| SEI QUE VOU MORRER, PORQUE TENHO MEDO? | ||||
| A exist�ncia humana no mundo tem seu marco inicial com o nascimento, que na nossa cultura � sinal de alegria. A fam�lia fica feliz com a nova vida que nasce, ou deveria ficar.
O nascimento que nos coloca nesta hist�ria nos faz chorar porque nos lan�a em um mundo diferente daquele do �ltero materno em que nos sentimos aconchegados e protegidos. Esta prote��o faz com que sintamos seguros e n�o aceitemos mudar o est�gio da vida. Sair do �ltero materno exige de n�s a busca pelo alimento e pela sobreviv�ncia � claro que com a ajuda materna. Dede in�cio j� temos este choque de mudan�a de ambiente, mas como somos novos nem recordamos. Aos poucos vamos crescendo e construindo nossa hist�ria pautada em valores de nossa cultura. Esta constru��o de vida nos permite agregarmos uma carga cultural bastante vasta. O que significa esta constru��o hist�rica de vida diante a morte? Da�, portanto, a quest�o: Eu seu que vou morrer, porque tenho medo? A morte � t�o natural que todos temos a certeza que de uma forma ou de outra vamos passar por ela, mas, mesmo assim, n�o conseguimos aceita-la. A vida desde seu est�gio inicial � sempre um lan�ar-se no horizonte novo, e este novo, muitas vezes � o desconhecido. Este novo mesmo parecendo ser bom nos causa ansiedade devido a incerteza de arriscarmos em busca do futuro que nos espera. Temos que fazer escolhas, arriscarmos. Estas decis�es causam s�rias ang�stias. Alem do mais, muitas vezes n�o sabemos fazer escolhas certas. A nossa perman�ncia na hist�ria nos confere seguran�a � embora rara � mediante os valores adquiridos. Esta aquisi��o se d� atrav�s da fam�lia, parentes, amigos... at� mesmo bens mat�rias. O fato de ter que deixar para tr�s toda esta constru��o hist�rica faz com que sintamos inseguros. Sentimos muitas vezes tamb�m inseguros do que nos espera do outro lado da vida. Portanto, por mais dif�cil que seja esta vida queremos permanecer nela. Por maior que seja a nossa familiaridade com a morte dificilmente a aceitaremos com tranq�ilidade. Al�m disso, outro problema que vivenciamos na modernidade � o ocultamento e banaliza��o da morte. Vivemos como se a morte n�o fizesse parte da nossa exist�ncia. J� por outro lado a morte vira �palco de atra��o� na m�dia. A vers�o da morte apresentada por ela faz com que as pessoas fiquem indiferentes diante de tantos fatos tr�gicos que ocorrem. Uma guerra, uma cat�strofe acabam despertando mais curiosidade do que sentimento de solidariedade pelo fato ocorrido. Muitas vezes n�o nos damos conta de que se trata de vida humana que partiu e que merece nossa aten��o para que n�o ocorra mais. Ningu�m est� alheio a qualquer fato que ocorre. Quem vive sabe que de uma forma ou outra ir� ter este encontro com a morte. Porque tanto medo se a grande certeza que temos nesta vida � que um dia vamos morrer? O temor e muitas vezes o �tremor� � causado pela incerteza que esta nova realidade apresenta. O ser humano � o �nico ser que tem consci�ncia de que nasce, vive e morre, mas jamais aceita com serenidade esta passagem. A morte � um mist�rio que transcende nossa limitada raz�o. A ansiedade e o medo da dor provocam inseguran�a. Qualquer realidade que seja diferente da nossa rotina di�ria nos causa ansiedade: um exame, um vestibular, uma conversa incerta, uma viagem... A morte � a realidade mais adversa que precisamos vivenciar e no tira completamente de nossa rotina de vida. Por isso, � um grande desafio que gera muita ansiedade s� do fato de pensamos na grande mudan�a que faremos. Mas viver angustiado com a morte � perder a chance de viver bem a vida. Por mais simples a �rdua e longa que seja a nossa vida queremos permanecer nela, e devemos querer pelo seu valor. A despedida desta realidade terrena nos deixa em conflito. Se torna mais angustiante ainda para quem deposita sua confian�a nos bens materiais, pois deve deixar para traz toda a sua riqueza. Muitas pessoas s� diante da doen�a � que percebem o valor da vida e que muitas vezes aquilo que t�m n�o � garantia de vida. Se tivessem procurado amar mais teriam vivido melhor. Portanto, o caminhar para a morte deve ser vivido no desapego e na serenidade. Voltarmos o nosso cora��o para a realidade maior que nos espera. Al�m disso, morrer � uma palavra que em nossa cultura traz a marca da perca. N�o sabermos perder e, por isso, a morte representa a perca inaceit�vel de tudo aquilo que constru�mos ao decorrer de nossa hist�ria de vida. O caminho da morte � o caminho da vida que nos conduz a felicidade. Uma vida constru�da na pr�tica do bem n�o precisa temer a morte, porque ela � a consuma��o de nossa vida. |
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