PRIMAVERA DO AMOR
Não nos dissemos tudo,
Nem nos demos nada.
Nosso encontro,
Agendado pelo destino
Se fez acontecido,
Esquecido,
Distraído,
Sofrido.
Não se fez o que queria,
Não se deu o que podia,
Não se amou como devia,
Não se sonhou como seria,
Pois não se planejou,
Não se preparou,
Nem se fez bonito.
E quando encontrado estava o amor,
Não se pode segurá-lo,
Cuidá-lo
Pois não era nosso,
A outros pertencia.
Fora dado e prometido
Em tempos não sabidos,
Em vidas já vividas,
Que por outras vidas agora
Sobrevive e caminha,
Cansado, alquebrado,
Infeliz e consciente
Que por ser verdadeiro
Tem que cumprir sua sina...
Doer calado,
Chorar silencioso,
Viver,
Sobreviver....
Para que os outros,
Filhos , frutos colhidos
Frutifiquem-se e continuem...
E nós,
Amadurecidos pela dor,
Pela ausência,
Um do outro
Possamos saber que nos demos por inteiro,
Para que ele, o amor
Mesmo maior que toda colheita,
Se esconda nas lágrimas,
Se encontre na dor...
Que se findará com a própria vida,
E quem sabe numa outra
Renasça e se reencontre
Para ser pleno
E finalmente
Poder florir...
Norma Andrade
Enviado por Schyrlei Pinheiro - Novos Mensageiros