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A obrigatoriedade do Aleitamento Materno

  Letícia M. Fraga    

 

As vantagens e benefícios do aleitamento materno são indiscutíveis. Ele é de fácil digestão para o bebê e possui gorduras com alto nível de colesterol. Devido ao seu aspecto imunológico, o aleitamento natural funciona como uma vacina para o bebê diminuindo de maneira significante a morbilidade neonatal, principalmente em comunidades de baixo nível sócio econômico.

O bebê que é alimentado naturalmente (no seio materno), exercita toda a musculatura orofacial, bochechas, lábios e língua; proporcionando um crescimento harmonioso da mandíbula. Além disso, também tem um papel fundamental na prevenção de maus hábitos orais, pois uma criança que suga o peito da mãe mantém os lábios vedados, postura a língua corretamente e desenvolve de forma adequada as funções do Sistema Estomatognático.

Como no bebê, tanto a necessidade como a gratificação estão concentradas em volta dos lábios, língua e posteriormente nos dentes, é através dela que o bebê saciará a sua fome, sede, e sentirá prazer. Este talvez seja o maior benefício do aleitamento materno.

                Mais do que elementos nutricionais, orgânicos e funcionais são fortalecidos na amamentação no seio, pois ocorre também a relação do apego entre mãe e filho. O peito não tem para o lactente apenas o sentido de saciar a sua fome, mas também o de calmante, pois seja qual for o motivo da inquietação do bebê, ele é tranquilizado pelo contato de sua boca com o seio materno, e de seu corpo com o da própria mãe.

            Para a mãe o significado de amamentar não é diferente. Alimentar o bebê representa muito mais que a nutrição em si, mas sim, todo o amor e a ligação desta mãe com o seu bebê.

            Entretanto, existem razões que podem impossibilitar a mãe de amamentar seu filho no peito. Atualmente, muitas mulheres trabalham fora para ajudar no sustento da casa, e por este motivo, não amamentam ou o fazem por um período de tempo inferior ao que é considerado ideal (6 meses). Nem mesmo a legislação em vigor, contribui para o aleitamento materno adequado, pois garante à mãe o prazo de apenas 120 dias de licença maternidade.

            Outro fator que pode levar uma mãe a não amamentar, é o filho indesejado, ou portador de uma deficiência, síndrome ou anomalia, que freqüentemente torna-o rejeitado.

            Acredita-se que antes de “obrigar” uma mãe a amamentar seu bebê, é necessário analisar em que condições a mãe teve essa criança, o que significa para ela a chegada deste filho, bem como os sentimentos que permeiam esta relação. Se o ato de amamentar é desagradável para ela mesma, é preferível que a mãe use a mamadeira, pois os sentimentos maternos que são comunicados ao bebê vão influenciar no bom ou mau começo do relacionamento entre ambos.

            Sabe-se que a mãe fica muito sensível durante os períodos pré e pós-natal, e que aspectos psicológicos atuam diretamente sobre o reflexo de ejeção do leite. Portanto, se a mãe sentir-se muito pressionada a amamentar o filho, é provável que as dificuldades para o aleitamento materno pareçam maiores do que realmente são, desestimulando a mãe ou fazendo-a se sentir culpada, podendo prejudicar sua relação com o bebê.

            Desde que seja utilizada da maneira correta, com furo e bico adequados, é possível desenvolver um vínculo saudável utilizando a mamadeira. O importante é que o momento da alimentação seja tranqüilo pois ele é o começo da comunicação entre os pais e o recém nascido, e é dessa comunicação que vai depender todo o desenvolvimento global da criança.

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