Economia e polis
Dentre
muitas outras atividades que tem na polis grega não podemos esquecer da
economia. Para os gregos, esta atividade não é um campo isolado de estudo para
uma ciência especifica. A economia não tem leis próprias, por isso não está separada
da política e da ética. É uma ciência pratica. A economia para Aristóteles é a
administração justa da casa e da polis.
Do ponto de
vista político, a economia é a doutrina da casa e da polis, isto é, a
administração junta destas instituições. Aristóteles considera a casa como
ponto de referencia para o principio da justiça, educação e da economia. A polis esta fundamentada na casa (oikós), a família é a base da
sociedade grega. É em casa que nasce o sentimento da justiça. No lar está a
origem e o centro de toda comunidade política e também da amizade. O homem não
pode viver sozinho por isso tem que arrumar uma companheira com a qual vai
formar sua família. Do ponto de vista aristotélico, sem desmerecer a polis, a
família tem maior importância, pois o lar é necessário para subsistência da
polis.
A união do
homem na polis é a busca da vida boa. O povo grego tem
vocação para viver em cidades. Mesmo quem trabalha no campo não moram isolados,
se unem em vilarejos. Do ponto de vista dos gregos o homem só tem uma vida
digna se viver em comunidade. a cidade garante ao homem a vida e a liberdade.
A função da
casa é muito importante para a polis, porque é o local onde o homem é educado
dentro das virtudes e conceitos morais, é também um local onde o homem tem a primeira
noção do que é vida social. A casa não supera a polis mas
está inteiramente integrada a ela. Aristóteles reconhece que a casa é importante na construção da
cidadania.
Segundo o
autor, para Aristóteles, a questão central da economia está na ética, ou seja,
preço justo e justa troca. O preço como
uma questão ética não deve ser estabelecidos pelo
mercado. Tudo deve ser estabelecido de acordo com a justiça. Para garantir a
reciprocidade, os preços devem ser regulados pelas normas éticas e políticas da
polis. A divisão de salários e de bens são problemas
ético-político.
Para
Aristóteles o sentimento da justiça nasce em casa. É em casa que esta o centro
da comunidade política e da amizade. A casa é reconhecida então como valor e
cidadania e reconstrução da polis. No contexto aristotélico a noção de casa, no
sentido de família, é bem diferente do mundo pos-moderno. Na Grécia clássica uma família era composta
por muitos membros, ou seja, pai mãe, filhos, netos ,
avos, etc. O escravo também fazia parte da casa. Ele não era tratado como um
membro da família mais fazia parte daquela comunidade domestica.
Aristóteles
era aristocrata, provavelmente deveria possuir escravos,
por essa razão ele considera justa a escravidão. O escravo era um ser que não
tinha razão suficiente para se governar. Por uma questão de justiça tinha que
ser governado por alguém. Era justo para o senhor possuir
escravos, porque estes lhes fariam os trabalhos braçais. Em contra
partida para o escravo era justo porque este não tinha capacidade para se
governar sozinho. É servindo o seu senhor que o escravo se sustenta.
Para
estabelecer o comercio as comunidades tiveram a necessidade de criar o
dinheiro. A arte de enriquecer que antes estava no acumulo de bens, agora está
no acumulo de dinheiro, isto é, a economia do dinheiro para facilitar a vida na
polis. Porem Aristóteles condena o lucro
excessivo. Para ele o dinheiro é só para facilitar as transações comerciais. As
riquezas devem ser limitadas.
A economia
participa da justiça porque está relacionada ao fim estabelecido pela ciência
pratica. A base da economia é a polis que corresponde ao principio do meio
termo. Do contrario o governo se torna inviável. A riqueza exagerada atrapalha
o equilíbrio da polis. A economia é a base de sustentação da polis. É também um
meio de realização da polis e do homem.