;o, meu senhor.
-Não, não estás. *assumindo um tom mais sério, Siegfried olha diretamente nos olhos brancos e sem pupila da celestial* Não estás não, Vilia, e nunca estivestes. Só falta um passo vosso para assumirdes isto, e assim também estar redimida, senhora. Mas não me estenderei nisto mais, pois sei que vos desagrada esta conversa. Apenas friso que como nós também tens a chance de voltar. Basta querer. E, quando quiser, estarei ao seu lado, lhe dando todo o suporte e ajuda que precisar, minha querida irmã.

*calada, Vilia desvia o olhar de Siegfried, sem no entanto deixar cair a máscara de frieza com que cobre sua face*

-Mas vamos além, senhora. Vamos analisar cada reação dos nossos irmãos ontem. Comecemos pela amável e sempre pura Kaly, minha filha por amor. Reparastes como ela tentou ao máximo conter seu choro, e como esbravejava como uma jovem que vê seu conto-de-fadas desmoronar. Vistes com que fibra enfrentou o senhor Rugnard e o senhor Beldar, sem no entanto perder sua compostura? Reparastes como ela, mesmo afetada pela loucura temporária que a todos tomou, jamais se afastou de seus dogmas, buscando a reconciliação e a paz no acampamento, pensando no meu bem-estar e na união que devemos ter mesmo nos momentos mais difíceis?
-Sim. *reesponde seca a celestial*
-Sim....ela é muito doce mesmo. Quão querida ela me é. E mesmo assim, frágil e desprotegida como aparenta, foram suas preces quem mantiveram minha alma presa ao meu corpo.

-E o sacerdote Lithan? Reparastes na dedicação a minha pessoa, mesmo entre tantas desavenças que tivemos no passado? Vistes a sua fibra em concentrar-se em me dar os cuidados necessários, sem se enervar como antes com a discussão que se seguia ao seu redor? Poderíeis vós me dizer se houve um momento de falha no cumprimento de seu dever? Não, claro que não, porque mesmo sob tamanha confusão mental ele focou no que era necessário, justo e correto. Um perfeito devoto do seu deus.

-E Beldar, sempre contido mesmo frente as ameaças e bravatas do mestre anão? Poderíeis vós me dizer que ele falhou com a verdade ou foi injusto em suas palavras? Podeis me apontar uma mentira em seus atos? Claro que não, senhora, pois seu âmago sempre esteve ligado a seu deus, mesmo frente as ofensas proferidas contra si e contra mim. Ele manteve-se justo, verdadeiro em seus atos. E viste como, pela manhã, após a oração da Fé Cega, seu corpo emanava santidade, tamanha sua ligação com o celeste? Podes perceber as bênçãos que Tyr lhe concedeu, mesmo agora olhando para mim recuperado?

-Sobre o monge, que poderia se dizer, uma vvez que manteve sua postura imaculada de calma e serenidade, mesmo sob o calor das palavras despejadas como rios de desavenças no meio de nós. Sua serenidade e seu afastamento das questões banais o mantiveram sempre pensando apenas no que é preciso, no sofrimento dos que ainda estão desamparados. Fiel seguidor de seu deus, patrono dos flagelados, ele até dormir conseguiu.

-Sim, sei que estás pensando: Ah, maas e o anão? O que dizer dele? Ora, que mais se diria de quem sempre agiu com o fervor do mais quente dos fornos, pronto a derreter qualquer problema como o calor derrete o metal num cadinho. Como esperava que ele enfrentasse a situação, senão martelando o que o aflige como o martelo ao metal sobre a bigorna, até que o seu problema assuma a forma que deseja, de uma obra-prima da forjaria. Esperavas que um servo do Forjador dos Anões fugisse ou se escondesse atrás de palavras doces? Não, isto seria uma desonra a ele e a seu deus. Agiu com fúria desmedida sim, mas nunca longe de seu ideal de honra e nobreza. Se falou palavras torpes não foi sem a intenção de corrigir aquilo que achava errado. E se agrediu com ofensas não foi senão por entender que este é o meio mais rápido para atingir seu objetivo de forjar pessoas dignas e honradas. Outrossim, ninguém externou mais o que realmente sentia que o mestre anão, minha cara, e com isto hás de convir.

-O jovem Lucius não foi influenciado pela malignidade do deserto, por isto não deve ser incluído nesta nossa análise, restando então apenas a mim ou ao nobre cavaleiro Prusik. Deste, que se há de falar, uma vez que conteve seu ímpeto com vontade de ferro, não cedendo aos desejos aflorados, mas mantendo-se calado, apenas intervindo quando a conversa se tornava por demais acalorada, mediando para que as partes recuperassem a compostura. Uma posição neutra, honrada, que busca apenas o certo e afasta o errado, como seu deus Kelemvor. Que há de se repreender nisto, minha senhora?

-Quanto a mim, já passastes tempo demais junto a mim para que digas que não conheces o âmago de minha alma. Já me vistes externar minha dor e melancolia por vezes demais e por isto não sinto necessidade de me defender, até porque não vejo do que me defender.

-Assim, encerro minha explanaç&atildde;o, e à deixo com vossa solidão para que reflitas sobre o assunto, passado e futuro, minha querida dama. Estarei à beira do lago, preparando meu desjejum. Caso desejes vos juntar a mim, ser-me-ás um prazer tê-la comigo nesta refeição.

Assim dizendo, Siegfried sai da tenda, sorriso farto no rosto, sentindo-se revigorado pelo calor do sol e pela luz que inunda seu ser. Revigorado, mais uma vez toca a espada presa às suas costas, e caminha a passos firmes rumo ao lago, deixando para trás as dúvidas levantadas por suas palavras na alma da caída celestial.

