Plantas Carnívoras

Uma planta é considerada carnívora quando apresenta três características: atrai presas (pelo odor ou cor), apresenta adaptações específicas para capturá-las (armadilhas) e para digeri-las (enzimas e/ou fungos ou bactérias simbiontes).

São vegetais altamente especializados, com características anatômicas, fisiológicas e ecológicas singulares. Tem como característica principal completar a sua nutrição normal, autotrófica, digerindo insetos, crustáceos e mais raramente anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.

Isto justifica porque o termo mais adequado a essas plantas é carnívora e não insetívoras.

Segundo estudos realizados em fósseis, surgiram aproximadamente há 60 milhões de anos. Durante sua evolução desenvolveram mecanismos de atração, captura e execução de suas presas.

A evolução dos diferentes gêneros ocorreu de maneira independente, isto é, em períodos e locais distintos. Isto permitiu a exploração de diferentes tipos de ambientes, alguns deles em condições desfavoráveis.

Atraem as vítimas imitando formas, cores e odores de flores, que depois de capturadas são degradadas por enzimas digestivas e/ou, em alguns casos, bactérias ou fungos simbiontes. Existem espécies que refletem luz ultravioleta e luz polarizada só visível aos insetos. Assim sendo, uma "folha armadilha" pode simular uma colorida flor, para atrair o inseto.

Uma das características que mais chama a atenção é a ARMADILHA, que varia bastante dentro do grupo. Estas estruturas são, na grande maioria das vezes, modificações das folhas. Não se sabe quando poderiam ter surgido essas modificações.

A existência de enzimas, produção de muco e movimento não é um fato que ocorre somente nas plantas carnívoras; ocorrem separadamente no reino vegetal. Alem disso nas demais plantas a absorção de N se faz pelas raízes, enquanto que nas carnívoras é feita pelas folhas.

As armadilhas podem ser de 4 tipos básicos: adesivas: quando produzem alguma substância que prende o animal às folhas; mordedoras: quando se fecham ativamente prendendo o animal: urnas ou jarros: quando as folhas possuem a forma de jarros que mantêm as presas em seu interior e sugadoras: quando, por um processo ativo, sugam o animal para o interior da armadilha (aquáticas).

Quando a planta se movimenta para a apreensão da presa é denominada ativa. São assim chamadas as espécies dos gêneros: Dionaea, Aldrovanda e Utricularia. Quando a planta não se movimenta é denominada passiva. São passivas as espécies pertencentes aos gêneros: Sarracenia, Nephentes, Cephalotus, Genlisia, Darlingtonia e Pinguicula. As espécies de Drosera possuem movimentos, não para apreensão mas sim para auxiliar na digestão e absorção do alimento por isso são denominadas semi-ativas. Em algumas espécies como na Drosera capensis este movimento é mais evidente e menos lento.

Geralmente são encontradas em ambientes úmidos e pantanosos, com boa insolação e com solos ácidos e pobres em nitrogênio. A acidez do solo onde vivem essas plantas impede, via de regra, o desenvolvimento de bactérias nitrificantes, responsáveis pela transformação do nitrogênio presente, numa forma que a planta possa absorver. Isto permitiu que, nesse tipo de ambiente, fossem selecionadas estratégias de sobrevivência para uma melhor adaptação ao local. Neste caso, as substâncias nitrogenadas deveriam ser obtidas pela alimentação heterotrófica. Outro fato curioso é que essas plantas não toleram ambientes com alto nível de nutrientes.

Quanto à nutrição podem ser denominadas tanto autótrofas como heterótrofas. São autótrofas por realizarem a fotossíntese como qualquer outro vegetal com clorofila, mas ao mesmo tempo são heterótrofas pois retiram parte da alimentação de matéria orgânica, absorvendo compostos mais complexos. Entretanto nenhuma delas é capaz de sobreviver usando exclusivamente animais como fonte de nutrientes.

