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RESERVA MASAI MARA
Para onde quer que voc� olhe, l� est�o animais e mais animais. Com toda certeza, se existe algum lugar na �frica onde ainda podem ser vistas as grandes concentra��es de animais que extasiaram os exploradores do s�culo retrasado, por certo esse lugar � Masai Mara no Qu�nia. Este � um dos mais perfeitos locais para a observa��o da vida selvagem africana que se pode encontrar neste planeta. O parque foi criado em 1961 e possui uma �rea aproximada de 1800 quil�metros quadrados constitu�das basicamente por extensas plan�cies, savanas e alguns trechos de florestas as margens do Rio Mara. � originariamente a terra dos guerreiros Masai que atualmente vivem apenas nas regi�es lim�trofes da reserva. Pr�ximos �s varias entradas da reserva pode-se observar a exist�ncia de dezenas de aldeias masai, chamadas de �manyattas�. Estes altivos guerreiros se tornaram uma verdadeira lenda no leste da �frica e cedo ou tarde o turista acabar� travando contato com membros da tribo. O Mara � uma �terra de le�es� e � juntamente com o vizinho Parque Nacional de Serengeti na Tanz�nia, mundialmente conhecido por este detalhe. Isto se deve principalmente pela quantidade de alimento dispon�vel, na forma de grandes rebanhos das mais variadas esp�cies de herb�voros africanos. Pode-se dizer que praticamente todo turista que visita o Qu�nia em busca de animais selvagens, vem ao Mara. Se voc� tiver a sorte suprema de visitar a regi�o entre os meses de julho e outubro, ter� ent�o a oportunidade de ver um dos maiores espet�culos da vida selvagem que este mundo pode proporcionar. � a grande migra��o anual dos gnus, quando uma horda de quase dois milh�es destes animais vindos do Serengeti atravessam a reserva durante dois meses, de leste para oeste, antes de empreender a viajem de volta. Quando a seca se abate sobre o Serengeti em meados de maio, bandos de gnus come�am a se agrupar nas proximidades da Cratera de Ngorongoro e do Lago Ndutu, a leste do Serengeti. Os animais ent�o iniciam a sua jornada em dire��o a oeste e ao aproximarem-se de Seronera umas tr�s semanas depois, tomam o rumo norte at� cruzarem a fronteira com o Qu�nia l� pelo in�cio de julho. Nesta �poca, um v�o de bal�o sobre a regi�o � uma excelente maneira de observar a migra��o sob outro �ngulo e ter ent�o a no��o exata da dimens�o do movimento em massa levado a cabo pelas manadas. Existem cerca de cinco hot�is que oferecem v�os de bal�o na Reserva, dentre os mais de vinte existentes nas redondezas. A regi�o da reserva onde se encontram as maiores concentra��es de animais durante todo o ano � nas Plan�cies Para�so a leste do Rio Mara e na regi�o compreendida entre o Escarpamento Oloololo e o mesmo Rio. Estas duas partes s�o menos freq�entadas pelos turistas e n�o sofre com o excesso de ve�culos muito comuns na parte leste e central da reserva. Por vezes � absolutamente maravilhoso perambular pelas estreitas trilhas sem avistar nenhum outro ve�culo pelas cercanias. Deve-se tomar muito cuidado nestas regi�es menos visitadas, pois a regi�o das �Plan�cies Para�so� por exemplo, est�o sujeitas a alagamentos no per�odo das chuvas. N�o � raro ouvirem-se est�rias de casais de turistas aventureiros que atolaram e tiveram que esperar um ou dois dias pela passagem de outro ve�culo que pudesse resgata-los. Assim sendo, aten��o redobrada ao circular pelas trilhas mais remotas da reserva. Existe uma �rea fora da reserva que � extremamente interessante e relativamente pouco crivada de turistas. Trata-se da �rea pr�xima ao port�o de Musiara