-Sim, quem sabe ainda haja esperança para mim também, meu senhor. Se até vós conseguistes recuperar a alegria e a fé em vós mesmo, quem sabe eu também.....
*E assim, murmurando para si mesma, ela sai da tenda e alça o mais alto dos céus, voando livre para um rochedo afastado da visão de seu mestre, hoje um cavaleiro completo, um paladino na primeira concepção da palavra*



Mai 09, 2008

Um noite, perto de uma das muitas fogueiras espalhadas pelo acampamento dos Cavaleiros do Sul, na vila de Bedine, um menestrel usou de sua arte para expressar os sentimentos por ele captados. Tudo que havia se passado desde a chegada de um grupo de cavaleiros, aliados a um monge sisudo e um anão tão rude e resmungão quanto um anão consegue ser, haviam enchido a vila das mais fabulosas histórias. Batalhas homéricas, curas milagrosas, reinos gnômicos perdidos, sacerdotes malignos, vermes púruras, mortos-vivos e, então agora, uma cidade dominada por goblins. Tudo era místico e fantástico para o povo tão acostumado ao marasmo de uma terra seca e desolada, imutável por milhões de anos. E tudo era mais que tentador para um menestrel habilidoso transformar em poesia.
Ao longe se via um casal conversando. Um homem alto, de cabelos longos e cuja barba apresentava uma mistura entre o dourado de sua ascendência e o prata de sua idade, conversava com uma mulher, bela como os mais lindos arcanjos dos sonhos, mas de modos duros e secos como os guerreiros mais experimentados das guerras mais sangrentas.
Ambos pareciam se respeitar mutuamente. Ambos se olhavam nos olhos, o homem com uma expressão agradável, gentil e caridosa. A mulher, cujo elmo era seguro sob o braço, com uma expressão rija, séria e impassível ao que quer que estivesse ouvindo.
Embalado pela poesia que vibrava no ar, o menestrel entoou sua canção, ouvida por todos com atenção.


Ele a chamou:
“Ode ao Paladino”


Um dia um nobre herói
por essas terras aqui parou,
queria tocar os corações,
com pedras que batem e não causam dor
e vivia de ouvir e lançar
tantas pedras preciosas no ar,
pérolas extraídas da fé
que ao longo do tempo guardou como um dom.

Um dia o destino lhe falou,
é preciso calor pra viver
e pro Norte longínquo apontou
um deserto haveria de ter,
cheio de desafios sem iguais,
uma terra de encantos, enfim,
de pessoas e histórias especiais
e de honra e glória sem fim

Foi então
em Bedine parar.
Foi então
em Bedine parar.

Cheio de esperança e amor,
ao norte se dirigiu
sem temor ou rancor,
e seu destino cumpriu.
Com fé no coração
veio a todos ajudar,
neste local desolado,
pela vida lutar,
e a antiga ordem
fazer novamente brilhar.

E ai que encontrou o calor pra viver,
que encontrou seu amor pra viver.
E caiu na estrada, cruzou,
tantos rios e mares, passou
tantas batalhas lutou
e lágrimas derramou.

Foi, foi...
Aqui em Bedine.
Foi foi...
Aqui em Bedine.

Sem jamais se esquecer,
da terra do seu amor,
das tundas e frio invernais,
do seu povo amado,
não esquecerá jamais....

Hoje vive a sorri,
E a todos animar,
sua fé e doutrina
sempre a espalhar.
E se dedica a enfrentar
os temores da gente sofrida,
com sua honra e glória
e coragem desmedida.

Já morreu, já viveu,
já perdeu, já venceu,
já chorou já sorriu,
mas nunca desistiu.

É..é...
Aqui em Bedine
É.. é...
Aqui em Bedine.

As noites passa a meditar,
os dias a treinar,
sempre pronto a combater,
e a justiça fazer.

Só uma coisa ainda falta,
mas não vai desistir,
o coração de sua amada
novamente fará reluzir.
E enfrentará o que for,
gigantes dragões ou a dor,
a tudo suportará
se a luz da celeste justiça
à amada voltar.



Mai 13, 2008

* Passado um tempo desde a visita de Belad a Siegfried no acampamento da SOL, o paladino decide que é hora de o procurar. Sem informações sobre onde possa estar Belad, Sieg decide começar por Trondor, seu último lar. A viagem é rápida nos lombos de Sleipnir, e tão logo atinge os muros que cercam Trondor, o cavaleiro remove sua armadura e guarda o escudo nas costas, entrando desarmado conforme as leis locais.
* Tão logo entra procura por Belad, e na falta de informação deste procura por Tebryn, que sabe ser amigo de Belad e de quem talvez consiga alguma informação.
* Indo atrás de Tebryn, Sieg entra naquilo que pensa ser uma prisão, porém os gritos lhe deixam um pouco desconfortável. Logo que entra é recebido por Kyo, uma drow que conhecera numa visita diplomática que fizera a corte de Trondor em dias conturbado por um conflito entre este reino e Tobaro. Esta, reconehcendo o paladino de Tyr, o convida a dar a extrema-unção a uma drow prisioneira, a qual Kyo trata com a maior crueldade possível.
* Cumprindo seu dever de servo do justo e juiz dos povos, Sieg se dirige ao recinto onde Kyo interroga a prisioneira. Discordando do modo como o interrogatório prossegue, Sieg deseja saber da prisioneira suas reais intenções, e se a benção final é mesmo seu desejo. A prisioneira reage agressivamente, proferindo blasfêmias e imprecações contra todos os presentes. A isto, Tebryn se aproxima e analisa a situação, reconhecendo a prisioneira como uma serva de Loth, uma assassina de seu povo e violadora em grau maior das leis de Trondor.
* Seguindo as leis locais, as mesmas leis que Seig recorda terem punido Alicia com chibatadas na ocasião da reunião da cimeira sobre o destino de Sholo, a pena seria a morte. Pena esta prontamente aplicada por Kyo, que exibiu um sorriso de satisfação ao poder cumprir o ritual final.
* Encontrando Tebryn, Sieg tenta iniciar uma conversa, mas este mostra-se deveras calado. Incomodado com os arredores, Sieg sai da prisão e se dirige a biblioteca ao lado, onde encontra Alicia, que aparenta profunda tristeza.

-Senhora, algo se passa onde eu possa ajudaar? Percebo em vosso semblante que algo a perturba. Posso ser de valia neste momento?
-Ah, Sieg, é o Tebryn. Brigamos de novo. Ah...*meio irritada* toda vez é isto. Estávamos discutindo os rumos que temos de tomar com esta crise dos mortos que voltaram, e novamente discordamos e a coisa não andou bem.

