FLORES DO CORAÇÃO

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À memória de Nhanhá.

 

Os últimos dias passaste,
Sempre triste sobre o leito,
Ó quem cuidara que seriam
Os teus dias só tormento!

Os teus olhos sempre olharam
As belezas a sorrirem,
Num triste ai se fecharam
Para nunca mais se abrirem...

Num sudário triste, negro,
Teu corpo lívido se achou,
No teu sofrer duro e agro,
Teu espirito se alvejou...

Todos choram de saudade:
Esposo, filhos, irmãos,
Não se olvidam em verdade,
Dos dias que tristes vão.

Eras alegre, ridente.
Sempre lépida a trabalhar,
Vivias sempre contente,
Sempre pronta a passear.

Que pena, ver-te fanada!
Cruzadas mãos sobre o peito
Com a face triste, tão pálida,
Sem mais arfar o teu peito.

21 - 8 - 1951

 

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