Mil desenhos loucos te tatuam.
Mil formas te formam, deformam e te fazem ser.
Abraço-te e sinto minhas formas fundirem-se com as tuas.
Sorvo o instante de nossa impossível união e retiro-me
com meu corpo marcado, para sempre, pelo teu.
Se eu pudesse,
subiria à mais alta de tuas ramadas,
escolheria o mais morno dos teus galhos
e lá faria um ninho para os meus desejos.
Depois, uma a uma, enfileirava as canções
que o vento canta nas tuas folhas,
juntava-lhes os risos dos pássaros
e deixava-me sonhar apenas por um segundo.
Se eu pudesse ...
Teu corpo, com cheiro de terra, detém o meu passo.
O que terá feito aquela ramada crescer tão direita em direção à nascente
e aquela outra descrever tantas e tão caprichosas curvas?
O que terá feito o teu tronco tão terno de tocar e macio de sentar?
Retomo devagar o passo, mas, um pouco adiante, paro e olho-te de novo;
e o que me terá detido, me feito te tocar e...
escrever estas coisas?
Teus mapas (maravilhosas imperfeições),
marcados ao acaso em teu corpo,
são caminhos por onde navegam as canoas da minha imaginação.
Se uns dias, ao passar indiferente, não os noto,
não quer dizer que esteja longe de ti.
Quer dizer (terrível confissão!)
que estou longe de mim mesmo.