* Com um abraço paternal e carinhoso, Sieg tenta consolar sua amiga, ignorando o fato estarrecedor que o deixou preocupado. Colocando as prioridades em ordem, Sieg decidiu que seria melhor primeiro conciliar o casal de aliados para depois investigar o evento macabro.

-Eu estou confusa, não sei o que fazzer. São tantos problemas, tanta coisa erra, nem sei por onde começar *diz ela emocionada* E ele fica me dando conselhos, falando em como devemos agir, mas....
-Sei do que precisas, senhora, e serei vossso amigo nesta hora. Meu carinho e atenção são todos vossos.
-Obrigada Sieg.
-Não há o que agradecer, senhora. Com prazer ajo assim. *responde o paladino com um sorriso nos lábios e um olhar caridoso nos olhos*

* Dito isto, Tebryn entra mudo e permanece calado nas proximidades dos amigos que conversam.
-Quem sabe eu possa falar com ele.

*Sieg se aproxima de Tebryn, saudando-o com as formalidades de praxe e buscando um diálogo sobre o assunto.

-Poderíamos conversar em particular,, senhor?
-Sim, vamos a minha casa. *responde de maneeira direta e seca o senador drow, um tanto aborrecido*

* Calados, os dois deixam a biblioteca e se dirigem a moradia do senador. Cruzando toda a cidade sem trocar nenhuma palavra, os dois chegam a morada do drow.

-Entre.
-Com licença, senhor. *cumprindo as formalidades para entrar na casa de alguém, Sieg entra na moradia ricamente decorada e muito bem organizada. Bem demais para um drow macho e solteiro, pensa Sieg consigo mesmo*
-Quer algo? Vinho?
-Não, obrigado, senhor. Apenas vim ppara conversar. Mas aceitarei se entender como ofensa a recusa.
-Não.

* Prestes a iniciar a conversa, Alicia entra e se senta, tão calada e emburrada quanto o seu par drow*

-Bom que estão ambos aqui. Assim podemos discutir melhor o assunto. Senhor Tebryn, perdoe-me se me intrometo em assuntos que não devo, mas me corta o coração saber que coisas externas ao vosso amor tentam minar vossa relação. Se me permites, vou expor meus sentimentos, baseado em minha experiência pregressa e no amor que sinto por vós dois.
-Continue.

*Com um olhar carinhoso para os dois, Sieg inicia sua fala*

-Vejo que os problemas de estado tem perturbado por demais vossa companheira, que se encontra desorientada e perdida entre tantos casos sem solução. E sei que vosso primeiro intuito, guiado pelo vosso amor, é tentar aconselhá-la, orientá-la para que chegue a resolução de seus problemas.
-Entendo também a dificuldade de, numa sociedade drow, demonstrar publicamente vossos sentimentos, ainda mais sendo vós dois figuras de destaque no reino. Entendo como deveis vos sentir.
-Nunca fui atado aos costumes dos drows, saabe disso, Sieg.
Sim, o sei, senhor. Por isto vos digo, com clareza. A necessidade de vossa amada, neste momento, não é a resolução de problemas ou a orientação sobre como proceder. Este tipo de coisa ela pode obter consultando sábios ou generais. Qualquer estranho pode lha dar ajuda nisto.
-O que ela realmente precisa, e o que a motivou a vos procurar, não foi vossa sabedoria, que creio ser respeitável, mas sim vosso amor. E é disto que ela precisa. Ela precisa de vosso afeto, de vosso carinho. Se ela vos apresenta preocupação, abrace-a. Se chora por não saber algo, abrace-a. Se parece confusa e sem saber como agir, beije-a com todo seu amor. Melhor resposta para a angústia não há que a presença e compreensão da pessoa amada.
-Nem todos os problemas exigem soluç;ão, senhor. Aqueles que mais nos perturbam requerem apenas carinho e atenção. Tudo o mais se resolverá se souber a ouvir, e souber a amar. Lembre-se, ela procura em vós o amor de um esposo, não a postura do senador do reino.

-Precisamos pensar sobre o assunto, Sieg. **lhe responde o drow, atingido pelas palavras do paladino.* -Pode nos dar um minuto?
-Tanto quanto precisardes, senhor. Estarei lá fora caso precisem de algo mais. Com licensa.
* Cumprindo as formalidades com um sorriso no rosto, Sieg deixa a casa e espera, encostado nas paredes do Coliseu que domina a paisagem central de Trondor, pela resolução do problema.

* Passado algums bons minutos o casal sai da casa de encontro ao paladino, que paciente espera com uma expressão cordial e gentil*

-Decidimos que é melhor nos separar..
-Oh...*uma súbita tristeza e desapontamento tomam a face do paladino. Acham mesmo que isto é necessário? Tenho certeza que podem se amar tanto...
*Com um sorriso maroto, Alicia diz que isto é uma brincadeira, e que não etnende como ele poderia acreditar naquilo. Envergonhado com sua pureza e inocência, Sieg sorri envergonhado e pergunta então o que decidiram*
-Tomamos uma decisão *diz resoluta AAlicia* decidimos que é melhor eu matar Tebryn e seguir adiante.
-Que? *chocado, o paladino deixa seu queixoo cair e fica abismado com a resposta, paralisado por alguns bons minutos*
* Com um olhar ainda mais chocado, os dois logo caem na risada e dizem ser brincadeira, e que realmente Sieg é uma pessoa muito diferente por acreditar nestas coisas.

-Resolvemos tudo, e vamos permanecer juntoss.
-Oh...que notícia maravilhosa!! *e com um largo sorriso de satisfação o paladino se recupera do choque inicial e felicita o casal, desejando o melhor do mundo do fundo do seu coração*

* Assim, caminhando pela cidade a conversar, o trio não tarda a encontrar outra figura proeminente do continente de Nordok.

-Irmão!
-Sacerdote Beldar.
-Beldar!! Que bom que está aqui. *s&ão as saudações que o recém-chegado recebe*
-Saudações. Olá, irm&aatilde;o Siegfried. Senhora Alicia, senhor Tebryn!

