PARQUE NACIONAL DE AMBOSELI

          
                 
             O Parque Nacional de Amboseli no sul do pa�s � o segundo parque mais visitado do Qu�nia, provavelmente pela magn�fica vis�o que se tem do Monte Quilimanjaro a partir de suas extensas plan�cies e tamb�m pela quantidade de animais, quesito onde s� perde para a Reserva Masai Mara. Resumindo, seu segredo consiste em uma combina��o que encanta os turistas, cen�rio de tirar o f�lego,tribos coloridas, e animais em quantidade. Quando a visitei pela primeira vez em novembro de 1987, entrei pelo port�o de Namanga, atravessando ent�o nos primeiros quil�metros dentro do parque, o leito seco e poeirento do Lago Amboseli. A minha primeira impress�o daquele famoso parque nacional, n�o poderia ter sido pior. Para todos os lados para onde olhava, apenas uma paisagem mon�tona e de uma aridez contagiante. Era s� poeira, poeira e mais poeira, incr�vel. E uma poeira fin�ssima e que cisma em penetrar nas menores frestas de c�maras fotogr�ficas e filmadoras, um real problema!
            J� percorr�ramos quil�metros pela estrada, levantando um turbilh�o de poeira a nossa passagem e n�o havia uma s� vegeta��o a vista e n�o era de se estranhar que nenhum ser vivo tamb�m dava as caras por ali.Ao longe ao menos j� pod�amos ter um vislumbre do Quilimanjaro, a montanha mais alta da �frica com seus 5895 metros,se elevando imponente sobre a �rida plan�cie.Depois de um tempo e j� tendo respirado muita poeira,a paisagem come�ou a mudar como por encanto e come�amos a atravessar �reas mais verdes, onde aqui e ali se notavam grandes �reas pantanosas. O solo ent�o parecia f�rtil e aben�oado, contrastando com o cen�rio de momentos atr�s, coisas da �frica. O fato � que o Lago Amboseli s� possui �gua na �poca das chuvas, portanto passa a maior parte de sua vida expondo o seu fundo poeirento a dar as boas vindas aos rec�m chegados.Os p�ntanos por incr�vel que possa parecer, s�o alimentados pela �gua derretida das encostas do Monte Quilimanjaro. Esta �gua chega at� ali na forma de rios subterr�neos que percolam pelo solo poroso e vulc�nico da regi�o e afloram no parque, formando  p�ntanos perenes aqui e acol�.
           No sul do parque, j� pr�ximo a fronteira com a Tanz�nia, bosques de �arvores da febre amarela�,como s�o chamadas devido a cor de seu tronco e ac�cias com suas copas em forma de guarda-chuva, se espalham harmoniosamente, dando um aspecto tipicamente africano ao lugar. No final da tarde a temperatura cai abruptamente e um vento gelado sopra vindo do sul. Uma manada de elefantes se alimenta num p�ntano pr�ximo, enterrados at� o ventre em meio � vegeta��o que b�ia na �gua cristalina. Mais al�m em terra firme, manadas de gnus se mesclam �s zebras, impalas e gazelas, todos pastando na mais perfeita harmonia e paz neste jardim do edem. A cena � inebriante, ainda mais com a majestosa figura do Quilimanjaro aparecendo de forma meio esmaecida na luz de final de dia. As vezes me pergunto que esp�cie de ser humano n�o se emocionaria com tamanha vis�o.
            Definitivamente a grande atra��o de Amboseli s�o suas grandes manadas de elefantes e acredito mesmo que esta � um dos melhores parques do mundo para a observa��o destes enormes paquidermes em seu habitat natural. Como ocorre em outras reservas hoje os le�es n�o s�o t�o abundantes como outrora. Quando visitei Amboseli pela primeira vez em novembro de 1987, e depois em dezembro do mesmo ano, ainda havia um bom n�mero deles e podiam ser ouvidos todas as noites pr�ximo a �rea de camping, que se localiza em sua parte sul, pr�ximo a fronteira com a Tanz�nia. Pela manh� era comum ver as marcas das pegadas de le�o nas proximidades. Em dezembro de 1995 j� haviam colocado uma cerca de arame eletrificado em volta da �rea de camping, para proteger os campistas de elefantes que teimavam em se alimentar nas ac�cias sob as quais haviam sido armada alguma barraca.Ao que parece os guerreiros masais que habitam a regi�o, haviam em anos anteriores declarado uma guerra contra os le�es, diminuindo consider�vel o seu n�mero. Em uma semana que passei ali fotografando elefantes diariamente com o Quilimanjaro como pano de fundo, vi apenas duas leoas a uns cem metros da estrada, pr�ximo ao hotel Serena e j� no limite sul da reserva. Se este � um retrato constante em todas as reservas que visito, com exce��o de Masai Mara, que continua inabal�vel como um perfeito reduto de le�es, o caso � preocupante. Conversando com os masais sobre o assunto eles eram un�nimes em afirmar que a matan�a j� havia terminado e que os animais brevemente voltariam � fartura outrora encontrada.
            A uns dois quil�metros da �rea de camping est� �Observation Hill�, um morro de onde do seu topo se tem uma excelente vista da �rea do parque. Se estiver de jipe, pode-se chegar at� l� em cima com ele. A �rea � rodeada de p�ntanos verdejantes onde se descortina uma vis�o de uma quantidade surpreendente de p�ssaros. � s� parar por um momento na trilha e ver um desfile das mais variadas esp�cies de cegonhas, gar�as, �guias e coloridos p�ssaros de menor porte.
            Existem quatro hot�is de categoria dentro do parque e mais alguns fora dele. � pouco se levarmos em considera��o que esta � a mais antiga �rea de prote��o do Qu�nia, criada em 1948 como reserva. Somente em 1977 adquiriu o status de Parque Nacional, sendo a partir de ent�o uma �rea reservada �nica e exclusivamente para a vida selvagem. At� os guerreiros masai que viviam na �rea, tiveram que se retirar e se estabelecer nas �reas lim�trofes do parque. Normalmente a melhor hora para se vislumbrar o monte Quilimanjaro � pela manh�, pois ele passa a maior parte do dia envolto pelas nuvens.
           S�o 240 quil�metros a partir de Nairobi e podem ser percorridos em cinco horas de viajem. Da mesma forma que em outros parques e reservas do pa�s, deve-se estar sempre atento ao se aventurar pelo parque na �poca das chuvas.
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