na parte leste da reserva. Ali se pode encontrar tamb�m como em todo o Mara, todas as esp�cies de animais que tornaram a �frica conhecida no mundo todo. Principalmente os chamados �Big Five� que s�o reconhecidamente os cinco animais mais perigosos segundo os ca�adores dos �Velhos Tempos� na �frica, o le�o, o b�falo, o rinoceronte, o leopardo e o elefante. Numa bela manh� em novembro de 1995 nesta parte fora da reserva, mais precisamente numa �rea de uns cinco quil�metros ao redor do local conhecido como �Leopard Gorge�, em apenas tr�s horas encontrei todos os �Big Five�, s� para dar uma id�ia da fertilidade animal do lugar. A Reserva � cortada de norte a sul pelo Rio Mara e de leste a oeste no limite norte pelo Rio Talek e no limite sul, pr�ximo � fronteira com a Tanz�nia pelo Rio Sand. O Rio Mara sendo o mais caudaloso dentre eles, � o que apresenta maiores dificuldades aos gnus durante a migra��o. Na �nsia de chegar � seguran�a da margem oposta, muitos se afogam ou s�o mortos pelos imensos crocodilos que abundam nas �guas do rio. Existem v�rios pontos onde ocorrem as travessias, mas dois ou tr�s locais espec�ficos, pr�ximo ao Hotel Mara Serena � onde h� a maior concentra��o e a massa de animais se jogando nas �guas barrentas do rio � simplesmente impressionante. Al�m dos excelentes hot�is espalhados pela reserva e nas adjac�ncias, existem �timas �reas de camping pr�xima aos port�es de entrada da reserva e outros mais selvagens ao longo do Rio Talek, alguns com visita de le�es a noite praticamente garantida. Se voc� busca uma experi�ncia �nica e com muitos rugidos de le�es embalando o seu tranq�ilo sono, passe uma noite na �rea do port�o do Rio Sand, pr�ximo a fronteira com a Tanz�nia. Dormi ali em outubro de 1987 e em dezembro de 1995 e nas duas ocasi�es bandos de le�es rugiam em todas as dire��es durante grande parte da madrugada. Varias vezes ouvi sons dos animais bebendo �gua no rio a dez metros da tenda. Podia ouvir claramente o ru�do de suas respira��es ofegantes e sentir o solo vibrar quando da passagem de seus corpos pesados a dois ou tr�s metros de onde estava deitado. Confesso que apesar do cansa�o me era dif�cil conciliar no sono novamente, ali protegido apenas por uma lona. Para mim, estar a beira de uma fogueira de acampamento, ouvindo rugidos de le�es na dist�ncia, � uma das mais deliciosas e amedrontadoras experi�ncias que se pode viver. Estar ali s�, rodeado pela mais tenebrosa escurid�o, com o ar gelado que varre a plan�cie a nos congelar as entranhas e sob o mais estrelado c�u que se pode conceber. Nestes momentos nos sentimos �nfimos, mas plenos, diante de uma natureza t�o prodigiosa. O acesso mais utilizado pela facilidade e rapidez a partir da capital � pelo port�o de Sekenani a aproximadamente 250 km de Nairobi, sendo 45 km dela de terra batida e que pode ser feito em cinco horas. Visitando o Mara na �poca da seca, n�o � imprescind�vel um ve�culo 4X4, mas na �poca das chuvas como pode cair �gua a qualquer momento � aconselh�vel um 4X4. Sempre quando se est� por conta pr�pria, a tend�ncia � se embrenhar mais e mais nas partes mais remotas da reserva, na �nsia de se encontrar algo interessante a prud�ncia � sempre deixada de lado. Numa situa��o dessas ser pego de surpresa por uma destas chuvas torrenciais estando-se em um ve�culo 4X2, pode trazer surpresas desagrad�veis com certeza. Alguns locais devem ser explorados com maior aten��o por serem de beleza surpreendente e por proporcionarem um grau de aventura inesquec�vel. Na regi�o norte ao port�o de Musiara (fora do parque), j� mencionada