* Logo as formalidades são deixadas de lado e o drama por que passa a cidade é relatado. Em poucos minutos o quarteto decide que é necessários e buscar mais ajuda para resolver o caso dos mortos que voltaram, e que a SOL estará sempre ajudando no que puder aos seus amigos. Assim, Siegfried e Beldar partem de volta ao acampamento da SOL, onde outra reunião os aguarda, enquanto que Alicia e Tebryn saem para resolver os problemas de seu reino.



Jun 10, 2008

Siegfried se encontra na área do templo da antiga sede da Primeira Ordem. Cabisbaixo e ajoelhado, portando com orgulho a armadura de servo da Primeira Ordem, tem ao seu lado esquerdo seu escudo com o símbolo de Tyr, preso em seu braço esquerdo, enquanto que à direita conserva a espada sagrada da Primeira Ordem, segura pela empunhadura e com a ponta ao chão, rija em sua mão.

Os cabelos longos e esbranquiçados cobrem seu rosto, conferindo a sua face um aspecto de prata e ouro mesclados em fios finos e lisos.

De seus lábios escapa uma prece como um sussurro, num murmúrio pouco mais alto que o assovio do vento pelas frestas das pedras da torre semi-destruída. A prece vem fluida, livre e sincera. O destino dela é certo, os salões do grande deus da justiça e os ouvidos atentos dos deuses da Tríade que lá habitam.

Siegfried ora com a certeza de um Martelo de Grimjaw que já experimentou a glória de seu deus.


- É chegada a hora de exercer o juízo sobre tua serva Vilias, senhores da morada da justiça. Peço que guiem nosso entendimento para que atinjamos a verdade excelsa, sem parte com a mentira, a injustiça ou a impiedade. Concedam-nos a vereda do reto, onde o julgo não seja maior que o suportável nem menor que o insensível, onde o repreendido aprenda e o inocente tenha sua recompensa.
- Muitas são as dúvidas que ppermeiam nosso conclave. A falta de vida, de vontade....a falta de fé que achávamos ser inata, depois das visões que vimos caíram por terra. Ver Vilias motivada, cheia de fé e valor, ver sua dedicação e doutrina não a uma pessoa mas sim a uma causa....tudo aquilo foi emocionante, pois renovou a esperança de que vossa serva valiosa pudesse novamente ser encaminhada na senda da verdade....mas ao mesmo tempo acabou com a esperança de que ela não tivesse errado, traído vossa causa. Saber que ela já foi uma serva tão dedicada e nobre quanto outros tantos servos vossos, e saber que agora ela não passa de uma escrava sem vontade, tão vazia até quanto o autômato LK...
- Ó senhores da justiça, da verdade e da piedade, que podemos nós, meros mortais sem conhecimento julgar neste caso? Não é a uma simples mortal que julgamos, mas sim a vossa filha celestial, gerada nos planos santos da vossa existência, fé da vossa fé. Como julgar alguém que sucumbiu no serviço a vós? Como saberemos que o julgamento que ela fez não foi o correto nas circunstâncias em que ela estava? Ou mesmo que não foi aturdido sua vontade devido a maldição da torre que atacavam?
- Deuses da Tríade, a vós dedicamos nossa vida e serviço e em vós esperamos a luz deste julgamento. Sei que não somos dignos, mas pela fé que movimenta vossos servos, manifestem vossa vontade neste caso e iluminem nossa mente neste julgamento.
- Mais uma vez invocamos vossas benç;ãos para aumentar nossa sabedoria neste tribunal. E que o veredicto seja a vossa vontade e não a nossa. Peço-vos piedade e clemência, mas acima de tudo verdade e justiça neste cerimonial. Que o servo que presida a cimeira seja iluminado pelo seu conhecimento e que sua decisão seja a mais próxima de um veredicto de vós mesmos.
- Honra e glória em vos servir!

Siegfried permanece mais alguns momentos ajoelhado, entoando mantras que aprendeu com os Martelos de Grimjaw na longínqua Termalaine enquanto prepara sua alma e seu coração para o que virá.

Levantando-se com calma, embainha a espada e ajeita o escudo no braço, para então levantar o seu olhar e encarar Vilias que o espera paciente em pé, à porta do templo.


- É chegada a hora de revelar a verdade e de fazer juízo de vossas ações, minha querida irmã. *seu tom de voz é tão sério quanto gentil, e mesmo neste momento o carinho que sente por ela ainda aflora*
- Minha vida pela vossa, meu mestre! *responde a mulher alada, com seu tom insensível, seu olhar mais frio que as geleiras que tomam os lagos do onde Siegfried habitou em sua mocidade.*
- Sim, minha amada irmã, creio que hoje será realmente vossa vida pela nossa, se esta for a vontade de Tyr. Há ainda algo que queria me contar ou revelar antes da reunião, minha senhora? Ainda há tempo para a verdade, serva de Torm.

Com o olhar Siegfried perscruta a alma da celestial, tão bela quanto um lírio negro dos pântanos ao norte de Xunthal, e tão mortal quanto seu veneno. Seus lábios exultam um brilho avermelhado, vívido. Seus braços, longos ramos de mármore, findam em mãos delicadas e belas cujos dedos delgados agarram firmemente o cabo da espada que pende de sua cintura. O cabelo, branco com a alva neve balança livre ao vento que circula nos deserto. O elmo, adornado com as runas sagradas de Torm, descansa entre seu braço e seu ventre ainda imaculado.
Mas seu olhar permanece o mesmo olhar frio e insensível. O olhar de um carrasco que já não sente mais prazer em matar os condenados. O mesmo olhar que fitou pela primeira vez por entre as frestas de seu elmo quando sofrera um grave ferimento no embate contra bárbaros no deserto, poucas luas depois de descobrir esta terra seca e desolada. O olhar é o mesmo que fitava os seus, quando ela erguia sua espada, vibrante num púrpura sanguinário, pronto para perfurar seu coração enquanto jazia imóvel e impotente perante o ataque da celestial de asas ainda negras.


