POEMA DEDICADO À MULHER QUE EU NÃO MEREÇO
Como ter a pretensão de ser a metade
De alguém que se mostra assim tão inteira ?
Absolutamente plena ?
Pois ao mesmo tempo que tu te apresentas
Tal qual brisa suave, tipo fresca aragem,
Surges também feito tempestade
A modificar toda a paisagem,
Só para desentranhar de mim boas sementes,
Coisas preciosas, segredos, presentes
E muita, muita felicidade.
Se de repente eu me quedo em silêncio,
Tipo calmaria após violenta tormenta,
Surges então tal qual pé de vento
A me levar noite adentro
Através das madrugadas molhadas
A me deixar beber em teu colo
Todo o orvalho que a noite
Foi capaz de gerar em teu cio,
Só para matar minha sede
E me alimentar de prazer.
Como ter a pretensão de ser a metade
De um foco de luz violeta
Que ilumina e cura as feridas
E que descortina novas sendas, caminhos
Que eu nunca fui capaz de perceber ?
Se és a chama branda e suave
Que hoje me aquece do frio,
Se és a graça que eu preciso e confio
Para restaurar no poeta
A alegria de viver ?
Não !
Não há como ser a tua metade,
No máximo uma fração menor
Anexada ao teu ser.
Seria então apenas um amante
E que fosse sem nós, sem algemas,
Pra poder descobrir em ti o carinho,
Para poder enfim chorar sem vergonhas,
Não pela dor ou desencantos tamanhos,
Mas pela pura sensibilidade a beleza
Que eu sei !
Um dia eu vou te merecer.
E aí verias no meu sorriso abusado,
Um homem liberto e harmonizado
Que ficaria assim aprisionado,
Pois bendita seja a mulher
Que um dia atravessou-me o caminho
Só para me ensinar umas coisinhas,
Essenciais para que eu possa crescer.
Nando Velho
Enviado por Ingrid - Novos Mensageiros