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PARQUE NACIONAL DE TSAVO



        O Parque Nacional de Tsavo, localizado no sudeste do Qu�nia, � o maior do pa�s e um dos maiores de toda a �frica, abrangendo uma �rea total de aproximadamente 21000 quil�metros quadrados. A maior parte do parque � constitu�da por uma regi�o �rida e seca, mas existem v�rios tipos de diferentes habitats em seu grande espa�o territorial. Podem ser encontradas plan�cies, savanas, semi-desertos, bosques de ac�cias, florestas de beira de rio, p�ntanos e at� regi�es montanhosas. O parque � dividido em duas partes pela rodovia que liga Nairobi a Mombasa, Tsavo Leste e Tsavo Oeste. A primeira � mais remota e menos visitada pelos turistas e a segunda � onde se encontram a maior concentra��o de hot�is dentro do parque.
         Tsavo sempre foi conhecido no passado e ainda atualmente pelas suas grandes manadas de elefantes. Na d�cada de trinta o fotografo e explorador americano Martin Jonhson, conta que sobrevoando o parque de avi�o, viu e filmou num per�odo de meia hora, in�meras manadas com mais de duzentos elefantes cada. Nessa �poca estima-se que cerca de cem mil elefantes viviam em Tsavo. No ano de 1973 este n�mero j� havia ca�do para cerca de 35000 e em 1987 um censo acusou a presen�a de apenas 6000 destes animais no parque. Este alarmante decl�nio foi devido principalmente ao comercio ilegal de marfim, ou seja, a atua��o indiscriminada de ca�adores clandestinos na regi�o. Devido �s dimens�es do parque, � dif�cil controlar a �rea com efic�cia, ainda mais quando n�o se tem a infraestrutura ideal para tal. O n�mero de guardas no parque � sempre insuficiente, jipes com problemas mec�nicos, gasolina escassa, tudo vem apenas a facilitar o trabalho dos ca�adores ilegais nas partes mais remotas do parque. O mesmo destino tiveram os rinocerontes, outrora numerosos em Tsavo e hoje apenas figuras imagin�rias de um passado distante.
Tsavo foi sempre uma regi�o famosa tamb�m pelos seus le�es. O recente filme �Sombra e Escurid�o� retrata um fato ver�dico ocorrido durante a constru��o da ferrovia Mombasa-Kampala que atravessa tamb�m o parque de Tsavo. Para a constru��o da ferrovia, foram trazidos cerca de 18000 oper�rios indianos para trabalhar na obra. Quando a frente de trabalho adentrou o que � hoje Tsavo, come�aram os problemas com os le�es que naquela �poca (1899) fervilhavam na regi�o. Os le�es passaram sistematicamente a atacar durante a noite os acampamentos onde dormiam os oper�rios, que eram retirados de suas tendas e levados pelo felino, para serem devorados nas proximidades. A situa��o ficou t�o dif�cil que os oper�rios acertadamente se recusavam a trabalhar e as obras tiveram de ser paralisadas por duas semanas. Muitos alegam que os pr�prios indianos foram os respons�veis pela repentina mudan�a no card�pio dos le�es. � que como de costume, quando morria algum oper�rio devido a doen�a ou acidente, os mesmos n�o eram enterrados e sim jogados no mato. Os le�es que n�o s�o nada avessos a uma comida f�cil, naturalmente encontravam os corpos e os devoravam sem cerim�nia, sendo induzidos ent�o ao h�bito de devorar seres humanos.
         Naquela �poca os le�es abundavam em Tsavo e dizem que era imposs�vel de se andar dois quil�metros sem avistar pelo menos um destes felinos. A verdade � que em muitas esta��es ao longo da via f�rrea os felinos simplesmente se acostumaram a matar e devorar pessoas. Atualmente a cem metros da ponte sobre o Rio Tsavo, cuja constru��o � o tema do filme referido anteriormente, existe um hotel chamado �Comedores de Gente� e � uma atra��o a parte para os turistas que por ali passam diariamente. � um hotel simples de beira de estrada, mas marca um local onde no passado muitas vitimas pereceram nas garras dos le�es assassinos.Ainda hoje existe um n�mero consider�vel de le�es no parque,mas n�o � nada f�cil avist�-los devido ao tipo de vegeta��o arbustiva predominante.