O vento balança as cortinas que encerram o templo e encobrem a visão daquela que será julgada em pouco pelo conselho da SOL, quebrando o vislumbre do momento.
Tyrius, Slotus, Rugnard, os alto-sacerdotes e cavaleiros da Sagrada Ordem e quem sabe até outros celestiais que permanecem reclusos são esperados para este momento decisivo.
A vela queima e sua cera se derrama em seu candelabro, enquanto Siegfried permanece estático fitando a imagem de Tyr, a espera do que será inevitável.

Por fim ele fecha o punho sobre o lenço que trás preso ao pulso esquerdo, e pede a Beatriz que o ajude a decidir corretamente como agir. Derramando uma única e solitária lágrima ante a lembrança de sua filha, ele ora a Tyr pela justiça divina e parte, deixando para trás a sombra de Tyr que dança a luz da vela, sôfrega no vento frio da noite do deserto.



Jun 18, 2008

Atônito, o paladino a observa se afastar com passos delicados e um leve rebolar dos quadris, o que confere ainda mais charme e sensualidade as formas curvilíneas da bela celestial.
O cavaleiro ainda sente o gosto doce dos lábios dela enquanto acompanha com o olhar a linda mulher se jogar pela janela, abrindo suas asas ao vento e alçando vôo ao mais alto dos céus, numa jornada livre e pura.
Ele permanece um tempo, e mais um a seguir, perdido no choque que sofreu, mais das palavras que ouviu que das ações que ocorreram. É certo que o beijo fora inesperado e o pegara desprecavido, mas as palavras ainda ecoam mais fundo em seu coração.
O olhar vidrado ainda vê aqueles olhos amendoados a sua frente. Suas mãos sentem o toque macio da pele morna. O perfume enche suas narinas, lembra-lhe uma dama-da-noite a dominar os odores ao redor, como que dizendo: “apenas eu sou notória nestes arbustos”.
O céu já escurece sob o navegar da lua em seu mar de escuridão, pontuado pelas pequenas ilhas de brilho sôfrego que são as estrelas no céu de Nordock.
Súbito, um calafrio percorre a espinha do paladino. Ele busca o apoio do lenço que carrega em seu pulso esquerdo. Uma lembrança de seu compromisso, de seu dever. Uma lembrança de seu juramento ao seu único e maior amor verdadeiro. “Será que ela me perdoaria? Será que ela entenderia, me apoiaria? Será que estou certo?” – ele pensa, enquanto aperta com cada vez mais força o lenço bordado com uma filigrana dourada.
-Oh, Beatriz, minha amada filha....Precisava tanto de ti agora. Só tua pureza poderia me dar a verdadeira luz sobre o caminho que trilharei....Como sinto tua falta, minha princesa.
Lembranças de um passado longínquo, onde uma criança de cabelos dourados e pele alva brincava em seus braços, com olhos atentos e abertos ao extremo, deslumbrada com a paisagem que seu pai a mostrava. “Aquilo são flores-de-lis, minha linda” – dizia ele a criança maravilhada por descobrir todo um novo mundo, cheio de cores e perfumes, ao caminharem sobre um campo florido numa pradaria a meia hora de cavalgada de sua cidade gelada.
As lágrimas surgem novamente em sua face, após longos meses de ausência. O trilho de calor sobre suas bochechas logo se torna frio ao sopro da brisa da madrugada. Despertado de seu torpor, o paladino sabe o que tem de fazer.
Caminhando resoluto, ele sai da cidade e assovia. Um alazão branco como a mais pura neve se aproxima, diminuindo o ritmo ao se aproximar de seu senhor.
- Leve-me a Tobaro, Sleipnir.
Com um trote suave o cavalo avança milha a milha, enquanto o cavaleiro despreocupado deixa-se perder novamente no redemoinho de sentimentos e lembranças que invadem sua alma. Visões de uma cerimônia onde nobres senhores o cercam e marcam sua carne com o símbolo da justiça e retidão são nítidos em seu devaneio. O nascimento de uma criança, mais linda e pura que qualquer coisa que já tenha visto o fazem novamente chorar. A lembrança do sangue e do fedor da guerra nas ruas de sua cidade, o horror dos corpos mutilados espalhados entre as casas lhe causa um repentino enjôo novamente, logo substituído pelo ódio àquele que destruiu sua vida e sua família.
A última coisa que se lembra é das piras à beira-mar, uma grande e uma pequena, queimando ao longe enquanto a embarcação se afasta rumo ao infinito gelado. Das piras...e do beijo.
O cavalo interrompe seu trote. Está parado a beira do piso pedregoso da cidade de Tobaro. O cavaleiro desce, acaricia a crina do animal e com palavras amáveis o dispensa.
Em uma marcha resoluta, o paladino avança pela cidade. Seu rumo é direto e sem rodeios. Ele se dirige ao banco, e a um pedido seu a sala reservada dos cofres lhe é aberta.
Ele se ajoelha e declama uma prece, longa e grave, ao seu protetor. Ele declara toda sua fé e esperança. Ele enaltece as qualidades de seu senhor e guia. E ele pede ajuda.
Levantando-se, o paladino chora. Chora até cair novamente de joelhos diante do cofre lacrado, ciente do destino que o aguarda.
As mãos trêmulas seguram uma chave, que gira livre no cofre, desprendendo a tampa que se abre sem nem um ranger.
Junto a um livro, mapas, uns poucos pertences pessoais e pergaminhos rotos ele divisa um embrulho, delicadamente preparado e fechado.
O cavaleiro retira o pacote com uma dor no coração começa a abri-lo. Circunspecto, ele se ajoelha e começa a remover os objetos do seu interior.
Ele retira uma espada velha, quente ao toque da mão, cujo fio é todo marcado por dentes e manchas de batalhas antigas. Um escudo, também com um calor interior é o próximo a sair do cofre. Por fim, uma armadura velha e surrada, marcada por muitas batalhas, sai do seu esconderijo. No lugar é posta uma armadura, antiga mas em perfeito estado. Um escudo, adornado pela espada e balança, cujo brilho ilumina o interior do cofre é posto a seguir. Por fim, uma lâmina ainda embainhada, recoberta de símbolos sagrados da justiça, é de modo solene depositada no cofre.
O embrulho é refeito. As lágrimas correm soltas pela face do cavaleiro, que parece mais velho e cansado do que antes. Solenemente ele sela o pacote com o anel que porta.
Está feito.
Limpando seu rosto, ele se levanta resoluto e aliviado. Um suspiro de alívio ecoa na sala úmida onde se encontra. Com reverencia ele deposita o envelope no cofre, e o observa com retidão de sentimento.
O cavaleiro fecha o trinco, guarda a chave em um bolso interno e sai da sala. Nem mesmo um último olhar é dado ao cofre. Mesmo assim as lágrimas escorrem por saber que atrás de si estão encerradas as glórias de toda uma vida, de toda uma ordem sagrada. Estão encerradas, escondidas dos olhos da humanidade até que sua jornada tenha fim.
Ele parte da cidade, ainda incerto do rumo a tomar. Espera encontrar o líder de sua ordem, seu mestre e mentor, no acampamento na terra dos anões ou mesmo no quente vilarejo do deserto.
Mas ele não tem muito tempo a perder.
Ciente do que o espera, ele decide ir pelo caminho mais direto ao seu objetivo.
- Para a torre do deserto, fiel Sleipnir. Para Barakiel...Avar ou quem mais puder me ajudar na senda que escolhi seguir. E que Tyr me ajude e tenha piedade de mim.