anteriormente, visite �Leopard Gorge� e �Leopard Lugga� (que est�o a um quil�metro um do outro) e s�o dois locais de uma selvageria �mpar e �timos para se encontrar uma fam�lia de leopardos que costumam ter resid�ncia no local. Observe com cuidado as gretas nas rochas e os galhos das arvores, enquanto atravessa a base do desfiladeiro, e que podem guardar surpresas agrad�veis a olhos mais atentos. Mais ao norte dessa regi�o, pode-se visitar uma �rea de prote��o ao rinoceronte branco onde cerca de quinze destes animais vivem soltos e protegidos por guardas armados. � incr�vel como os animais s�o mansos e pode-se at� mesmo posar ao lado dos rinocerontes. Toda esta �rea repetindo, fica fora da Reserva Masai Mara, mas possui uma abund�ncia incr�vel de animais. Numa �poca recente os visitantes se contentavam em conhecer apenas esta �rea e nem adentravam a reserva propriamente dita pois assim n�o precisavam pagar ingresso. Desde 1999 os masais percebendo uma fonte de renda adicional que estava sendo desperdi�ada, constru�ram barreiras nas estradas de acesso a regi�o e come�aram a cobrar ingresso aos turistas. Mas mesmo assim vale a pena ir conhecer a regi�o que at� possui alguns bons hot�is �s margens do Rio Mara. A regi�o de Keekorok, bem menos selvagem e de mais f�cil acesso tamb�m � boa para a observa��o dos animais apesar de ser saturada de turistas. Le�es abundam nos arbustos pr�ximos ao hotel e ali passam o dia para o deleite das centenas de turistas que saem a ca�a de imagens diariamente. N�o � raro que se desperte de madrugada com os gritos de agonia de algum animal sendo morto pelos le�es ali nas proximidades. Bem cedo pela manh� pode-se ver os restos da carca�a de algum gnu ou zebra na estradinha que passa defronte ao hotel. Quando se entra pelo port�o de Sekenani em dire��o a Keekorok, ap�s uns dez quil�metros, chega-se a um ponto em que ambos lados da estrada s�o margeadas por extensas colinas ondulantes, cobertas com uma vegeta��o arbustiva. � tamb�m um �timo local a ser explorado principalmente do lado direito da estrada. Deve-se tomar cuidado para n�o se perder por ali pois a trilha estreita e sinuosa � bordejada por densa vegeta��o o que faz com que tenhamos uma vis�o muito restrita, dificultando a nossa orienta��o. Num final de tarde em 1987, fiquei perdido ali durante quase uma hora e cheguei a aventar a hip�tese de ter que passar a noite no local. Mas valeu a pena pois consegui encontrar dois grupos de le�es descansando em meio aos arbustos. Por sorte, num local onde a vegeta��o era mais aberta, vislumbrei algumas montanhas que j� me eram familiares ao longe e pude ent�o me orientar para retornar a estrada principal. Em metade dos hot�is da reserva h� postos de gasolina, assim sendo o reabastecimento do ve�culo nunca ser� um problema. No Rio Mara pr�ximo a fronteira com a Tanz�nia e pr�ximo � ponte de metal que atravessa o rio, h� um excelente ponto para a visualiza��o de hordas de hipop�tamos que se amontoam em um local espec�fico. Ali tive a oportunidade de observar a maior concentra��o destes volumosos animais. Deixa-se o ve�culo em um determinado local e adentra-se uma trilha que cruza uma pequena floresta at� se chegar a um ponto de observa��o onde se pode ver os brutos geralmente amontoados em agrad�vel desordem tomando sol bem no meio do rio. Se estiver s� e n�o houver mais ningu�m no local, v� com cuidado na tal trilha pois esta � uma terra de le�es por natureza. Um odor almiscarado, caracter�stico de felinos, impregna o local e a partir do momento que adentramos a trilha, o mesmo invade as nossas narinas