A missão do Cavaleiro
Há séculos atrás
em uma pequena aldeia havia uma criança pura, porem insana e que enlouquecia todo o
seu povoado em plena época da inquisição. A isolaram em uma catedral e tentaram
exorciza-la, pois diziam que ela estava possuída e que mais cedo ou mais tarde
ela iria amaldiçoar sua própria Terra. Anos se passaram e agora ela não é
mais uma criança, ela cresceu e os protestantes aumentaram. Todos desejavam seu mal.
Ao passar dos dias sua vida ia se dificultando e a vontade de mata-la ia
crescendo... Ninguém daquele povoado poderia mata-la, ninguém apesar de
querer não conseguia destruí-la. Em uma noite de tempestade surge um homem sob
um cavalo preto. Ninguém conseguia ver o rosto desse cavaleiro, pois vê-lo
representava a morte! Todos aguardavam pela morte da menina maldita e todos
queriam que o cavaleiro das sombras a levasse para as trevas. Certo dia a
menina estava caminhando pelo jardim da insanidade e de repente se deparou com o cavaleiro,
seus olhos brilharam e então ele a vampirizou sugando todas as suas energias e seu
poder, mas o sangue dela ainda estava intacto, pois seu sangue é puro e seu
corpo ingênuo. Após vampiriza-la ele a levou em seus braços para a aldeia e sem
perceber beija seus lábios e a transforma em humana. Ao chegar na aldeia todo povoado se reúne para ver sua morte. O cavaleiro impiedoso, então se comove com o sofrimento da camponesa que agonizando pede por ajuda... Apesar do sangue da
camponesa ser amaldiçoado ela lutou para defender seu país e mesmo assim ela era
a ovelha negra. O olhar da camponesa o conquistou, o cavaleiro estava confuso, pois nunca havia sentido nada igual, sempre foi imponente, mas dessa vez algo mais forte que ele invadiu sua
alma... ...Então chega o momento da revolta; todos queriam ver a morte da
camponesa e essa vontade despertou o instinto assassino. A noticia se
espalhou por todo o povoado e junto dele o ódio. O cavaleiro a carrega em
seus braços até o centro da cidade, ele não esperava sentir tanto remorso por
cumprir com uma missão, a missão que destruiria parte dele. Com lágrimas de
sangue escorrendo dos olhos ele ia se aproximando das chamas. Passaram a corda pelo seu pescoço e
antes de enforca-la o cavaleiro se pôs de joelhos e pela primeira vez pediu perdão. A
camponesa aceitou o seu destino e perdoou o cavaleiro dizendo a ele que também o
amava... Agora já é tarde demais, chegou a hora; ela foi enforcada. Após isso o
cavaleiro foi até a camponesa, desamarrou a corda de seu pescoço e a deitou
sobre o seu colo dizendo para ela retornar mesmo que fosse para não perdoa-lo,
pois sua missão ainda não havia terminado. Por horas e horas, noite e dia, ele ficou
acariciando aquele belo rosto. Então ele a pega em seus braços e a carrega até a
fogueira, lá ele a deita sob as chamas que começam a carbonizar seu corpo e em
segundos o corpo já não existia, agora só há cinzas. O cavaleiro cumpriu sua
missão e agora ele carregará em sua mente o remorso e em sua alma a dor. Anos
se passaram e o cavaleiro ainda não se esqueceu de sua camponesa e ainda carrega
consigo as cinzas daquele belo corpo. Muito tempo depois, quando o cavaleiro menos esperava, das cinzas surgiu a sua camponesa. Ela retornou a vida, a mesma vida que tiraram
dela... Seu corpo agora vaga pelo jardim de flores mortas e caminhando pelos espinhos
sangrentos ela se entrega ao cavaleiro, agora ela é uma mulher e ele possue seu
corpo, possue sua alma e agora eles são apenas um e vivendo apenas de dor,
vingança e paixão. Seu povoado agora esta morto e sua cidade desapareceu e o mundo
nunca mais será o mesmo, pois destruiu quem lutou por ele e agora ele será
destruído! E que o amor seja eterno mesmo havendo cinzas...
08 de maio de 2003.
Escrito por: Valéria..^Å^njø Caídø® |