Jun 23, 2008 - Manhã

Foram horas extenuantes que Siegfried enfrentara. O perigo é sempre eminente. Cada parede, cada objeto representa um perigo inimaginável naquela situação. Qualquer coisa pode ser mortal naquelas mãos. O simples levantar de um membro pode por em risco toda a sua missão.
Mesmo por isto, a noite de sono não veio, e o raiar do dia só trouxera mais expectativa e dor aos seus velhos e cansados membros. As pernas já não respondem tamanha é a letargia de seus músculos. Os braços pendem ao lado do tronco recostado na parede próxima da lareira, donde observa atento cada movimentar na sala.
Seus olhos perduram em se fechar, mas o mais leve tosquenejar significaria a ruína num momento como este. O fogo ainda arde e estrala a lenha, disfarçando os sons indistintos do ambiente. Cada riso, cada golfar de ar, tudo é sintoma de mais perigo e apreensão.
Seu nariz capta o mais leve dos odores, certo de que aquilo pode significar um perigo ainda maior que se aproxima.
Seu estômago ronca faminto, afinal a vigília durara todo um dia, mas mesmo assim cada alimento que retirou de sua mochila fora destinado ao objeto de seu temor.

Felizmente Norfind retorna de sua meditação e pode enfim assumir o lugar de Siegfried.

O velho paladino desaba numa poltrona, ainda envergando sua armadura, e suspira aliviado por sua missão ter tido êxito. Jamais pensara que de todos os embates o mais difícil seria cuidar de três crianças élficas.

Diferente de sua filha, as crianças élficas parecem não dormir nunca. Suas mãozinhas afoitas tocam em tudo que brilha ou está ao seu alcance, o que torna o mais simples dos utensílios verdadeiras armas contra os seus manipuladores. Elas são irriquietas, e na sua ânsia por andar tropeçam e caem, muitas vezes próximas demais de quinas de mesas ou mesmo do fogo que queima na lareira.
A todo momento reclamam de fome, e quando se calam significa que estão aprontando algo, seja uma travessura ou seja porque estão sujando suas fraldas, o que dispara uma verdadeira operação de guerra.
Em toda sua vida Siegfried jamais vira tamanha quantidade de cocô e fraldas juntas. Um verdadeiro inferno. Siegfried chega a sentir saudades dos perigos do deserto nestas horas.
Ele não dormira um segundo sequer, temeroso do que as crianças poderiam aprontar. Seus braços acostumados a portar o escudo e a espada ardem em câibras de horas embalando as crianças, na expectativa vã de que dormissem e lhe dessem alguns minutos de sossego.

Mas, felizmente nada de ruim acontecera, tirando-se apenas da diarréia do ruivinho, o que o fizera clamar a Tyr por piedade. E finalmente Norfind retornara, para alívio e salvação do paladino.

Enquanto se ajeita na poltrona, Siegfried acha brinquedo esquecido por uma das crianças. Porém o brinquedo parece diferente. Uma observação mais detalhada acaba por revelar um bilhete, posto não sabe quando nem como, menos ainda por quem.
Uma rápida leitura o alerta para o drama que se seguia, e tão logo termina já sai pela casa acordando os que ainda dormem ou fazem seu desjejum.
O primeiro que encontra é Laurio, a quem tem como o líder do grupo no local, e a este repassa o bilhete com um olhar apreensivo.

Siegfried se afasta e aguarda as ordens dos companheiros de habitação, uma vez que sua presença no local é passageira e não entende que possa assumir uma posição de maior destaque entre tantos experientes e poderosos seres que habitam naquela casa.

Apenas uma coisa ainda o mantém no local, uma vez que estivera presente apenas a convite de Tebryn e por ter encontrado uma situação caótica no momento de sua chegada. Com tudo arrumado e organizado, seu dever maior para com um julgamento e uma mulher alada lhe falavam mais alto. Mas ainda restava algo em seu coração que não lhe permitira partir.

Aquela mulher...
Aquela, a quem Laurio lhe disser que poderia passar por sua guarda na porta.
Aquela em quem enxergara, como é próprio dos paladinos, uma áurea dourada, pura e bondosa como só sentira no mais santo dos templos de Tyr.
Aquilo era por demais lindo para ser abandonado sem ao menos uma palavra. Siegfried precisava, para bem de sua fé, saber quem ela era, e por que portava uma aura tão graciosa e cheia de bençãos como aquela.
Quem sabe não era a resposta que precisava para salvar Vilias e ajudar seus irmãos nos desertos.....



Jun 23, 2008 - Tarde

Após ouvir a leitura da carta, Siegfried se dirige para fora da casa.