           O solo na regi�o tem uma colora��o avermelhada caracter�stica e os elefantes de Tsavo s�o facilmente reconhecidos por apresentarem uma colora��o ferrug�nea devido ao costume de chafurdar na lama da beira dos rios. Alguns rinocerontes vivem protegidos em um santu�rio cercado ao sop� dos Montes Ngulia. Outros animais encontrados em Tsavo s�o  b�falo, leopardo, guepardo, hiena, javali, girafa,zebra, gnu,gazela e quase todas as esp�cies africanas de ant�lopes.
As fontes Mzima, pr�ximo ao Hotel Kilaguni, � uma atra��o a parte para aqueles que visitam o parque. Ela � formada pela �gua que percola pelo solo vulc�nico vindo das Montanhas Chyulu, originando ent�o um grande reservat�rio de �gua incrivelmente cristalina. Ali podem ser observados a partir de um grande tanque submerso estrategicamente colocado e dispondo de escotilhas, os muitos hipop�tamos e crocodilos que habitam por ali. A emo��o de ver rechonchudos hipop�tamos e enormes crocodilos como que em c�mara lenta a se deslocar naquela �gua incrivelmente transparente � indescrit�vel. Para se chegar at� o tanque submerso, anda-se por uma trilha no meio do mato e encontros com animais selvagens s�o bastante comuns, portanto fique atento. A melhor hora para a observa��o no tanque submerso � pela manh� bem cedo quando os animais est�o mais ativos e podem ent�o ser avistados com facilidade. A medida que o dia avan�a, crocodilos e hipop�tamos se ocultam nas sombras dos papiros e nas reentr�ncias das rochas permanecendo assim fora de vis�o.
           Lago Jipe no sul do parque e bem na fronteira com a Tanz�nia � um destino imperd�vel para os apaixonados por p�ssaros e algumas das esp�cies ali encontradas, s�o migrantes da Europa. As margens do Lago h� um hotel de luxo e outro mais simples onde h� uma �rea de camping anexa. Para se chegar ao Lago existem duas op��es e ambas partem da rodovia asfaltada que liga Voi a Taveta, j� na fronteira com a Tanz�nia. Saindo do parque pelo port�o de Mbuyuni, tome a esquerda na primeira estradinha de terra que encontrar e mais 14 km sacudindo pela trilha, estar� no lago propriamente dito. Antes de chegar ao lago pode-se visitar o Castelo Grogan que foi constru�do por volta de 1930 por Ewart Grogan, aventureiro que resolveu se dedicar ao plantio de sisal na regi�o. Grogan ficou famoso pela sua fa�anha de ter sido a primeira pessoa a realizar a travessia da �frica a p� desde a Cidade do Cabo at� o Cairo. A segunda op��o � pegar a estrada de terra que se dirige ao sul a partir do port�o de Maktau, quando ap�s 30 km chega-se ao lago.
            Grande parte de Tsavo oeste � de origem predominantemente vulc�nica e conseq�en- temente podemos avistar na dist�ncia algumas montanhas se sobressaindo por sobre a savana. Muita da atividade vulc�nica local � relativamente recente e na �rea pr�xima ao vulc�o Shaitani pode-se observar o ch�o todo coberto por uma lava solidificada e de aspecto vitrificado. Para falar a verdade, temos a n�tida sensa��o de que a lava negra como o �bano acabou de esfriar pois pode-se observar que a mesma tem a forma de algo que acabou de escorrer montanha abaixo.