As enzimas digestivas são liberadas por células especializadas, encontradas numa zona específica da armadilha, sendo que a liberação desta depende de uma estimulação que ocorre quando da presença da presa no interior da folha. As enzimas mais comuns são lipases, esterases e proteases.

Conhecem-se hoje mais de 600 espécies de plantas carnívoras em todo o mundo, distribuídas em cerca de 15 gêneros. A maior ocorrência se dá em regiões tropicais e subtropicais. Até o presente momento os seguintes gêneros são considerados carnívoros: Aldrovandra, Byblis, Cephalotus, Darlingtonia, Dionaea, Drosera, Drosophyllum, Genlisea, Heliamphora, Nepenthes, Pinguicula, Polypompholyx, Sarracenia, Triphyophyllum e Utricularia.

Como cultivar as principais plantas carnívoras

Antes de falar sobre os cuidados específicos das principais carnívoras, é importante tratar sobre o substrato usado para o cultivo. O solo deve ser basicamente pobre em nutrientes, de pH baixo (ácido). A exceção fica por conta de algumas espécies de Pinguicula, que necessitam de pH alto. Não há exatamente um consenso entre os cultivadores no que diz respeito ao substrato que deve ser usado. Alguns utilizam a mistura de pó de xaxim e musgo (do gênero Sphagnum) em partes iguais; outros preferem uma mistura de: pó de xaxim, musgo e areia em partes iguais. Para eles, a areia melhora a drenagem do solo, tornando-o mais próximo do tipo de solo do habitat natural de algumas carnívoras. A areia deve ser de rio e não do mar (pois contém muitos sais, prejudiciais a estas plantas). Esta areia deve ser bem lavada, até que a água escorra de cor clara. Com o passar do tempo (em média 2 a 3 anos), o musgo se decompõe, sendo necessário replantar a carnívora em um novo substrato. Tanto o pó de xaxim como o musgo são ser encontrados em lojas de produtos para jardinagem.

Dionéia:
Necessita de muita luz, calor e umidade. O ideal é mantê-la em um local onde receba um pouco de sol direto por dia. Recomenda-se manter o substrato sempre úmido, regando duas vezes ao dia ou mantendo o vaso em um pratinho com água (sempre sem cloro). Não há necessidade de adubações. Para obter novas mudas em casa: Retirar mudas laterais que se formam com o tempo e plantar em outro vaso. Outro método simples é retirar uma folha saudável, sem a parte da "boca", e deixá-la deitada em um vaso com a mistura descrita acima. Mantenha num local sem luz direta, com o substrato sempre úmido até surgirem novas mudinhas. A multiplicação por sementes e por meristema são métodos bem mais complicados para serem realizados em casa.

Droseras:
Conhecidas popularmente como dróseras, elas possuem um líquido parecido com cola que cobre suas folhas e atrai os insetos pelo do seu odor. Os cuidados são os mesmos recomendados para as dionéias, resumindo-se em muita luz, calor e umidade. Não há necessidade de adubações.
Para obter novas mudas em casa: As dróseras se multiplicam com muita facilidade por meio de sementes que se soltam quase o ano todo. Só é necessário colocar as mudas novas em outros vasos preparados com o substrato.

Sarracênias:
Os cuidados são os mesmos recomendados para as dionéias e dróseras. Não há necessidade de adubações.
Para obter novas mudas em casa: As sarracênias multiplicam-se por meio da divisão de touceiras. A nova muda deve ser plantada num vaso pequeno preparado com o substrato.

Nepenthes:
A Nepenthe é uma das poucas plantas carnívoras que se adapta à meia-sombra: gosta de local sem sol direto, mas com muita luminosidade. Recomenda-se regá-la de duas a três vezes por semana. Embora existam controvérsias, alguns cultivadores indicam uma adubação mensal com uma mistura de farinha de osso com torta de mamona.
Para obter novas mudas em casa: A multiplicação é feita por meio de estacas: corte um pedaço de 15 cm da planta com 2 a 3 folhas. Espete 5 cm da estaca para dentro do substrato.

Floricultura Normanda
 

 

 

 

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