Lá, encostado a uma árvore, tendo seu escudo como apoio, ele solta o lenço que sempre leva preso ao pulso esquerdo e o beija, passando alguns bons minutos o roçando em seu rosto e sentindo seu perfume.

Lágrimas descem sem vergonha por sua face rosada e enrugada.

Por muitos minutos ele fita o céu e o cume gelado das montanhas ao redor, como que a esperar um sinal dos céus.
Logo ele se ajoelha e faz uma longa e demorada prece. Joelhos ao chão e escudo em riste, como um apoio aos seus braços cansado.
O velho paladino aperta forte o lenço, que de aparência leve e suave some em sua mão calejada.
Seu escudo reluz com o brilho do meio-dia, refletindo em sua armadura dourada. As runas bárbaras e o símbolo de Tyr em seu peito ganham contornos celestiais conforme os raios de luz atravessam a folhagem espessa.

Os minutos não passam no mundo onde ele se encontra, repleto de dogmas e doutrinas. Um mundo onde a honra sobrepõe a própria vida, onde o servir é mais importante que o ser servido.

Sua oração é leve. Seus murmúrios sobem aos céus levados pela brisa do bosque, pelas asas dos pássaros nos galhos.

Súbito seus lábios se fecham, uma última lágrima escorre de seus olhos e ele se levanta. Seu porte ereto, majestoso. Sua fisionomia alegre, gentil. Seu sorriso largo e fácil.

Ele prende o lenço de volta ao pulso, por sob a luva metálica, e adentra a casa.

Contente, ele sorri pra todos, mas pensa em seu âmago:

"Por Tyr, a elfa sabe do que fala.
Me lembro de quando adentrei por esta porta ainda ontem. Laurio me inquiriu sobre o por quê de minha vinda, e ainda agora me lembro de minha resposta. Por Tyr, minhas palavras foram confirmadas por esta missiva. Eu vejo...não, eu SINTO os corações tocados por aquilo que foi lido. Eu sinto, mesmo o mais negro e fechado dos corações nesta sala hoje balançou.
Oh, Tyr....finalmente eu encontrei alguém que sente como sinto. Hoje vejo feliz que meu servir não foi em vão. Quisera Vilias entendesse isto, quisera ela visse como a elfa viu, como nos fez ver.
Quisera Beatriz tivesse conhecido esta elfa, para aprender dela como viver e como se sentir."


Logo ele se aproxima das crianças de Norfind e se acerca delas, contando mais uma das lendas que aprendeu com seu pai. Mais uma das histórias que contava a sua filha nos duradouros invernos do seu norte gélido. E seu sorriso gentil e farto enche as crianças de prazer e serenidade. Em troca, estas enchem seu velho coração de esperança e paz, espantando a melancolia de seus olhos.

Ao largo ele vislumbra os companheiros de cerco. Um a um sente seus corações, o bem e o mal que carregam dentro de si. E sorri para si mesmo, falando só para as crianças ouvirem:
- Sim...vocês tem esperança, jovens mestres elfos. Com vocês vem a esperança a esta terra, pois fizeram em poucos anos, meses de vida, mais que toda a primeira ordem, mais que toda a SOL fizeram em décadas de existência. Bendito seja vosso infortúnio, pois dele surge algo que não pode ser derrotado por espadas e dentes, nem por garras ou magias.



Jun 25, 2008

Uma última batalha, meu senhor. Só isto que vos peço, uma última batalha.
Permita-me ostentar, mais uma vez apenas, vossas cores e vossos símbolos sagrados.
Permita-me erguer a vossa lâmina da justiça, a vossa justiceira, contra os inimigos.
Permita-me portar vosso escudo, a proteção dos justos, a favor dos indefesos.


O paladino então abre os olhos e começa a desdobrar o pano que cobre o cofre.
Ele abre cerimoniosamente o cadeado que a tranca, e retira, um a um, os itens sagrados que lá deixou depositados.
Ele retira a armadura com as cores de Tyr e da Primeira Ordem. Ele retira o escudo sagrado. Por fim, ele retira a espada, ainda embainhada.
A justiceira, o maior símbolo dos servos de Tyr.
Ele os recolhe, deposita um livro em seu interior e fecha o cofre.
Ajoelha-se uma última vez em oração a seu deus, com um sorriso nos lábios e o punho fechado sobre a espada em seu colo.

Hoje lutarei mais uma vez, talvez a última vez, meu senhor, sob vossas bênçãos. Sei que no futuro terei de abdicar de vossa proteção para que cumpra meu designo, mas não temo, senhor.
O futuro virá a seu tempo, e hoje será um dia de glória e honra a vossa doutrina, senhor.
Estou pronto para servir ao lado daqueles que seguem um ideal justo e nobre, meu senhor. Espero estar a altura de derramar meu sangue ao lado de Nala, símbolo de vossa existência, meu senhor. Sobretudo, ó Justo, espero que meu sangue derramado regue as sementes da justiça e da verdade, as sementes do amor e da paz nesta terra tão sofrida.
Aqui estou eu, meu senhor, vosso servo, um Martelo de Grimjaw, pronto a levar avante tua justiça e luz.

Ele levanta-se, deixando para trás uma vela acesa, que se consome nas horas restantes de modo melancólico mas resoluto, ciente de que cumpriu sua missão.



Jul 11, 2008

- Não temo meu destino, nem temo a morte, Bartholomeu. Tenho certeza que minha fé resistirá além de minhas provações. Faça o que tem de ser feito.
Após estas palavras, o senhor da Torre Negra, também conhecido como Blackavar, realiza seu macabro ritual.
O paladino cai prostrado de joelhos sobre a terra, apoiando-se em seu escudo e tremendo como uma criança em noites tenebrosas de tempestade.

- Está feito, “paladino”. O sarcasmo na voz do mago não pode ser ignorado, bem como seu porte altivo e sua calma baseada no poder que tem.

A luz ainda brilha no escudo do cavaleiro, mas as lágrimas que derrama mostram que algo mudou. Não há ferimentos visíveis, mas o medo e a angústia voltam a assolar a alma daquele que um dia jurou lutar sem temor pelo seu deus.