Em Tsavo leste tais atividades tamb�m est�o presentes no Plat� Yatta que n�o � nada mais do que lava acumulada ao longo de milhares de anos em erup��es vulc�nicas ocorridas num raio de 150 km a sua volta. Este fen�meno geol�gico pode ser visto da estrada que liga Nairobi a Mombasa. De topo de uma imensa rocha plana conhecida como �Rocha Mudanda�, se tem uma magn�fica vis�o da imensid�o da savana abaixo e tamb�m de um reservat�rio natural de �gua que percola pela rocha e forma um bebedouro natural na sua base. Durante a �poca da seca � um dos melhores locais para se observar os animais selvagens que chegam em imensas prociss�es para aplacar a sede na �gua cristalina e fresca. A �Rocha Mudanda� fica na estrada que liga Mombasa a Nairobi entre as cidades de Voi e Tsavo. Outra atra��o � a �Cachoeira Luggard� no Rio Galana, a 40 km para norte de Voi, bastante citada no livro do Cel Patterson �Comedores de Gente de Tsavo�, tamb�m vale a visita. � um �timo local para a observa��o de crocodilos e hipop�tamos que �s dezenas permanecem tomando sol �s margens do rio. Sem sombra de d�vida Tsavo Leste � muito mais selvagem e in�spito que a parte oeste do parque e por este motivo atrai os mais aventureiros que realmente desejam sentir o gostinho do que � a verdadeira �frica.
            Em Tsavo h� v�rios hot�is que se adaptam a todos os gostos e bolsos e alguns mais sofisticados s�o constru�dos sobre imensas rochas de onde se tem uma perfeita vis�o da vastid�o impressionante que nos rodeia. Quase todos eles est�o constru�dos pr�ximo a bebedouros de animais donde da piscina, do restaurante ou mesmo dos quartos pode-se observar a prociss�o intermin�vel dos animais a ir e vir pela imensid�o da savana. Quem n�o quiser acampar e ao mesmo tempo n�o quiser gastar muito com os hot�is mais caros, uma excelente id�ia � ficar no que eles aqui chamam de Bandas.  S�o basicamente bangal�s de pedra constru�dos pelos pr�prios parques e que disp�e de camas, banheiro com �gua quente, cozinha com todos os apetrechos necess�rios, lareira etc. O �nico inconveniente � que devemos trazer toda a comida e �gua que porventura iremos necessitar. A grande vantagem � que nos sentimos um verdadeiro aventureiro na �frica e por um pre�o de aproximadamente cinco d�lares por pessoa e uma localiza��o sempre privilegiada, nada pode ser mais atraente. Mas n�o podemos esquecer de fazer sempre as reservas com anteced�ncia no escrit�rio da Let�s Go Travel na Standard Street em Nairobi. Existem em Tsavo Oeste Kitani Bandas com doze bangal�s e Ngulia Bandas com seis bangal�s, o primeiro estando localizado a uns quatro quil�metros de Mzima Springs e o segundo ao sop� dos Montes Ngulia a uns seis quil�metros do Hotel Ngulia. Em Tsavo Leste est� Aruba Bandas com apenas seis bangal�s e fica localizado pr�ximo ao Hotel Aruba a 33 quil�metros do port�o de entrada de Voi.
            Existem diversas maneiras para se chegar a Tsavo e a maior parte das estradas que se dirige ao parque parte da rodovia que liga Mombasa a Nairobi. Pode se tamb�m chegar a Tsavo vindo se diretamente do parque Amboseli, atravessando-se ent�o a regi�o vulc�nica de Shaitani. Neste trajeto tem-se uma magn�fica vis�o do monte Quilimanjaro que se eleva imponentemente a nossa direita a uns vinte quil�metros de dist�ncia, mas que na verdade parece ao alcance de nossas m�os. Quando por ali passei pela primeira vez em novembro de 1987, fiquei deveras impressionado com a beleza e impon�ncia daquela montanha m�gica que germina da savana como uma sentinela perene daquele para�so sem fim. A montanha ent�o parece mais perto de n�s como jamais hav�amos visto antes, uma vis�o inesquec�vel.
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