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WWF alerta
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... para derretimento acelerado
de geleiras |
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| (Retrospectiva
de 2003) - BBC Brasil |
| Por Guilherme Aquino, de
Milão |
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| As geleiras estão
perdendo terreno em todo o mundo cada vez mais rápido. O alerta parte de
um relatório inédito do grupo ambientalista WWF (Fundo Mundial para a
Vida Selvagem, na sigla em inglês) apresentado em Milão, na vigília da
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. |
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| As geleiras são
antigas camadas de neve acumuladas e comprimidas, umas sobre as outras, ao
longo dos tempos. São a principal testemunha da última era glacial,
ocorrida 10 mil anos atrás, e sentem agora os efeitos da mudança do
clima do planeta. |
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| Durante o inverno,
estas montanhas de gelo acumulam massa com as nevascas e, no verão,
ocorre o inverso. O problema é que a perda de água está muito
acelerada. O aquecimento global provoca o derretimento dos glaciares. E
isso ocorre principalmente na cadeia dos Alpes. |
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| "As condições
climáticas da região estão sujeitas às influências de ventos quentes
da África, das frentes frias da Sibéria, das variações de temperatura
do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo", diz o pesquisador Luca
Mercalli, da Sociedade Meteorológica de Turim.
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| "Consequentemente,
estão mais expostos e, por isso mesmo, servem de laboratório para o
futuro de outros glaciares no planeta." |
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| Verão atípico |
| O verão de 2003 foi
o mais quente e seco dos últimos 250 anos. A média ficou entre dois a três
graus centígrados acima das máximas históricas assinaladas. |
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| O resultado foi a
impressionante perda da espessura média do gelo de três metros, a uma
altura de 3 mil metros, nunca antes observada. |
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| Este número é dez
vezes superior ao valor médio de "encolhimento" estudado entre
os anos de 1850 e 2000, e cinco vezes mais alto do que a velocidade
registrada entre 1980 e 2000. |
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| As geleiras alpinas
ficaram 10% menores. O dado é alarmante, pois a região concentra as
nascentes dos rios Po, Ródano e Reno, fundamentais para os países da
Europa Central, como França, Suíça, Áustria, Alemanha e Itália. |
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| A geleira Lys, nos
alpes italianos, vem sendo monitorada desde 1812. De lá para cá, jà
recuou 1.285 metros. Já a Ciardoney perdeu na última década o
equivalente a 14,3 metros de lâmina d’àgua espalhada por toda a superfície. |
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| "Além de ser
uma ameaça às reservas hídricas, o encolhimento de uma geleira aumenta
a possibilidade de criação de lagos na borda das montanhas,
deslizamentos de terra e enxurradas, colocando assim em risco as populações
que vivem nos vales", disse Tatjana Brombach, responsável da WWF
pelos programas de intervenção nos glaciares alpinos. |
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| "Estamos
trabalhando para que alguns rios retomem o seu curso original, ou pelo
menos que novas barragens não desviem estes caminhos naturais, pois eles
são importantes para a segurança dos habitantes da região e para o
equilíbrio da região" concluiu a pesquisadora. |
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| O problema nos Alpes
se repete em outras geleiras do planeta. Na cadeia dos Andes, o fenômeno
ameaça populações do Equador, da Bolívia e do Peru. |
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| No Himalaia, 44
geleiras no Nepal e Butão estão prestes a mudar de estado físico. O
derretimento das geleiras, nascentes de sete importantes rios da Ásia –
entre eles o Mekong, o Yantze e o Ganges – põe em perigo um terço da
população do mundo. |
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| A reação em cadeia
vai desde o aumento do nível do mar até a falta de água para beber e
irrigar as terras para a agricultura. |
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As geleiras de todo o mundo
concentram 70% da reserva de água potável do planeta. |
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