Os amigos olham aflitos para ele, perdidos por não saberem o que aconteceu de verdade. Temem pela saúde do velho cavaleiro, mas nada suspeitam da dor que ele carrega em seu peito agora.

- Levante-se, Siegfried. O que aconteceu? Dizem os que assistiram ao embate sem entender nada.

- Nada, senhor....apenas preciso ficar só... E com estas palavras o cavaleiro se ergue, recompõe sua postura e caminha, a passos lentos e melancólicos como outrora, para um refúgio qualquer do olhar dos curiosos.

Em sua meditação, olhando o rio que se joga do planalto em direção ao abismo da planície a sua frente, ele repensa os atos que tomou. Ele repensa os acontecimentos recentes, desde a aliança prateada ao confronto com o rei de Tobaro.

- Tanta coisa em tão pouco tempo....e ainda agora muito há para ser feito, senhor.... São os murmúrios que exclama enquanto perde-se no labirinto de suas lembranças.

Um a um ele recorda dos acontecimentos prévios.

Ele recorda o encontro com Tebryn e os outros membros da Aliança Prateada, ainda desconhecida de si, nos arredores de Tobaro.
Ele recorda dos momentos de tensão e combate junto àqueles que jamais pensou encontrar juntos. Ele relembra as histórias, discussões e a amizade que permeia aqueles que lutavam pelos que não eram seus, mas a quem devotaram suas vidas à proteger.

Ele se lembra do encontro com Nala, de como se sentiu pequeno e imperfeito perante aquela que pode ser a salvação de todo um continente, quem sabe até de toda a Faerün. Ele lembra-se de como ela lhe fizera sentir um ser insignificante e sujo diante do brilho de suas escamas douradas e da pureza de sua alma.... de sua aura.

E ele se recorda das batalhas, das vitórias e das derrotas diante dos seres dos planos das fúrias. Ele se recorda de Norfind e seus filhos...de como sentiu saudades de sua filha e de como pensou poder apagar um erro com um acerto. De como poderia se perdoar pela sua Beatriz salvando aquelas crianças, tão diferentes entre si.
Pensou no brilho nos olhos infantis e puros daqueles que desde cedo são ameaçados pelo mal simplesmente por terem pais que não fogem ante o dever, como fora com sua bela flor dos campos nevados.

E chorou por ela, mais uma vez.

Sua mente vagou no tempo, avançando por viagens entre planos e ilhas desoladas, dragões e monstros dos subplanos, e chegou de novo a Tobaro.

Chegou ao julgamento, às palavras de Slotus e ao ataque ao Rei. Lembrou-se de como colocou sua vida em perigo para salvar aquele que depois iria combater. Lembrou-se da conversa com o monge sobre como proceder em seus passos futuros, tanto quanto a Vilias como para com o Rei e seu reinado. E percebeu que falhou em ambas as propostas.

Percebeu que todos seus planos foram invertidos, que os resultados foram o oposto do que pretendia.

Lembrou-se do assassinato do velho senhor, da ameaça ao neto desolado e da defesa da honra e do código de um paladino.
Sorriu orgulhoso de ter enfrentado toda uma guarda pela doutrina que seguia, de como aplicou, ou tentou aplicar, a justiça divina em prol daqueles que não podiam se proteger, mesmo sabendo que não gozaria da vida liberta após isto. Sorriu ao lembrar de seu sacrifício.

Mas a seriedade tomou seu semblante ao lembrar-se de Tebryn, ao lembrar-se do drow que considerava um aliado. Mais que isso, um irmão de ideais. E lembrou-se da desobediência do drow que não se apartou dele. Lembrou-se, com amargura, da dor da traição.

A dor de ter falhado com a população de Tobaro, a dor de ter falhado para consigo e para com seu deus, com efeito para com a justiça também.

Remoeu suas memórias no dialogo que teve à seguir com Tebryn. Enervou-se novamente o lembrar de como percebia que o drow só queria seu bem, mas que ele não entendia que um paladino tem um dever maior com sua honra e dogma que para com qualquer outra coisa mais. E satisfez-se em saber que ainda contava com amizade do drow, mesmo que este não compreendesse suas atitudes e seu dever.

Dali suas memórias partiram a Hollows, de onde ouviu rumores de acólitos de Tyr presos. Lembrou-se do grupo que encontrara...Punhos do Norte era seu nome. Lembrou-se dos que caminhavam para salvar os seus irmãos mesmo não os conhecendo. Eram jovens geurreiros, arcanos velhos conhecidos, monges e outros que lutavam por algo que não compreendiam bem, mas mesmo assim sentiam que era o certo.

O certo....sua mente vagou até o fundo da cachoeira...até o final da queda....e um par de asas alvas o perfurou n’alma. A dor de um sentimento impossível.

Voltou a pensar em sua filha...desta vez na jovem e adorável Kally, a mulher mais pura e bondosa que conhecera. Pensou em como ela era bela em seu ciúmes infantil ao vê-lo com a celestial, e de como eram lindos seus lábios contraídos num bico de criança carente. E pensou que devia muito a ela, mais do que poderia pagar, neste e em outra vida.

Novamente aquelas mãos suaves tocavam sua pele rosácea. O calor do toque subiu ao seu coração, e sua mão instintivamente apertou os dedos daquela a quem não compreendia.
Sentiu necessidade de se jogar ao precipício a sua frente, numa fuga desesperada do que não poderia viver.

Mas ficou. Fizera uma promessa, e com ela iria até o fim. Sacrificara mais que apenas os dons que recebera para obter êxito numa missão impossível de ser completada. Sabia que era um passo sem volta, mas sabia que este é o destino de um paladino, ir em frente mesmo sabendo que não voltará.

Porém, desta vez, o desafio era maior. Nunca sentira medo ao tomar suas decisões...não como agora. Nunca pensara no “más”...nunca se permitira ponderar ante algo que precisava ser feito. Desta vez, não era assim.

Muito ainda precisa ser dito...muito precisa ser esclarecido. A longa jornada novamente iria recomeçar.

- Por Tyr...que seja. Foi seu último pensamento ante de encarar a celestial e lha dizer para o acompanhar.

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