de forma inconfund�vel. � de bom alvitre que se fa�a bastante barulho antes de continuar adiante e desse modo evitar um desconfort�vel encontro a queima roupa com um le�o adormecido e inebriado pelo frescor agrad�vel do lugar. N�o se esque�a que neste local estamos a apenas um quil�metro da Tanz�nia e por conseq��ncia do Parque Serengeti, talvez por este motivo que se observaram ali os maiores grupos de le�es, com 23 indiv�duos. Estando hospedado pr�ximo ao port�o do Rio Talek, existem duas op��es para se chegar a �Hippo Pool� do Rio Mara. Ir via Keekorok num percurso de aproximadamente 55 km pela estrada principal sempre em boas condi��es ou rasgando a reserva com o cap� apontado para o sul, por uma trilha selvagem em dire��o a Tanz�nia e que exige um ve�culo 4X4. Esta segunda op��o � para quem busca aventura, a trilha � estreita mas sempre plana e existem v�rias valas com lama a serem atravessadas e pouco antes de chegar aos hipop�tamos no rio propriamente dito, uma profunda e �ngreme ravina com o leito repleto de pedras que definitivamente s� pode ser vencido com um 4X4. Para quem gosta de off-road, aventura, se sentir por um momento isolado do resto do mundo, � uma op��o imperd�vel. Uns dois ou tr�s quil�metros antes de se chegar � ravina a que me referi anteriormente, do nosso lado direito nos deparamos com uma montanha com vegeta��o no seu topo, se destacando na plan�cie que por ora atravessamos. � o chamado �Lookout Hill� e l� de cima se tem uma �tima vis�o das savanas ao redor e na dist�ncia ao sul, as extensas e maravilhosas Plan�cies Serengeti que em linha reta est� a apenas seis quil�metros de dist�ncia. A trilha de acesso ao seu cume pode ser facilmente encontrada e se inicia em sua face sul. Assim que voc� estiver quase passando o morro, preste aten��o em uma pequena trilha que segue para a direita, ela o levar� ao cume. Pode-se chegar l� de carro, o visual compensa e a dist�ncia � de um quil�metro apenas at� o topo. Uns trezentos metros antes de �Lookout Hill� e logo ap�s a travessia de um pequeno riacho, vemos uma trilha a direita que vai em dire��o oeste para o Rio Mara a um quil�metro de dist�ncia dali. Pode-se explorar as margens do mesmo e ver enormes crocodilos e alguns hipop�tamos e na �poca da migra��o, gnus atravessando o rio. � interessante notar como os le�es desta regi�o que � pouco freq�entada por turistas, tem um comportamento diferente do de outras �reas. Assim que percebem a presen�a de algum ve�culo ao longe eles parecem assustados e n�o perdem tempo, como um raio se dirigem para o amontoado de arbustos mais pr�ximo em busca de ref�gio. Outra boa �rea para le�es � a que fica na parte central da rserva, pr�ximo ao hotel Mara Intrepids Club. Na trilha paralela ao Rio Tiak Tiak e que dista uns quinhentos metros do rio � quase certo de se enccontrar le�es a qualquer hora do dia. Neste rio tamb�m pode-se observar alguns pontos de travessias durante a grande migra��o, n�o t�o impressionantes como as do Rio Mara mas ainda interessantes principalmente pela facilidade de acesso. � uma regi�o para iniciar as suas aventuras, pois no caso de se sentir perdido, haver� sempre outros ve�culos que poder�o nos informar a dire��o correta a seguir. A medida que voc� adquirir mais confian�a em si mesmo e se tornar mais familiar com a regi�o, poder� ent�o arriscar v�os mais altos pelas partes mais remotas da reserva. Masai Mara significa sem sombra de d�vida aventura e s� a viagem para a reserva na �poca das chuvas j� � uma grande e inesquec�vel aventura. |
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